segunda-feira, 27 de março de 2017

SANBRA de Arcoverde, hoje CECORA

Por Pedro Salviano Filho 
(Coluna Histórias da Região - edição N. 296 de março/abril de 2017 - Jornal de Arcoverde) 

Sanbra, inaugurada em 1919. Desde 1986 Cecora: goo.gl/maps/pU8Na). Foto do acervo O. e C. Neves, por cortesia do Sr. Carlos Carvalho (Recife). 

A cultura do algodão no sertão pernambucano induziu a industrialização do próspero distrito pesqueirense. Em 1919 foi inaugurada em Rio Branco (depois Arcoverde) a Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro - Sanbra. Muitas gerações participaram das atividades dessa importante firma no progresso do município, registrado por vários historiadores. Até um famoso incêndio, ocorrido em 1925 (há 92 anos), tem seu resgate detalhado a partir de um jornal da época. Em 1983 a SANBRA é adquirida pelo município e suas edificações são adaptadas para comportar o Centro Comercial Regional de Arcoverde, Cecora, inaugurado em 1986.


A economia algodoeira em Pernambuco. Da colônia à Independência. https://goo.gl/bPZXjE José Ribeiro Junior. R. bras. Hist., São Paulo, set.1981
Página 235: «[...]O algodão em Pernambuco entre a década de 1760 e a de 1820, período no qual procuramos estudar a cultura algodoeira desde a sua introdução até o momento em que a planta atinge níveis de produção comerciáveis, integrando o agreste e o sertão na economia de mercado. Planta essencialmente tropical, o algodão era conhecido no Brasil pelos indígenas desde o primitivo século da colonização[...].Página 237: O surto do algodão em Pernambuco, como em todo o nordeste, localizou-se nas regiões semiáridas e subúmidas.[...]. Pág. 238: [...]Em 1816, o maior proprietário de que se tem notícia, na lavoura do algodão em Pernambuco, era Antônio do Santos Coelho (capitão-mor) instalado nas terras de Cimbres, solo de excelentes qualidades. Ele possuía 600 a 700 escravos e, segundo se pode concluir, dominava a produção algodoeira na região. Seus genros tinham 315 escravos. Constavam, inclusive, queixas contra eles de usurparem terras dos índios e a outros proprietários.»

