quinta-feira, 27 de julho de 2017

Feira de gado do sertão

Por Pedro Salviano Filho
(Coluna Histórias da Região - edição N. 298 de junho/julho de 2017 - Jornal de Arcoverde) 



«Nossa feira de gado (foto de 1918 ou 1919). Estendia-se do local em que está hoje a sede das Obras Contra Secas até o oitão da igrejinha de Nossa Senhora do Livramento.»

«Outra vista ainda da mais famosa feira de gado do sertão do estado (1918/1919). À esquerda, o oitão da igrejinha de Nossa Senhora do Livramento. À direita, a entrada da rodagem que vai para Buíque.»

«Mais ou menos em 1925, nossa feira de gado foi para o Tamboril, nome originário do vegetal da mesma designação existente naquele local, em Rio Branco. A foto é de 1929 ou de 1930 (Arquivo de Gumercindo Cavalcanti).»
Fotos e legendas acima, do livro Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. Luís Wilson, Recife, 1982. 
«O curral de embarque dos bois para o Recife, nos carros da Great Western, mesmo depois que a feira se mudou para o Tamboril, ficou sendo, durante muitos anos, no local em que está o Bandeirante.» Foto do livro Ícones. Patrimônio Cultural de Arcoverde, Roberto Moraes, 2008, pág. 48 

A maior feira de gado do sertão pernambucano durou cerca de 40 anos e promoveu o crescimento da então vila Rio Branco que, junto a outros fatores, induziu sua emancipação do município de Pesqueira. 
Inicialmente, em 1916, ela era realizada onde depois funcionou o DNOCS (goo.gl/r8m5Do), sendo mudada para o “triângulo” e, finalmente, em 1925, para o Tamboril (em frente à casa que pertenceu ao cel. Augusto Cavalcanti- goo.gl/2vi7zf). Até por volta de 1945 o embarque do gado pela Great Western era feito num curral onde depois foi construído o cinema Bandeirante. De vários estados chegavam gado para feira, tornando-se rapidamente um importante fator de desenvolvimento da pecuária. Mais dados são captados nesta pesquisa para complementar conhecimentos sobre esta atividade.
Como já vimos nesta coluna (goo.gl/4S0Wz8), a partir de 1953 passaram a ser realizadas as Exposições Regionais de Animais de Arcoverde, outro fator preponderante para o amadurecimento da pecuária regional.


1614 - Primeira feira de gado - Os sertaníades. Rinaldo dos Santos, 2017. goo.gl/F8aUBg. «Com o correr do tempo, a exigência cada vez maior de terras para o cultivo da cana-de-açúcar foi expulsando a boiada dos limites da área agrícola. Iniciava-se uma segunda etapa na colonização, na qual existia uma nítida delimitação entre a agricultura e a pecuária, embora seguissem ainda vizinhos e interdependentes.
A primeira feira de gado realizou-se na Bahia em 1614. A pecuária torna-se mais independente, ocupando terras cada vez mais para o interior, pois o desenvolvimento dos rebanhos exigia grandes extensões desbravadas. Os rebanhos destinavam-se à produção de carne, leite e couro ao mercado interno e, também, bois-de-carro para os engenhos e transportes em geral. As feiras de gado surgiam como ligação entre o açúcar e o Agreste-Sertão, sendo um fator de povoamento do interior, reunindo pessoas e gerando negócios. Os Sertões eram, de fato, muito importantes para abastecimento dos engenhos de açúcar. Diz Simonsen corretamente: “Não existiria produção de açúcar sem a pecuária nos Sertões nordestinos”. As secas, porém, desestimavam um projeto de colonização mais abrangente. Somente quando a seca entrava nos engenhos, fazendo declinar a produção do açúcar, os aristocratas conseguiam sensibilizar o Governo para algumas ações de enfrentamento e abrandamento das consequências das longas estiagens. Se a seca, porém, permanecesse restrita aos Sertões, ninguém saberia, a não ser os sertanejos que lá viviam. A seca não tinha data marcada, podia acontecer, ou não e, por isso, a ocupação dos Sertões não foi uma ação planejada pelos que detinham capital. O povoamento dos Sertões não tinha a garantia que o açúcar oferecia, no Litoral e no Agreste e, por isso, aconteceu de forma desordenada.
Desde o século XVII, até meados do século XVIII a pecuária irá ocupar diversas regiões do interior do Nordeste. Na Bahia, o gado foi ocupando as terras do “Sertão de Dentro˜. Em Pernambuco, o gado foi ocupando as terras do “Sertão de Fora”, sempre através dos rios (ou mar), ao longo dos quais se desenvolveram os currais. Os Sertões nordestinos tinham, assim, duas pecuários, a “de  Dentro” (ou originária), que ocupou o Siará, Piauí e Maranhão, e a “de Fora”, que ocupou a Paraíba e Rio Grande do Norte.
De 1580 a 1616, os pernambucanos incorporaram a faixa litorânea que liga Olinda até o Maranhão. A seca entre 1614-1615 suspendeu a guerra contra os índios, fazendo Dias d’Ávila retornar para sua casa, no litoral baiano. Ali seria construída a famosa Tatuapara, ou Casa da Torre, na década de 1620, monumento para a posteridade.
Em 1614 foi lançado o livro “Histoire de la Mission de Péres Capucins en lísle de Maragnon”, de Claude d’Abbeville. Em 1615 sai o livro “Histoire des choses plus mémorables advenues en Moragnon”, de Yves DÉvreux. Os franceses escreviam livros, deixando claro que pretendiam permanecer na terra, mas não conseguiram. Os portugueses escreviam menos, mas combatiam muito mais. Os franceses mostravam livros, os portugueses mostravam seus arcabuzes.»

1809 – Viagens ao Nordeste Brasileiro, de Henry Koster (Volume XVII – Sec. Educação e Cultura, de Pernambuco, Recife-1978, 2ª edição, [Pág. 163]. «O interior de Pernambuco, Rio Grande, Paraíba e Ceará não contém, propriamente, gado selvagem. Duas vezes por ano os vaqueiros de várias fazendas se reúnem com o fim de apanhar o gado. As vacas são levadas, de toda a parte, para uma área em frente da casa e aí, cercadas por numerosos cavaleiros, são impelidas para os espaçosos currais. Isto feito, desmontam os homens e se alguma vaca se torna furiosa, como sucede, um laço pelos cornos é bastante para prendê-la bem ou, ainda outro meio é adotado, que é passar o laço numa pata traseira, e trazer a corda enrolando completamente o animal, sendo fácil derrubá-lo. Os bezerros são presos sem grandes dificuldades e marcam-lhe a coxa direita, com ferro incandescente, com que é feito o sinal, anteriormente fixado pelo dono, como sua marca privativa.» 

1856 - 28-8-1957 - Diário de Pernambuco, goo.gl/Ptxtsc , 1ª col. «Há um século. Viagem de boiadeiro. O abaixo assinado [Antonio Gonçalves da Silva], negociante de gado nesta cidade da Vitória, declara que tem comprado desde o 1 de março de 1856, até 22 de agosto do corrente ano, 5.614 bois, assim como consta de seus livros [...]. Nota da redação: Após a Restauração Pernambucana, em 1654, e o abastecimento dos currais de fora no agreste e na parte oriental do sertão de Pernambuco, a localidade de Santo Antão da Mata começou a ter enorme importância, como passagem obrigatória dos que viajavam do Recife para a zona das catingas. Em 1788, o chamado roteiro do Ipojucas incluía Vitória, a 12 léguas de Recife, de onde se alcançava Catinga Vermelha, no rebordo da Borborema, em terras do atual município de Gravatá. Com o tempo, a feira de gado da Vila e, depois, Cidade da Vitória ficou famosa no Nordeste. Há cem anos, por exemplo, o boiadeiro vitoriense Antônio Gonçalves da Silva negociou 5.614 bois em 18 meses, adquiridos no sertão, onde também comprava escravos. As "pessoas do sul", que lhe compravam gado, certamente eram senhores de engenho da parte meridional da nossa zona da mata, onde a agricultura canavieira impedia as atividades pecuárias.»