Carregador de algodão. Viagens ao nordeste do Brasil. Henry Koster. Página 206 

Viagens ao nordeste do Brasil. Henry Koster. Cap.XVII.  2ª edição, Recife-PE, 1978, página 353.
1809 - «Agricultura. Algodão. Essa valiosíssima planta não se tornou menos preciosa para Pernambuco que a cana-de-açúcar, devido aos grandes pedidos de algodão desta província para as vizinhas e para os mercados britânicos. Novas fundações para o plantio de algodão são criadas anualmente, não obstante as dificuldades que surgem para a realização desse objetivo. Os distritos escolhidos com esse propósito são geralmente no interior, como melhores indicativos para o crescimento, e distantes das praias do mar, áridos, e algumas vezes escassamente supridos de água fresca. Há mesmo falta absoluta d'água, em várias ocasiões, ao mesmo tempo em que regiões próximas estão perfeitamente supridas nesse particular. A opinião geral é que o algodão não nasce nas terras próximas ao litoral e que as frequentes mudanças atmosféricas lhe são prejudiciais. As estações do inverno e do estio são mais regularmente marcadas a certa distância do mar, e nessas regiões as variações sucessivas dependem menos da superabundância das chuvas do que de sua escassez. O algodoeiro requer que o tempo esteja seco durante uma boa parte do ano. Se as chuvas caem quando o capucho está aberto, a lã está perdida, tornada amarela, diminuindo e ficando completamente inútil para o uso. O solo preferido para sua semente é o de barro vermelho escuro, ocasionalmente veiado de amarelo, vezes extremamente duro nos longos intervalos sem chuva. Os algodoais anualmente mais e mais se alongam para o interior, sobretudo nos planos do Sertão que permitem esse avanço. As plantações dessa espécie que estavam antigamente próximas da costa, são hoje utilizadas noutros gêneros de sementes. A constante exigência de novas terras requerida pela cultura do algodão, porque se julga necessário deixar a terra em repouso por vários anos antes de trabalhá-la novamente, pode, de alguma forma, explicar esse fato. Pode ser, igualmente, que o desenvolvimento rápido das populações ao longo do litoral possa ter determinado esse efeito, forçando a saída daqueles que cultivam um objeto de comércio, para dar lugar aos outros que cultivam os elementos necessários aos habitantes locais. O algodão é somente vendido em caroço pelo plantador, isto é, antes de ser separado da semente, e muitas pessoas encontraram meios de subsistência preparando-o para os mercados de exportação, mas como o labor e a conveniência aumentam nessa situação, os negociantes se instalam perto dos algodoais. Vão recuando na mesma proporção. Alguns anos antes via-se, a duas léguas do Recife, numerosas máquinas de descaroçar o algodão. Há poucos anos foram mudadas para Goiana e atualmente os principais pontos desse mercado são Limoeiro e Bom Jardim, lugares, como já descrevi, com muitas léguas de distância da costa. 
As terras são limpas para plantar algodão na maneira ordinária, cortando-se as árvores e queimando-as, e os buracos para semear são cavados em forma quadricular, numa distância de seis pés, uns dos outros, e são postos, comumente, seis sementes em cada escavação. Nas colônias britânicas é necessário semear de oito a dez caroços. O tempo para plantar é em janeiro, depois das primeiras águas, ou início do ano, logo após as chuvas caírem. O milho é comumente plantado entre os algodoeiros. Três, e algumas vezes quatro safras são obtidas com as mesmas plantas, mas a segunda colheita é a que dá, geralmente, os melhores tipos.
O arbusto é de bonita aparência, especialmente quando está coberto de folhas e cheio de lindas flores amarelas, mas os capulhos começam a abrir e a folhagem a secar, e seus finos galhos esparsos ficam despidos, e a planta recorda muito a uma negra muita de groselhas que há longo tempo não se poda. O algodão é colhido em nove ou dez meses,
A maneira para descascar o algodão é simples e podia ser mais simples ainda. Dois pequenos cilindros canulados são postos horizontalmente, um tocando o outro. Cada extremidade desses cilindros, numa ranhura, há uma corda enrolada, ligada a uma grande roda que está distante poucas jardas, onde fixam duas manivelas que são movidas por dois homens. Os cilindros são dispostos a movimentarem-se em sentido contrário, de forma que o algodão é posto em um deles e levado para o outro lado mas as sementes ficam porque a abertura entre os cilindros não é bastante larga para facilitar-lhe a passagem. A máquina usada nas colônias britânicas parece ser de construção maior mas é bem mais simples, porque o cilindro é movido pelo pé da pessoa que maneja o algodão. Depois dessa operação restam ainda algumas partículas das sementes quebradas, assim como outras substâncias, que devem ser retiradas. Para este fim, amontoa-se o algodão e o batem com paus grossos, processo que muito danifica a fibra, rebentando-a, e como o valor da procura para o fabricante depende sobretudo do comprimento da fibra, tudo devia ser feito para que esse processo fosse substituído.
As sementes aderem “firmemente umas às outras no espulho”, informa mr. Edwards falando de uma espécie das colônias britânicas, a qual denomina hidney-cotton, dizendo crer que seja “o verdadeiro algodão do Brasil”. O algodão amarelo de nanquim também é encontrado em Pernambuco, mas não constitui um artigo de comércio, mas é olhado como uma curiosidade. Vi igualmente algumas espécies de algodão selvagem mas como não obtive amostras não me é possível pretender dar descrição.
Os lucros alcançados pelos plantadores de algodão, nos anos favoráveis, são enormes mas as perdas experimentadas são frequentes. Ás vezes toda uma safra, de belo aspecto, é totalmente perdida. Certos anos são improdutivos ou n´outros, depois de promessas lisonjeiras, o joio, as lagartas, a chuva ou os estios excessivos, destroem todas as esperanças de uma futura colheita. A outra grande fonte do agricultor, a cana-de-açúcar, não é tão sujeita aos muitos e desastrosos revezes, e quando um ano é desfavorável, o imediato satisfará todas as despesas realizadas. Verifiquei que o mercado é fracamente afetado pelas esperadas quedas das safras, porque é digno de lembrança que, em país assim vasto, um distrito escapa do desastre enquanto os demais se arruínam.
A qualidade do algodão que é produzido na América do Sul, seja ao norte ou ao sul de Pernambuco, é inferior ao desta província. O algodão do Ceará não é tão bom e o do Maranhão é menos ainda. O algodão é comodamente embarcado nos portos desses dois pontos. Seguindo de Pernambuco para o sul, o algodão da Bahia não é bom e a pequena quantidade produzida no Rio de Janeiro é menos próprio que a baiana.
Tratando do açúcar e do algodão, expus as linhas essenciais que diferenciam os produtores das Antilhas dos do Brasil. Os meus leitores que tiverem interesse, envio-os ao citado e bem conhecido livro que consultei (History of the West-Indies, por Edwards).»