1900 - Moxotó Brabo, Rio de Janeiro, 1960, Ulisses Lins de Albuquerque, pág. 33. goo.gl/HWKYZG. «Boiadeiros e tangerinos. Na minha infância, um dos grandes dias na fazenda, era quando meu avô (ou meu pai) se dirigia ao curral com seus tangerinos, para abrir a porteira e soltar a boiada a ser conduzida às feiras de gado em São Caetano da Raposa e Caruaru - dali a umas quarenta léguas. O gado ia saindo e espalhava-se pela várzea, enquanto os vaqueiros e tangerinos o rodeavam, até encaminhá-lo para a estrada. Algumas reses ariscas, indóceis, tentavam furar o cerco, e, não raro, uma e mais outras saíam em desabalada carreira, dando trabalho à vaqueirama que as perseguia, por vezes internando-se pelo mato, até trazê-las ao rebanho. E lá se ia o gadão estrada afora, ocorrendo às vezes que as reses da fazenda, ali por perto, começavam a urrar -  chorando decerto a separação. As que seguiam, urravam também… e o pessoal da fazenda sentia-se comovido ante aquela cena, de um certo modo tocante. Os vaqueiros, acostumados a lidar com as vacas e bois da fazenda que seguiam na boiada, não escondiam seu constrangimento, e uns com outros falavam desolados: “Lá se vai a Mimosa velha…“ Ou “Coitados do Azulão e do Redondo! Bois velhos bons no arrasto…” E na guia da boiada lá estava o tangerino aboiador, a entoar aquela melopéia dolente: “Ê… boi… ê… ê… boi mansão… ô… vaca bonita… ai… ôi… ê… boi… mansão…” O tom plangente do aboio parecia amansar as próprias reses mais esquivas, e a boiada marchava calmamente, pisando a erva e fazendo rolar os seixos na estrada. Aí os vaqueiros voltavam, despedindo-se dos tangerinos. A propósito, contava-me em Pesqueira o velho Felizardo Mendes, antigo boiadeiro no sertão da Paraíba que, quando trazia as boiadas do Piauí, ao subir a serra da Borborema, como que o gado compreendia ter deixado bem longe os seus pastos, e, voltando-se para o poente, derramava-se num choro, em uníssono, que fazia cortar coração. A urrar, escavando o chão, como que enviava o seu último adeus aos campos natais! Naqueles tempos, os boiadeiros mais afamados eram meu avô (conhecido na estrada por Chico Alves, do Mossoró), meu pai, Chico da Vargem Grande, Chico Vieira, o português Monteiro, de Serra Talhada, Domingos Siqueira, de São José do Egito, major Tenório, de Pesqueira, e alguns mais, de menos categoria. Mais tarde, outros iam surgindo - Antônio Ferraz e Antônio Serafim (Tonho Boiadeiro), de Floresta, Chico Lopes, do Pantaleão, Lula, do Rio Grande, Antônio Zeferino, do Cariri, João de Brito, da Ipojuca (Pesqueira), Quincas Gordo (do Tapuia), Gonçalo Brandão e Campo Verde, de Belém de Cabrobó, Enoch Nogueira e Domingos Rodrigues, da Bahia e tantos outros…
E lá se iam para as feiras. Quantos calotes lhes eram passados! Muitos, precisariam vender, depois, seus gados, das fazendas, para que pudessem reembolsar os fazendeiros das reses adquiridas a crédito para as boiadas. Eram homens de vergonha e não trastejavam no saldar seus compromissos. Lembro-me que meu pai, em 1898, passou noites e noites sem dormir, porque, devendo um pouco, não recebia dez contos de réis de um marchante do Recife - um tal Rapouso - que lhe comprara uma boiada. Só depois de quase um ano foi que o devedor remisso começou a pagar-lhe em prestações, e isso mesmo com a intervenção de Pedro Pernambuco, deputado federal, chefe da política restrita no terceiro distrito, por meu pai dirigida no município… Ainda hoje a situação continua a mesma. Sem nenhuma garantia, os boiadeiros vivem à mercê dos riscos, entregando sua sorte aos marchantes da capital (e aos piabas), registrando-se vez por outra um bolo: prejuízo total, a arruinam-se-los sem apelo ou agravo! E os pobres tangerinos? Pobres coitados! léguas e léguas a pé, tangendo o gado alheio, curtindo o sol escaldante, dormindo ao relento, quase sempre no chão, internando-se pelo mato em busca de alguma rês que lhes prega uma sortida fugindo do bando à noite… É quando há o estouro da boiada? Ah! Só Deus e eles sabem o quanto sofrem, nos lances dramáticos a que se atiram através das catingas espinhentas, na luta tremenda para juntar o gado que um acidente qualquer assustou.
E vêm e vão, e vão e vêm - muitos dos mais longínquos sertões, do Piauí até -, resignados, cantando estrada afora, por vezes soltando piadas, quando à porta de um casebre onde se vende aguardente reúnem-se por um instante para o trago de um gole, como “refrigério”…
Habituados àquela eterna labuta, calejados os pés - e em todos os sentidos também calejados -, velam pela sorte dos patrões - os boiadeiros que os esperam nos dias de feira, e neles confiam cegamente, na certeza de que nenhuma rês, a não ser que haja tombado no caminho, lhes faltará nas boiadas.
E quanto dói, ouvi-los cantarolar, em marcha lenta - pobres que nada possuem de seu - as trovas rústicas que algum deles compôs e correm mundo:…»

06-04-1914 - A Provínciagoo.gl/wX9R8L2ª  col. «Faz-se em Vitória, conhecida cidade do interior, a feira de gado […] Ali fui e dali trouxe impressão que me não furtarei de publicar, chamando a devida atenção dos poderes competentes para o modo selvagem por que se tratam os infelizes animais destinados a alimentação pública.[…]»

1916 - Minha cidade, minha saudade. Recife, 1972,  Luís Wilson. Página 131.
«Em 1916, no lugar que está, atualmente, a residência do dr. Ruy de Barros Correia e Adalgisa, onde era a casa de Ernesto Lima, onde ficam, hoje, os edifícios da Obras Contra Secas e imediações, tinha Rio Branco a sua primeira feira de gado. Exatamente onde fica a casa do dr. Ruy, havia, até 1924, ou 1925, um rancho de boiadeiros, almocreves e tangerinos. Recordo-me de outro rancho daqueles no fim do Cuscuz, e de outro, parece-me, na rua dos Mascates.
Nossa feira de gado, das imediações das Obras Contra Secas, saiu para o “Triângulo” e, depois, para o lugar em que está, agora, o cinema Bandeirante. Mais tarde, foi embora para o Tamboril, onde permaneceu até alguns anos passados. Hoje, já não existe mais a grande e tradicional feira de gado.
O curral de embarque dos bois para o Recife, nos carros da Great Western, mesmo depois que a feira se mudou para o Tamboril, ficou sendo, durante muitos anos, no local em que está o Bandeirante. Ali, na quarta feira, embarcavam as boiadas. Era uma noite de trabalho de verdade, ou de trabalho puxado para o pessoal encarregado de meter os bois no trem. Luiz Aleixo era o encarregado dos trens de gado. Vez por outra, um boi mais brabo rebentava o curral, ou o pulava, e saía, cidade a fora, a botar mulher e menino pra correr, pelo meio da rua.
Mas, em 1919, Rio Branco já era, então, uma cidadezinha. Possuía, conforme consta de uma Antologia de Trabalhos de Zeferino Galvão, “590 casas (distribuídas em nove ruas), 1 praça, 1 largo, 2 travessas, 2.000 habitantes na sede, 1 agência de Correio, Estação do Telégrafo, Via Férrea, feira (às quartas-feiras), grande comércio com 57 estabelecimentos, 1 cinema, Luz Elétrica, Liga Contra o Analfabetismo, 1 banda de música, 1 fábrica de goiabada, 1 de bebidas espirituosas, 4 bilhares, 2 cafés, 2 Hotéis, 1 farmácia (deviam ser 2, a “Holanda” e a “Osvaldo Cruz”) , 4 mil habitantes no distrito, 6 fazendas de primeira ordem e 4 quarteirões policiais”.
A primeira feira de gado, no entanto, vinha do local em que estão hoje, os Edifícios das Obras Contra Secas e imediações, até o oitão da Igrejinha de Nossa Senhora do Livramento, na entrada da estrada de Buíque, mandada construir pelo governo, em 1915, para dar comida aos flagelados da seca, a maior, sem dúvida, que já houve até agora, no nordeste.»

1916 - Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. Recife, 1982. Pág. 84  - «É realizada a primeira feira de gado de Rio Branco, em nossa outrora Rua do Comércio ou Rua Grande, entre o Armazém de Compra de Algodão de “Seixas & Veloso”, a um lado do oito da Igreja de Nossa Senhora do Livramento e o Hotel de seu Mesquita, logo depois das Obras Contra Secas.
Transferiu-se depois para o “Triângulo”, mais tarde para o local em que está hoje o Cine Bandeirante e mais ou menos em 1925 para o Tamboril, quando era, então a famosa feira de gado do Sertão do Estado.
Vez por outra soltava-se um boi brabo do Tamboril e fechava as ruas de Rio Branco por onde passava.
Chamavam “espacio”, em nossa feira de gado e em todo o sertão, ao boi que tinha os chifres abertos e grandes. Um chifre torto, “corombó”. Curvos para baixo, “combuca”. Muito curtos para dentro, quase se tocando, “redondo”. Se o feitio dos cornos da rês era descomunal, chamavam-lhe espanhóis”.
Havia, outrora, muitas e muitas estórias de bois, sabidas de cor, cantadas em homenagem aos bichos brabos que viviam como “heróis”, “famosos pela resistência em escapar aos melhores vaqueiros, atravessar as secas, ocultos, famintos e livres, reaparecendo com um halo de invencibilidade que os iluminava de uma glória humilde e teimosa na memória coletiva”, constituindo aqueles romances para Luís da Câmara Cascudo (Tradições Populares da Pecuária Nordestina, Documentos da Vida Rural n. 9, 1956 RJ), a mais alta e realística das constantes do ciclo de nossa pecuária, em sua doce ingenuidade e graça comunicante.
1919 […]. Visita também o filho, Cel. Augusto Cavalcanti (Augusto Mouco), em Rio Branco, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dr. André Cavalcanti.
Foi para receber o pai que o coronel mandou construir uma de nossas mais belas casas de residência, algum tempo depois vizinha à feira de gado do Tamboril e onde esteve entre os anos de 1932 e 1936, em Rio Branco, as Obras Contra Secas.»

Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. Recife, 1982.  Pág. 203: «Nossa feira de gado (a famosa feira de gado do sertão do estado, em Rio Branco), no Tamboril, não existe mais, faz 25 ou 30 anos, o nome “tamboril” tendo origem, sem dúvida, no vegetal da mesma designação ali existente. [...] Não se vê também em Rio Branco, há 20 ou 25 anos, um velho boiadeiro ou os seus vaqueiros e tangerinos, por nossas estradas, com o gado, tão submisso aos seus “aboios”, “canto sem palavras, marcado exclusivamente em vogais, finalizando com uma frase de incitamento à boiada e legítima melodia em neumas, recordando a prece da tarde, caindo do alto dos minaretes” (Luís da Câmara Cascudo, “Mouros e judeus na tradição popular do Brasil”, 1978). Entende também aquele velho mestre que o “aboio” aqui chegou, vindo dos escravos mouros da Ilha da Madeira, trazido pelo português. Não conhece o vocábulo em documento anterior ao século XIX, acreditando que o nome é brasileiro e levado ao reino “em nossa acepção”, porque lá “aboiar” é deitar água abaixo, marcar com boia, tornar fluente, alijar, como é registrado por João de Barros e Diogo Couto e, em sentido diferente, não o empregou o Padre Antônio Vieira. [...] O último chapéu de couro que vi em “Rio Branco”, faz 8 ou 9 anos. “Nascido com o desbravador destemeroso da caatinga e que o acompanhou sempre em sua aventura de gigante”, usava-o Bonifácio, sobrinho de Zé Pereira, de Manuel Quinca do Xilili e de D. Etelvina, senhora do cel. Félix de França, do Brejo de São José, em Buíque. Nossas estradas (a partir de 1932), o automóvel, o caminhão, o rádio, a televisão, como que estão deixando apenas do sertão de outra época, as serras distantes e azuis, que estas serão sempre as mesmas ou nunca mudarão, como não mudam o mar e o céu.»
6-10-1920 - A Província. goo.gl/6N27ei 4ª  col. «Alagoa de Baixo, 5 (Do nosso correspondente especial) - Nas imediações da vila de Samambaia, deste município, foram assassinados e roubados um boiadeiro e dois portadores quando regressaram da feira de gado, da vila de Rio Branco. Depois de perpetrado o hediondo crime, o grupo homicida evadiu-se. O destacamento daqui é insuficiente para fazer o policiamento do município que é vasto.»

08-10-1920 - A Provínciagoo.gl/L8Quap, 7ª col. «Os horrores do sertão. Escreve-nos o sr. Eneas Gomes dos Santos, datando sua carta de Rio Branco, em 5 de outubro. […] Tendo vindo a esta localidade vender uma boiada, tive que me demorar por alguns dias, fazendo porém voltarem os meus tangerinos […] pernoitaram na proximidades do lugar denominado Jeritacó, a 16 léguas de Rio Branco, dois dias depois foram encontrados todos os três mortos […]. São tantos os grupos de degenerados salteadores que operam nas estradas, de modo a não se saber a quem atribuir a prática do delito. […] Por aqui lamento o não ter a quem peça ao menos garantia para regressar ao sertão, pois a vila de Rio Branco, apesar de ser o centro mais comercial dos sertões de Pernambuco, um lugar com mais de dois mil habitantes, não dispõe de uma só praça de polícia que assegure a garantia pública. Os grupos de malfeitores, cruzam os caminhos com a curta distância de um quilômetro a esta localidade, pois contam com a proteção escandalosa dos políticos dominantes nos vizinhos municípios de Buíque e Alagoa de Baixo; não é de se admirar que em breve eles ventam efetuar a “cobrança de impostos” dentro desta florescente vila Rio Branco.»


19-12-1923 - Jornal Pequenogoo.gl/6d2ZrM ,  6ª col. «Prefeitura do Recife. Nota oficial. […] o prefeito ter recebido resposta de consulta, enviada aos prefeitos de Garanhuns, Pesqueira [no então distrito Rio Branco], Caruaru e Vitória, localidades onde há feiras de gado […].»
1926 - 21-10-1934 - Diário da Manhãtinyurl.com/y8yhp56y , 2ª col.
«Em uma tarde de outubro de 1926, Lampeão com sua horda assaltou na fazenda Juá, do município de Floresta, um cercado onde pastavam 127 bois, pertencentes a um meu parente, destinados à feira de gado em Rio Branco, abatendo todos a balas, como uma torpe vingança, pelo fato de haver o seu dono se recusado a lhe fornecer munições e dinheiro.»

01-02-1929 - Jornal Pequenogoo.gl/LVVdJU, 3ª col. «[…] Desses dados, colhe-se que não tem havido feira de gado em Rio Branco, suprindo-se o Recife em Caruaru e Itabaiana. A feira de Caruaru não pode fornecer semanalmente mais de duzentas cabeças, distraídas a terça parte para alguns municípios próximos. A de Itabaiana não oferece margem apenas para 150 cabeças, que estão sujeitas a um novo imposto de trânsito de 13500 por cabeça […].»

05-06-1928 - Jornal do Recife, goo.gl/SDYqzf 1ª  col. «Sertão em fome. […]. Quem assiste à uma feira de gado em Rio Branco, desola-se em ver a que estado está reduzida a nossa pecuária, não há uma só boiada gorda do nosso Estado, alguma partida de gado melhor é de origem baiana, essa mesma não pode chegar em boas condições, pois desde que passa para o nosso Estado nada encontra que comer, há travessias de 3 e 4 dias de caminhadas onde nem água para o gado existe. […].»

11-06-1931 - Jornal Pequeno - goo.gl/UnL71i ,1ª col. «[…] Viajei do Recife a Rio Branco de automóvel - quatorze horas de martirizante viagem com duas pequenas paradas, uma na Vitória, para saborear o delicioso café do sr. Nestor & Holanda e outra em Caruaru, para o almoço no Grande Hotel. Manhã chuvosa, estradas ruins, chegamos felizmente vivos ao Rio Branco, onde tivemos fidalga hospedagem do sr. Getúlio Cézar, no Campo de Sementeira. […] No Rio Branco sente-se frio. Um frio delicioso, que me faz recordar o da primavera na América do Norte. Os campos estão verdes, o que dá ao sertão uma tonalidade de beleza e de alegria, em contraste à seca, que é o comum. Assisti a uma feira de gado. Quatrocentas cabeças, quase todas provenientes do norte da Bahia e do sul do Piauí. Pernambuco quase não tem pecuária. O gado passa a noite nos currais da municipalidade para ser pesado no dia seguinte. É uma exigência do comprador. Passa a noite preso, para que não coma, não beba nem se enlameie, a fim de não aumentar o peso. A balança é como as das usinas. Tange-se um lote para a balança, verifica-se o peso e abre-se a porta. À saída um indivíduo com ferro em brasa vai marcando com um número, uma por uma, cada rês pesada. Ao contato inesperado do ferro em brasa no pescoço o animal salta, escocesa, urra e corre. Grande parte do gado de hoje foi adquirida pela firma André Bezerra, a razão de seiscentos e poucos réis o quilo, para o matadouro do Recife. O vendedor explica-me: o gado em pé dá apenas 50% de carne verde para o mercado, de modo que vendido a 600 réis corresponde a 1$200. - E o couro? e as unhas? e os chifres? e os ossos? e as fressuras? - interrogo. Tudo isto se vende no Recife, onde a carne está a 2$000. Vende-se, sim senhor, como também se vende o cabelo da cauda. É o lucro do matador. Por onde se vê a carne verde, não é mau negócio, pois, além do lucro da venda do couro, de chifres, de unhas, de fressuras etc. que nada custa, os arrendatários do matadouro cobrem-se com mais 60%, quando, por gentileza, nos vendem a carne com osso por 2$000. Mário Melo.»

08-12-1933  Diário de Pernambucogoo.gl/9bmF453ª col. «- Feira de gado de Rio Branco. O Sertão Jornal tratando de interesses da hinterlândia, registra novas iniciativas do governo municipal do Rio Branco.
Assim, depois de dar aos seus leitores notícia da inauguração, no próximo domingo da barragem do Salobro, ˜trabalho de alto alcance às necessidades locais. notadamente para a classe pobre, dos que não podem pagar 2$400 por uma carga de quatro latas d’água˜, - faz o seguinte registro:
˜Rio Branco é o centro de convergência das grandes ˜boiadas” que procedem do Piauí e da Bahia, sendo por isso grandemente movimentada a nossa “feira de gado”, que se realiza às quartas-feiras.
Localizada numa grande área do “bairro do Cuscuz”, o referido comércio de rezes é bastante concorrido pelos interessados.
A Prefeitura Municipal, por iniciativa do operoso chefe do executivo, o sr. dr. Luiz Coelho, atendendo ao acentuado movimento daquela feira, está construindo ali um amplo pavilhão de abrigo para os fereiros livrando-os de resolverem suas transações comerciais no campo livre, expostos ao sol causticaste ou aos rigores dos dias invernosos.
É este mais um melhoramento de utilidade e que está sendo acolhido com muita simpatia.»

29-12-1933 - Diario de Pernambuco - goo.gl/hmi4go, 2ª col. «Melhoramentos em Rio Branco. A população de Rio Branco assistiu, festivamente, à inauguração dos novos melhoramentos municipais.
A barragem do Salobro, distante três quilômetros da cidade, tem capacidade para trezentos mil metros cúbicos d’água, estando o serviço de fundação do aterro com um volume de cerca de 3.770 metros cúbicos de matéria de boa qualidade.
O sangradouro é de alvenaria, defendido por uma placa de concreto armado.
No bairro do Cuscuz está o pavilhão da feira de gado com trinta e seis metros quadrados de área.
O Sertão Jornal, registrando essas inaugurações, dez:
“Melhoramentos de positiva utilidade pública tanto a barragem do Salobro como o pavilhão de feira de gado, atestam e concepção clara do ponto de vista administrativo com que vai o dr. Luiz Coelho governando o município, cuja estabilidade econômico-financeira é também uma afirmação que honra a um povo e dignifica a um governo.»

31-07-1938 - Diario de Pernambuco , goo.gl/cTTLyy2ª col. «-  […] Rio Branco - antigo centro comercial que vem cedendo lugar é Alagoa de Baixo. Estamos na zona da criação, do mocó e do caroá.»
Fomos à feira de gado. A pecuária ali não é tratada de modo tão estúpido como nas bandas do oeste do Estado. A fazenda de criação que o governo mantém em Rio Branco já educou um pouco o fazendeiro daqueles mundos, que vai compreendendo a necessidade do zebu”. Os corumbás, na feira de gado falam nesses nomes ainda considerados difíceis para muitos fazendeiros zebu, gir, nelore, guzerá, gado puro, mestiço e uma porção de coisa que ouviram do veterinários do Estado e acham direito. Pegamos uma explicação pitoresca dum vendedor de gado:
-“Qué comprá, é zebu. Esse bicho é duro de morrê na seca qui nem jumento. Si o sinhô levá um desse prá fazenda, nunca mais tem garrote merim, feito gado criôlo”. […].»

23-04-1939 - Diario de Pernambuco-  goo.gl/GBDPRn, 1ª col.  «- […] Porque o sertão está seco e os rebanhos perecem de fome e de sede é que continuamos a importar, largamente, gado em pé dos estados vizinhos. Ainda na última quarta-feira, em Rio Branco, na feira de gado, onde havia 700 rezes, 10 eram de Pernambuco. O mais tinha vindo dos sertões baianos, através de fatigantes caminhadas.” As estatísticas oferecem ao estudioso dos problemas econômicos pernambucanos conclusões muito interessantes. E estas clamam pelo aproveitamento da zona sertaneja. Porque o litoral e a mata é que sustentam nossas exportações. No dia em que o governo federal se dispuser a realizar o plano em estudos de aproveitamento do São Francisco, então assinalaremos para Pernambuco um surto de verdadeira renovação.»



Foto do Diário de Pernambuco, 18-08-1945: “Tipo característico do vaqueiro da região”.

18-08-1945 - Diário de Pernambuco - goo.gl/gTuKYg, 2ª col.  «A feira de gado de Arcoverde. Arcoverde é um município que fica a 270 kms do Recife, à margem da estrada de ferro é cortada por estradas de rodagem. É uma cidade das mais movimentadas do interior do estado, em vista de sua posição. Toda gente que vai ou vem do alto sertão, gente que vem de certos municípios da Paraíba, Alagoas, Bahia, Goiás, Minas, Sergipe e outros estados passa por Arcoverde. É muito conhecida a feira de gado que se realiza ali, às quartas feiras. Afim de assistir a uma dessas feiras, a reportagem do DIARIO viajou esta semana para aquela cidade do interior.
Chegamos na terça-feira, à noite, e o movimento de criadores e boiadeiros já era grande. Viam-se, pela cidade, muitos tangeres, com sua vestimenta característica: alpercatas, chapéu de couro, um cacete e toda sua bagagem em torno do corpo, formando o que eles chamam o “malote”.
Milhares de animais. Os negócios se realizam, geralmente, na tarde da quarta-feira. Foi nessa ocasião que estivemos na feira. No fim da rua Augusto Cavalcanti ficam os currais. Uma enorme área, divididas em diversos currais - mais de 20 - fica apinhada de gado. Nada menos de 2.500 bois foram levados para a feira de gado de Arcoverde, no último dia 15. E quem viu, como nós, tanto boi junto, exposto à venda, fica pensando, sem encontrar explicação, porque havendo tanto gado ali, a população do Recife sofre tanto por falta de carne de boi. Vimos, ali, animais morrendo, cansados ou doentes das longas caminhadas. E chegamos a uma conclusão paradoxal, enquanto no Recife quase se morre de fome, por falta de carne de boi em Arcoverde os bois morrem e não tem quem os compre. Diante da quantidade de animais que vimos, procuramos saber se em todas as feiras a quantidade de gado era assim tão grande. Informaram-nos de que todas as quartas feiras o movimento era aquele. Na penúltima quarta-feira, dia 8 por exemplo, a quantidade de gado foi uma das maiores dos últimos tempos. Cerca de 3.000 bois. Na quarta-feira última, mais ou menos 2.500. E é assim toda quarta-feira.[…].»

20-08-1955 - Diário de Pernambuco, goo.gl/hyVKMh, 5ª col. «Falou o sr. Ney Maranhão. O orador seguinte foi o sr. Ney Maranhão. Afirmou que, na última feira de gado em Arcoverde, no dia 17 do corrente, comprara, ele pessoalmente, 714 bois, a diferentes preços, variando no mínimo de 280 cruzeiros ao máximo de 326 por arroba. Apresentou uma relação detalhada da compra feita, indicando a quantidade de cada partida comprada, o preço, o nome do vendedor e a origem do gado. Afirmou que o gado mais caro custa 328 cruzeiros a arroba. Tratava-se de animais de primeira qualidade, procedentes da Bahia e com mais de 10 arrobas cada um.»

17-09-1957 - Diario de Pernambuco, goo.gl/2YpNXi, 6ª col.  «Arcoverde, vende-se boa propriedade, distante 14 quilômetros da maior feira de gado do estado [...].

11-04-1983  - Diário de Pernambuco -goo.gl/KpczJF, 3ª col. «Como medida que poderá incentivar o maior desenvolvimento da pecuária, o prefeito pretende promover o funcionamento da “Feira de Gado”, que há 30 anos deixou de ser realizada em Arcoverde  e que era considerada como a maior do estado, Para isso, ele manterá contatos com a direção regional do Banco do Brasil, no sentido de assegurar crédito mais fácil aos pecuaristas. O gado, atualmente, é vendido em Caruaru.» 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Estradas rodoviárias no sertão pernambucano

Por Pedro Salviano Filho 
(Coluna Histórias da Região - edição N. 297 de maio/junho de 2017 - Jornal de Arcoverde) 


A construção de estradas rodoviárias em épocas de grandes secas foi estratégia governamental para se tentar aliviar o severo problema.

Apesar das indesejáveis e horríveis adversidades da seca a região sertaneja de Pernambuco, na segunda década do século passado, conseguiu converter o fenômeno em fator de desenvolvimento. Afinal, nesta época, as estradas de rodagem eram praticamente inexistentes na vila Rio Branco, embora ali já fosse fim de linha ferroviária, que assim ainda permaneceu por 21 anos, o mais importante fator desencadeante do crescimento local.

As estradas rodoviárias Rio Branco-Triunfo (inaugurada no fim do ano 1916), Rio Branco-Buíque (inaugurada em 1919)e Rio Branco-Pedra, seculares estradas, são temas deste assunto, onde os registros aqui compilados permitem um novo olhar sobre a nossa história.

Como veremos, Manoel Siqueira Campos, coronel Dudu, foi o construtor da estrada Rio Branco-Triunfo. Arcoverde tem hoje uma rua, a Cel. Siqueira Campos goo.gl/kY9KmW e também bairro goo.gl/xGHGzR com mesmo nome. Seria homenagem ao construtor da estrada Rio Branco-Triunfo?

A seguir confira os registros das ações que levaram ao desenvolvimento das estradas na região.

(Para ver muito mais histórias da região veja os links no final deste artigo)

1849–Livro de Atas das sessões da Câmara Municipal de Cimbres de 1840 a 1854. Coleção Documentos Históricos Municipais n.10, Recife, 2016, página 172:
«Ata da 3ª  sessão ordinária de 12 de julho de 1849 [...]. Um requerimento do juiz de paz da povoação do Olho d´Água, deste Termo, requerendo a fatura de uma estrada da povoação acima declarada para esta vila, e entrando em discussão foi deferido pelo cômodo trânsito público [...].»
Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. 1982 – Luís Wilson, Recife-PE. Página 62, onde o documento original acima foi assim transcrito:1849 – «Joaquim Severiano de Albuquerque, juiz de paz de Olho d´Água, requer à Câmara de Cimbres a construção de uma estrada fazendo ligação entre a povoação de Olho d´Água e a Vila de Pesqueira, no que foi atendido e tendo sido, sem dúvida, a partir daquela época, que o Caminho das Boiadas (Roteiro do Ipojuca), começa a passar naquela povoação; [...].»

Em 1880 um mapa mostra a situação de Olho d´Água dos Bredos (hoje Arcoverde) e outras localidades: goo.gl/E8jvKM 


No detalhe algumas localidades entre Triunfo e Olho d´Água dos Bredos (segundo topônimo de Arcoverde), onde, em 30 de dezembro de 1916, foi inaugurada a primeira estrada rodoviária.Mapa rodoviário PE atual: goo.gl/NTT5jW .

O AlmanakLaemmert, daquele 1916, apresentou o mapa ferroviário do estado de Pernambuco (detalhe acima): goo.gl/IgiKhk 


1890 -Jornal de Recifegoo.gl/z2HLzK , 4ª  col. «[...]Ainda é tempo do governo mandar fazer os açudes das vilas do Buíque e da Pedra, de Santo Antônio do Tará e do Mundo Novo, e a estrada de Buíque a Garanhuns, para socorrer ao povo, matando-lhe a fome e acabando com a nudez.»
1908 -Dicionário corográfico, histórico e estatístico de Pernambuco, de Sebastião de Vasconcelos Galvão, Rio de Janeiro, 1908, pág. 406 (vol.1), goo.gl/4CrWtS:«Olho d´Água dos Bredos. Povoação.  Situada no município de Cimbres ao poente da cidade de Pesqueira e desta distante 55 quilômetros, fica encravada entre a serra da Aldeia Velha e um serrote de pedras, um tanto alto; está em terreno plano e arenoso a mesma povoação, junto da qual pelo lado do sul corre o riacho do Mel, sempre seco durante o verão, e onde, nessa época, abrem cacimbas. Consta o povoado de umas 40 casas, dispostas em duas ruas, contando cerca de 300 habitantes, e possui uma boa capela, fundada por Leonardo Pacheco do Couto, sob a invocação de N.S. do Livramento. Daí à vila da Pedra medem 30 quilômetros. Por essa povoação é a melhor estrada que há no município para o interior do Estado, visto como não se tem de subir a serra do Ororubá. Na época própria é admirável o movimento de boiadas e cavalarias, que por ai fazem o trânsito[...].»

10-09-1912O Paiz (RJ), goo.gl/ZRfQic, 6ª coluna: «[...] Ao mesmo tempo, a divisão procede aos estudos, que aguardam próximo termo, da estrada pública entre Rio Branco e Buíque, em uma extensão de cerca de 40 quilômetros».

10-05-1914 -Jornal do Recife, goo.gl/DLkctz, 2ª  col.«[…]Obras contra as secas.[...] No correr do ano de 1913 […] estão concluídos os estudos de estradas carroçáveis: […] em Pernambuco, de Rio Branco a Buique, com 33 quilômetros […].»

29-02-1916 - O Paiz (RJ), goo.gl/SZW7f2, 3ª col.: «Pelo Ministério da Viação foi solicitada do da Fazenda a distribuição do crédito de 20:000$ à delegacia fiscal em Pernambuco, por conta do crédito aberto pelo decreto n. 11.641, de 15 de julho de 1915. A referida quantia será entregue em quatro partes, como adiantamento, ao encarregado das obras da estrada de Rio Branco a Triunfo, sr. Manoel Siqueira Campos. »
No livro Um sertanejo e o Sertão, Ulisses Lins, Rio de Janeiro, 1976, pág. 116: «Logo que regressei  a Alagoa de Baixo, segui para Triunfo, e vi que muita gente trabalhava na serra, rasgando-lhe as encostas, sendo informado de que se construía uma estrada de rodagem. Achei graça, pois não podia admitir que os carrinhos Ford – pioneiros no interior – tivessem peito para escalar as ladeiras valentes da serra da Baixa Verde. Fora Manoel de Siqueira Campos (Dudu), grande comerciante ali, espírito arrojado e empreendedor, quem tomara a iniciativa daquela tarefa de Hércules. Providencialmente, centenas de sertanejos famintos – estava no auge a tremenda seca de 1915 – ali estavam matando a fome, com os parcos salários recebidos. O dr. Manoel Borba havia acertado com Siqueira Campos a construção da estrada, aproveitando a época do flagelo climático, a fim de evitar maior êxodo dos sertanejos, e prometera ir a Triunfo, logo que a estrada estivesse terminada, O que fez , efetivamente.»

1915 - Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas.), Luís Wilson, Recife, 1982, pág. 83.«O governo do Estado ou o Governo Federal, para auxiliar os flagelados da “Grande Seca” daquele ano, manda construir a Estrada de Rodagem de Rio Branco a Buíque. Manuel de Siqueira Campos manda construir também a Estrada de Triunfo a Rio Branco, com a mesma finalidade, comparecendo a inauguração desta última, entre outros, o dr. Manuel Borba, governador do Estado, tendo sido recebido em Alagoa de Baixo (Sertânia), pelo dr. Ulisses Lins de Albuquerque e, em Custódia, pelo cel. José Estrela de Sousa, Esperidião Mariano de Sá (pai do deputado José Gomes de Sá), Quinca de Sá, José Cassiano Pereira e outros amigos. Os automóveis em que viajaram a Triunfo o Dr. Manuel Borba, governador do Estado, e sua comitiva (um dos quais do Cel. Delmiro Gouveia e outro do Dr. Romeu Pessoa de Queiroz), vieram até Rio Branco em um carro de nossa antiga Great Western. Aqueles foram, talvez, os primeiros automóveis a passarem em Rio Branco, que em 1922, já possuía sua agência “Ford”e, entre outros carros particulares, um “Studbaker” do cel. Félix de França (Brejo de São José, em Buíque), para nove pessoas, um “Overland”, de Nebrídio Granja e outro carro do cel. Arcelino de Brito. Entre os anos de 1922 e 1924 a “praça” de Rio Branco possuía seis ou sete automóveis.»


Nesta foto aparecem 7 veículos para desembarque na estação ferroviária Barão do Rio Branco. Segundo o sr. Augusto Geraldini, do Clube do Fordinho - Brasil, “os veículos apresentados na foto são da marca Ford, modelos T do ano de 1923, pois parecem ser carros novos, seguindo para alguma revenda Ford. As duas janelinhas traseiras retangulares, são típicas deste modelo do ano de 1923.”

15-06-1915-Jornal do Recife, goo.gl/X53Rq7 , 3ª  col.«Entre as obras a serem executadas para auxílio dos famintos, […] estrada de rodagem de Rio Branco a Buique.[...]»

18-02-1916 - Diario de Pernambuco, goo.gl/Px7IUJ , 5ª  col.«Estrada de Rio Branco a Buique. Para Rio Branco, aonde vão escolher local para a instalação do escritório da Inspetoria de Obras contra a Seca, seguem hoje os engenheiros drs. Lincol e Almeida, chefe da comissão de estudos da estrada carroçável de Rio Branco a Buique, Joaquim Olyntho Bastos, secretário, o dr. Graciliano Martins, engenheiro da fiscalização federal das Estradas.Vão em automóvel especial da Great Western. Partirão da Central às 7 horas devendo regressar no próximo sábado. Segundo nos informam, na semana próxima seguirá para Rio Branco toda a comissão.»

25-02-1916 – Diario de Pernambuco, goo.gl/x8jnF7 ,5ª col. «De Rio Branco a Triunfo. Escrevem-nos: A estrada de rodagem para automóveis, que se iniciou em Triunfo, sob a ação benéfica e patriótica de Siqueira Campos, é uma obra que merece de modo especial a atenção do exmo. sr. dr. Manoel Borba, ilustre governador, que com brilho e critério vai, como ótimo timoneiro, levando os destinos do estado. Para essa estrada de rodagem, que está sendo no momento atual a salvação de um milhar de famintos sertanejos, chamamos o olhar do eleito do benemérito chefe do Estado que, estamos certos, tomará máximo interesse para que os nossos irmãos do interior gozem também um pouquinho do influxo redentor da civilização, que apagará as manchas desse sol nebuloso da politicagem. No dia emque s. excia tiver realizado essa obra grandiosa, que é a estrada de Rio Branco a Triunfo, o celeiro do sertão pernambucano, terá no coração de cada sertanejo agradecido um altar de reconhecimento. [...]..»

21-11-1916- Diario de Pernambuco, goo.gl/5bIWWF, 3ª col. «[...]Desperta legítimo entusiasmo a maneira por que vem agindo o coronel Siqueira Campos no interesse do engrandecimento material do interior do nosso Estado.O espantoso desenvolvimento que tem conseguido dar ao comércio numa extensa zona dos nossos sertões: a linha de automóveis. - Rio Branco a Triunfo-, em construção, de sua iniciativa, embora contando com o auxílio dos poderes públicos da União e do Estado; a construção de casas modernas e confortáveis, na cidade de Triunfo; o calçamento da cidade do Crato, no Ceará, no qual despendeu de seu bolso particular cerca de 14 contos de réis; são fatos que positivamente revelam sua inconteste capacidade de trabalho e o seu espírito unicamente progressista. [...]»

15-12-1916 - Diario de Pernambuco, goo.gl/sdBOID, 7ª col.«Acha-se de viagem para o Pará em companhia de sua exma. família, o dr. Pinto de Castro, que foi um dos engenheiros encarregados da construção da estrada de rodagem de Rio Branco a Buique.

29-12-1916 - A Provincia goo.gl/zOLzli, 7ª col. «A Estrada de rodagem de Rio Branco a Triunfo. Será inaugurada, a 30 do corrente, pelo exmo. sr. dr. Manuel Borba, governador do estado, a estrada de rodagem, recentemente construída, de Rio Branco, ponto terminal da estrada de ferro central, a Triunfo, o maior centro comercial de todo o nosso sertão. S. exc. partiu ontem em trem especial, acompanhado do capitão Martiniano de Barros, dos drs. José Apolinário, José Bezerra e Turiano Campello, do farmacêutico Cícero Diniz, do coronel Siqueira Campos e fotógrafo Horácio Alves, pernoitando sua comitiva em Rio Branco. Hoje, o exmo. dr. Manuel Borba deverá ir, a cavalo, a Buíque, voltando à tarde para Rio Branco. Dai s. exc. seguirá amanhã, em automóvel, para Triunfo, inaugurando a nova estrada. No dia 2 de janeiro, o dr.Manuel Borba e aqueles que o acompanham deverão chegar a esta capital.»

30-12-1916 - Diário de Pernambuco. goo.gl/HFxqW9, 4ª  col.« A excursão do governador a Triunfo. Notas de um repórter. Dia 28 de dezembro. São 5 horas e trinta minutos. O Recife desperta. Há na estação central algumas pessoas de distinção. Chega num automóvel o dr. Manoel Borba, governador do Estado, em companhia de amigos.
Um trem prestes a partir. Mais cinco minutos. Abraços de despedida. A locomotiva apita dando sinal de partida. Entra no carro o governador: imitam-no os companheiros. O comboio larga e faz marcha de expresso.
Viagem mais ou menos agradável, especialmente nas primeiras horas, antes do sol aquecer. Houve ligeira chuva durante a noite. Pouco pó até Gravatá.
Dai por diante, muito sol, muito calor e muita poeira.
Até 13 horas, pouco mais ou menos, o trem para por alguns minutos em Pesqueira. Tinha demorado também n’algumas estações anteriores, enquanto a locomotiva se supria de água.
Em Pesqueira está um grupo de amigos do governo. Dão vivas à chegada do trem. Há umlunch preparado para os excursionistas. Sentam-se todos ao redor da pequena mesa. Inúmeras iguarias. Ninguém passa das saborosas uvas Moscatel de produção do município. Deliciosas e superiores às importadas do estrangeiro.
O trem prossegue galgando serras. Plena vegetação sertaneja de ambos os lados do leito da estrada. Aqui e ali, uma linha paralela de árvores frondosas, verdes, em contraste com o resto dos campos, tristemente crestados. É o indício dalgum riacho que se torna caudaloso no inverno mas no verão apresenta apenas alva esteira de areia.
Pouco antes de 15 horas o trem se aproxima de Rio Branco. Ouvem-se foguetes.
Há sinais evidentes de alegria, nas ruas embandeiradas.
Os excursionistas chegam enfim ao ponto terminal da estrada de ferro e hospedam-se na residência do coronel Joaquim Rodrigues da Silva, abastado negociante.
O comboio que os trouxe conduziu também três automóveis em que há de ser feita a travessia para Triunfo. Parte da população se acotovela para ver de perto o desconhecido meio de transporte.
Depois de ligeiro descanso, procede-se a uma inspeção dos automóveis. O governador aproveita o ensejo para visitar os trabalhos da nova estrada de rodagem que ligará Rio Branco a Buíque, distante 28 quilômetros.
Os autos percorrem a cidade em ligeiro passeio e penetram estrada nova, que o governo federal mandou construir pelo engenheiro Lincoln de Almeida.
Há 15 quilômetros construídos, faltando ainda todas as obras de arte. Já foram gastos nesse serviço 240 contos, inclusive o material para aquelas obras, que já está adquirido.
O que está feito é bom. O automóvel desliza sobre a estrada, como se o fizesse num trecho asfaltado.
Nos trabalhos da nova via de comunicação estão empregados cerca de cem homens, dirigidos por três engenheiros, inclusive o chefe. A obra teve início a 24 de maio do ano corrente e só em igual data do ano vindouro estará concluída e não for suspenso o crédito distribuído.
Dizem habitantes locais, em sua ironia, que o serviço estaria mais adiantado se não fosse a grande quantidade de engenheiros!…
Ao anoitecer, começou o tempo a fechar-se. Nuvens carregadas. Relâmpagos constantes. Ribombar de trovões.
Uma tempestade no sertão, recebida sempre com alvissaras, é coisa tenebrosa.
O horizonte parece constantemente iluminado pelas faíscas elétricas que cruzam o espaço e o estrondo pelo choque das nuvens dá ideia de forte bombardeio. Pouca chuva, em grossas bateras.»

31-12-1916 - Diario de Pernambuco, goo.gl/GQZ5PC, 5ª col. «Excursão do governador a Triunfo. Telegrama do nosso correspondentes especial:˜Custodia, 30. - O governador do Estado e sua comitiva aqui chagaram hoje ao meio dia, ficando assim inaugurados 120 quilômetros da estrada de rodagem Rio Branco-Triunfo.
Prosseguirão hoje mesmo na viagem, devendo pernoitar em Flores.»

04-01-1917 – Diario de Pernambuco, goo.gl/FXxYg1, 3ª col.«A Excursão do governador a Triunfo. O regresso. As impressões de sua excia.
De regresso de sua excursão a Triunfo, onde fora inaugurar a estrada carroçável recentemente construída entre Rio Branco, ponto terminal da estrada central e aquela importante cidade sertaneja, chegou ontem ao Recife o sr. dr. Manuel Borba, governador do Estado, em companhia das pessoas que até ali o acompanharam.
Daqui haviam partido no dia 28, em trem especial até Rio Branco. No dia 29, conforme noticiamos telegraficamente, s. exe. dirigiu-se a Buíque, tendo feito à cavalo o trecho do percurso ainda não servido pela estrada federal em construção. Acompanharam-no até ali e no regresso, que se fez no mesmo dia, 153 cavalheiros, proprietários e fazendeiros residentes naquela zona.
A 30 partiram de Rio Branco, em automóvel, s. exe. e a comitiva, pela nova estrada, com estações em Custódia, a 82 quilômetros, a Flores, a 134 quilômetros. Ai pernoitaram. No dia imediato partiram para Triunfo, galgando a serra da Baixa Verde, num percurso de 24 quilômetros.
S. exe. recebido festivamente em toda a travessia, demorou-se dois dias em Triunfo, onde a população lhe demonstrou o seu regozijo pela atenção dispensada à zona sertaneja com o fato de sua presença ali. A coincidência da primeira visita dum chefe de Estado, com os tradicionais festejos de Ano Bom, levaram a lendária cidade sertaneja  milhares de forasteiros  de toda a circunvizinhança.
Dali o sr. governador do Estado transmitiu pelo telégrafo os seus votos de bons anos aos auxiliares de seu governo e à imprensa pernambucana, bem como ao sr. presidente da República e ministro de Estado. Esses despachos foram aqui publicados no dia 1º.
No dia 2 após a visita aos estabelecimentos públicos municipais e à escola estadual, s. exe. e seus companheiros de excursão partiram de regresso, chegando a Rio Branco, as 21 horas.
As 22 1/2 horas (10 1/2 da noite) partiu de Rio Branco o trem especial que aqui chegou às 7 horas da manhã.
Na estação central foi sua exe. cumprimentado, apesar da hora matinal, pelas principais autoridades federais e estaduais, funcionários, comerciantes e numerosas pessoas gradas de todas as classes.
Mais tarde um dos nossos companheiros teve ensejo de ouvir do dr. Manoel Borba algumas das suas impressões a respeito da excursão que acabara de realizar:
A estrada que acabamos de inaugurar - disse s. exe. - representa um trabalho notável à vista dos limitados recursos com que foi realizada.
Obra de iniciativa particular, devida antes de tudo, a tenacidade do coronel Siqueira Campos, atual prefeito de Triunfo, teve apenas o auxílio de 35 contos dos ministérios da viação e agricultura, cerca de 15 contos do comércio de Recife. O mais é devido ao coronel Siqueira Campos.
As obras d’arte, na travessia dos rios e riachos, bem como alguns retoques e aperfeiçoamentos na construção, ficam a cargo do Estado.
Que a estrada é francamente carroçável, prova-o a recente excursão, feita em automóveis desde Rio Branco até o interior da cidade de Triunfo. D’antes os almocreves viam-se obrigados, em certos pontos da travessia, a desatrelar os animais e transportar a carga aos ombros, volume por volume.
Isso revela o valor do trabalho agora realizado.”
S. exe. referiu em seguida a boa impressão que lhe causou a cidade de Triunfo e a fertilidade dos terrenos em toda a circunvizinhança. Fez notar a distinção e boa ordem ali reinantes,  durante as festas de Ano Bom, sem que houvesse notícia do mais leve distúrbio, apesar de enorme afluência de gente dos arredores.
Citou a propósito o que, no início do seu governo, lhe dissera um distinto cidadão triunfense:
“De v. exe, ordem e paz a Triunfo que ali terá a terra mais tranquila e próspera do Estado.”
E no tocante à fertilidade do terreno, falou das diversas culturas da serra da Baixa Verde; café, frutas, fumo, cereais etc, mencionando também a subdivisão dos terrenos do município em pequenas propriedades, com grande vantagem para a variedade e intensidade das pequenas lavouras.
Referiu-se à instrução pública: “A instrução é deficiente. Visitei o edifício da escola estadual e achei-o em más condições de asseio e conservação e sem mobiliário - como o de Flores e a de Buíque. Mandei que o diretor das obras públicas procedesse a um exame para orçar as despesas a fazer e vou providenciar sobre os reparos necessários.”
S. exe. teve em seguida palavras muito amáveis para hospitalidade de que lhe proporcionaram os habitantes de Triunfo e demais lugares que visitou.
A respeito de Flores:
Tive também boa impressão da cidade. Vê-se que há um sopro de vida nova, depois de algum tempo de decadência. Há novas edificações ao lado das velhas casas construídas no tempo em que Flores era sede judiciária do alto sertão.
Estão todos os habitantes muito satisfeitos com a nova estrada que muito vai beneficiar. O que bem me impressionou ali foi a harmonia dos homens públicos. Dir-se-ia que só existe um partido político. Quando se trata do município, estão todos de acordo. Basta dizer que o presidente do conselho, por eleição unanime, é o chefe oposicionista. Visitei a cadeia que é a maior e a melhor do interior do Estado. É o lugar destinado ao cumprimento de penas de condenados dos municípios circunvizinhos. Encontrei lá, agora 24 homens sadios. Penso mandar aproveitar estes presos no serviço de conservação da estrada agora inaugurada e na construção de uma outra que se projeta dali para Princesa, distante 30 quilômetros. Para isso, o governo tomará as necessárias providências.
Com relação a Buíque:
Tive igualmente boa impressão de Buíque. Agradou-me bastante ver reunidas as crianças das escolas públicas, embora em época de férias. Nota-se que há um certo cuidado na instrução. Os alunos de ambos os sexos estavam uniformizados, cantaram o hino nacional e já estão ensaiando a educação física.
Não encontrei nenhum preso na cadeia. Há meses não há distúrbios nem crimes, o que denota a boa índole do povo.
“Em Custódia não encontrei escola estadual. Vou providenciar quanto esta falta.
Com a inauguração da nova estrada de rodagem, a cidade de Triunfo ficará há poucas horas do Recife: sete por estrada de ferro até Rio Branco e seis de automóvel em marcha regular de 25 quilômetros por hora.
Trata-se, como vê, d’uma considerável vantagem conseguida com um pouco de esforço e boa vontade.”
Concluindo, disse s. exe.:
Não pouparesforços, no sentido de facilitar, quanto possível, o desenvolvimento das estradas através do interior de nossa terra, e escolas que facilitem ao bom povo sertanejo o conforto material e espiritual de que tanto carece.
“É este o meu dever.»


23-03-1917–Jornal Pequeno, goo.gl/0JQf1M, 1ª col. «O governo federal fez entrega ao governo deste Estado de todo o material destinado à construção de uma estrada de rodagem de Rio Branco a Buíque.Os trabalhos dessa estrada, que foram começados pelo governo da União e suspensos à falta de verba, vão agora ser concluídos pelo governo do Estado.»
08-07-1917 - A Noite (RJ),  goo.gl/5lWXld , 6ª col.: «As estradas de rodagem de Pernambuco. Alagoa de Baixo (Pernambuco), 8 (Serviço especial da A Noite) - A expensas da municipalidade e com auxílio de alguns comerciantes e criadores deste município, começaram, ontem, os trabalhos da estrada de rodagem desta cidade à povoação de Algodões a encontrar também a estrada Rio Branco a Triunfo. Reina por isso regozijo em toda a população deste município. A estrada em construção será inaugurada pelo dr. Manoel Borba, governador do Estado, que virá de Recife até aqui em automóvel.»

1917 - goo.gl/xmYn35, página 6 (=5/50): «Relatório dos presidentes dos estados brasileiros. Estradas e caminhos carroçáveis. Também auxiliou o estado na construção do caminho carroçável de Rio Branco a Flores e Triunfo, já mandando para ali pessoal a fim de auxiliar os serviços, já se interessando perante o governo da união para a concessão de um auxílio monetário. Este caminho que ficou concluído em fins de dezembro último tem o desenvolvimento de 160 quilômetros. De Rio Branco a Custódia: 83 km [...]». Mais: goo.gl/zRwdXf

07-03-1918 – Diario de Pernambuco, goo.gl/bGE69z, 2ª col. «[...] Tendo o governo federal interrompido a construção da estrada de rodagem entre Rio Branco e Buíque, foram por solicitação minha cedidos no Estado, a título precário, todos os materiais e aparelhos existentes no local das obras, assumindo o governo de Pernambuco o compromisso de levar a termo a referida construção.»

01-04-1918– Diario de Pernambuco, goo.gl/1l0ois, 5ª col.«[...] subvenção concedida pelo governo do Estado [...] despesas com a estrada de rodagem de Rio Branco a Buíque
12-07-1918 –Diário de Pernambuco, goo.gl/CtfRe9, 6ª  col.«Ponte do Salobro e outras pequenas obras d´arte na estrada de Rio Branco a Buíque [...].»
18-09-1919 - A Provincia, goo.gl/hkXh24, 7ª col.: «Os jornais dizem que se inaugurou ontem mais uma estrada, a de Rio Branco a Buíque, estrada para a qual concorreu muito o governo federal [...].»

23-09-1919 – A Provincia, goo.gl/JaKG2D, 2ª col.: «Estrada para Buíque. “[...] Porque efetivamente, construir 28 longos quilômetros de estrada de rodagem em QUATRO anos já se chama trabalhar. Pois bem, depois de quatro anos de serviços já se pode ir de automóvel a Buíque! Projetaram-se e levaram-se a efeito grandes festas para o ato de inauguração. Na véspera foi um sábado, à noite eu presenciei o começo dos festejos nesta pacata vila de Rio Branco, ex-Olho d´Água dos Bredos [...]».

1919 - goo.gl/6zeKL2, pág.16 (=15/98): “Relatório dos presidentes dos estados brasileiros. [...] 4º Centro - Rio Branco. Foi nesse centro de estradas e caminhos carroçáveis onde mais intensa se faz sentir a ação do governo no que concerne a essas vias de comunicação, pois é nele que tem origem as estradas e caminhos de penetração na zona sertaneja do estado [...] Estrada de Rio Branco a Buíque - Essa estrada foi projetada e iniciada pelo governo federal mas, tendo-se esgotado o crédito destinado à sua construção, foi esta interrompida em começos de 1917 quando já se achavam prontos cerca de seis quilômetros, faltando apenas as obras de arte [... ] Rio Branco a Triunfo[...].”

07-10-1923 - A Provincia – 1ª  col. goo.gl/g8Jt2r, «[…] Por falar em estradas de rodagem veio-nos à memória que o único município, talvez, de Pernambuco que não tem estradas é o município de Pedra. E o município de Pedra fica apenas a cerca de 20 quilômetros de Rio Branco, sem uma serra a cortar, sem pedras e sem outros empecilhos além de meia dúzia de córregos sem importância. Não vamos exigir que se construa uma estrada de rodagem de Rio Branco a Pedra não, porém, exigir que se faça uma estrada carroçável que possa ser transitada por automóveis e caminhões com pequenos bueiros nos córregos, mesmo sem grandes serviços porque esses são desnecessários - umas pontinhas de madeira sobre bases de madeira mesmo ou tijolo - eis tudo. Com quinze a vinte contos se teria de Rio Branco a Pedra uma estrada invejável, dependendo apenas de pessoas competentes, (particulares, porque as do governo não gostam de trabalhar) e Pedra progrediria fatalmente. [,,,].»

20-12-1924 - Diario de Pernambuco, goo.gl/V3Rncr , 5ª col. «Obteve parecer favorável do Departamento de viação o pedido de um auxílio de 10 contos para as obras da estrada de Rio Branco a Pedra.»

01-01-1925 – Jornal do Recife, goo.gl/VHvDiJ, 4ª col. «Estradas sem roteiro. [...] E quem quer que se aventure, por necessidade ou desafio, pervagar os sertões, em Pernambuco, a partir dos limites onde termina a estrada de ferro, para logo uma angústia mortal o assedia, ao defrontar o maltrato dos caminhos, ressentindo-se de indicações das rotas, quer vicinais quer longitudinais, censura a que não escapa a má orientação administrativa em demandar melhoramentos de efeitos aleatórios que por natureza exigem provas de acuidade menos deplorável. Onde se viu construir 36 quilômetros de estradas de rodagem com um orçamento, a título de verba suficiente, de quinze contos de réis? A estrada Rio Branco a Pedra de Buíque vai apenas custar 15 contos!»

1927 - Almanak Adm., Merc. e Ind. RJ, goo.gl/wq8e80, pág. 1012, vol.III. 3ª col. «Estado de Pernambuco - municípios Barão do Rio Branco. Vila e sede do 7º distrito do município de Pesqueira, ponto final da estrada de ferro da Great Western ofBrazil Railway Co. da linha partindo do Recife da estação de Cinco Pontas. Tem 3 estradas de rodagem, sendo para Buíque, Triunfo e Pedra. Possui 900 casas e tem 4.500 habitantes. »

20-06-1931 - Diario de Pernambuco, goo.gl/C4HPD1 3a col.«Problemas sertanejos. Mário Melo [...] as estradas do Rio Branco são regulares. Mas o percurso pelo território da Alagoa de Baixo é horrível. Faz quinze anos acompanhei o governador Manoel Borba na inauguração da rodovia Rio Branco-Triunfo. Tem-se a impressão - e creio que é mais do que impressão porque a própria verdade - de que nunca mais houvera uma enxada a beneficiar aquilo. Horrível, no território da Alagoa de Baixo. Subitamente a estrada melhora. É o início do território de Custódia. O prefeito de Custódia, como o do Rio Branco, teve a boa orientação de melhorar a sua estrada, de um extremo ao outro do município. [...].»

29-01-1946 – Diário Oficialbit.ly/1OWVN8t 2ªcol.: «Relatório N. 3 – Estrada Arcoverde-Pedra - Encontramos na cidade de Arcoverde o condutor técnico Manoel Bolitreau, encarregado dos serviços de engenharia da 5ª Residência, com o qual íamos percorrer as obras em andamento, de uma estrada que se destina a estabelecer a ligação de Arcoverde-Pedra e daí a Garanhuns com passagem pela vila de Venturosa (antiga Boa Sorte). Encontra-se em construção o primeiro trecho até a Pedra. A obra vem sendo por demais demorada e resta muito ainda a realizar em movimento de terra, acabamento e muitas obras d´arte. O maior defeito que encontrei porém, é a falta da mais elementar noção de ética profissional do empreiteiro José Vitor dos Santos. Entre outras faltas fez ele a tentativa de burlar a medição de obras, incluindo no cálculo, grande parte já medida anteriormente e paga. Descoberta a tentativa de dolo, teve a ousadia de escrever ao chefe da residência oferecendo compensação para que o mesmo acobertasse a bandalheira. O funcionário lealmente prestou informações por escrito em processo que foi encaminhado à Secretaria de Viação. Vou despachar mandando cancelar a "ordem de serviço" do empreiteiro improbo. Além desse detalhe grave, o seu trabalho é mal conduzido. Trata-se do mesmo indivíduo que havendo recebido a soma de 10 mil cruzeiros para a limpeza de um pequeno açude da cidade de Pedra, não apresenta serviços que justifiquem o dispêndio daquela soma. Deixou de realizar a parte principal que seria uma elevação do sangradouro, sob o fundamento de já ter haver dispendido a importância recebida. Trata-se de serviço que escapava a qualquer fiscalização, e agora tudo que resta é uma prestação de contas sem valor, partindo de gente sem a necessária responsabilidade.»

21-06-1947 – Diário Oficial, bit.ly/1Idr6HC, 2ªcol.: «Requerimento N. 184 - Requeremos, por intermédio da Mesa, ouvida esta Assembleia, seja encaminhada ao Governo do Estado a sugestão que ora formulamos, no sentido de que o competente órgão administrativo atenda à conveniência da alteração do traçado constante do projeto de construção da rodovia Arcoverde-Garanhuns de modo a serem no mesmo contempladas as vilas de Salobro e Capoeiras, respectivamente dos municípios de Pesqueira e São Bento do Una. Justificação: O Governo do Estado está levando a efeito a construção de uma rodovia destinada a ligar o município de Arcoverde ao de Garanhuns. O traçado constante do projeto da mencionada estrada é o seguinte: Arcoverde, Pedra, Venturosa, Caetés e Garanhuns. Ocioso torna-se salientar a importância sob os aspectos econômico e comercial, de que se reveste a execução da referida obra para uma vasta, populosa e produtiva zona do nosso território. Com ela se terá facilitado um intenso e avultado intercâmbio dos mais variados produtos[...].»

1961 - O Município de Arcoverde, Teófanes Chaves Ribeiro, Arcoverde, pág.14: «Departamento das Secas - O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, 3º Distrito, sediado nesta cidade, muito tem contribuído para o progresso do município. Foi, em junho do ano de 1932, no rigor da seca que assolava o Nordeste, que o governo tomou a seu cargo amparar a região pernambucana atingida por esta situação climatérica, criando em Arcoverde, então Rio Branco, um serviço subordinado à Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas. Inicialmente os trabalhos foram dirigidos pelo engenheiro Francisco de Paula Pereira de Miranda. Em seguida, isto é, em julho daquele mesmo ano foi transmitido o cargo ao engenheiro Francisco Saboia de Albuquerque. Posteriormente, a sede desses serviços passou a denominar-se Comissão de Estudos e Obras nos Estados de Pernambuco e Alagoas, e foi fixada em Arcoverde graças ao empenho do governo revolucionário do município, junto ao então ministro José Américo de Almeida.
Foram grandes as perspectivas abertas com este acontecimento aos destinos de Arcoverde.
Os trabalhos desenvolvidos pela Inspetoria, que em construção de estradas de rodagem, que em perfuração e instalação de açudes públicos e particulares, têm constituído uma fonte de realizações de inestimável valor para o município, bem como para outras zonas castigadas pelo rigor das longas estiagens.
Os seus primeiros anos foram marcados por trabalhos intensos, muitos dos quais tiveram como estaca inicial Arcoverde; pois daqui partiram as construções das estradas de rodagem: Arcoverde-Mimoso-Caruaru, Arcoverde-Pedra, Arcoverde-Algodões-Custódia-Serra Talhada-Salgueiro-Parnamirim. E assim esses trabalhos iam-se distanciando em procura das metas a serem atingidas, previamente estabelecidas no plano rodoviário, na zona delimitada pelo polígono das secas.
Após 17 anos de constantes realizações, essa repartição conseguiu levar as cidades mais longínquas do interior do Estado de Pernambuco a sua linha tronco, contribuindo para aumentar consideravelmente o intercâmbio comercial entre o Sertão e a Capital, sendo Arcoverde o ponto de comunicação por excelência entre as duas zonas.»




Coronel Siqueira Campos, em foto do Jornal do Recife, de 11-11-1915. goo.gl/GWnDhk. O coronel Manuel Siqueira Campos é entrevistado pelo Jornal de Recife. Ele faleceu em 30-07-1928, Jornal Pequeno. 4ª col.goo.gl/UvIrIk

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