1919 - O Município de Arcoverde, 1951, Teófanes Chaves Riveiro, Prima, página 25: «Indústra – Apenas se encontram em Arcoverde, pequenas indústrias: sapatarias, movelarias, fábricas de bebidas, de lacticínios etc. Seu principal estabelecimento fabril, é a Usina de beneficiar algodão, pertencente à Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro S/A (Sanbra), cujas instalações foram montadas pelo engenheiro Francisco de Assis Brandão Cavalcanti e inauguradas no dia 8 de dezembro do ano de 1919. É acionada por dois motores Deutz num total de 265 HP. Nos períodos das saíras mantém duzentos operários, mais ou menos, entre homens e mulheres. Seu movimento de compra de algodão no ano de 1950 atingiu a quantia de Cr$ 31.701.126,80. Sanbra tem em sua gerência, atualmente, o sr. Emanuel Veras.»

14-08-1920 - Jornal do Recife,   goo.gl/C9M4mm  , 1ª col.: A coluna “Pelos municípios” resumia os principais acontecimentos de Rio Branco. Entre eles: «[...] Não regateamos aplausos àqueles industriais pelo melhoramento que acabam de introduzir nesta vila. - Também estão bem adiantados os trabalhos da construção da fábrica de beneficiar algodão, de propriedade da Companhia Algodoeira Nordeste do Brasil. (Do correspondente). Rio Branco, 10-8-920.»

24-09-1925Jornal do Recife, goo.gl/gjvMBg  , 1ª col.: De Manoel Gregório Teixeira da Lapa. Informações diversas de Rio Branco sobre Lampião, Banco do Brasil, incêndios
«Incêndios - À semana passada foi destruída pelo fogo uma carroça carregada de algodão e desgarrada providencialmente do trem que, poucos minutos antes das 15 horas, saíra da estação local; três outras arrojaram-se linha abaixo e foram de encontro a uma barreira sobre a qual montaram, correndo [..] cerca de dez metros ou mais. Foi um espetáculo terrível[..] de carros carregados de algodão despedaçando-se uns contra os outros e quase sepultando nos escombros a "dulçurosa" pessoa de Simão Rocha, o proprietário da afamada goiabada marca TIGRE, bem como dois aleijados boiadeiros que fizeram a esquisita "cavalgada das walkyrias" no carro-brake, implorando misericórdia e cerrando os olhos como para diminuir a dor da morte. Graças a Deus, porém, nem perdemos a boa companhia do Rocha, nem a carne verde subiu de preço, porque os boiadeiros nada sofreram.
Hoje tivemos o desgosto de assistir à destruição por novo incêndio, dos grandes armazéns da usina de Pinto Alves & Cia (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro). Seriam seis horas da manhã quando se notaram as primeiras nuvens de fumo emergentes do teto da usina. Incêndio! diziam uns meio surpresos, enquanto outros contestavam: Expurgo de algodão pelo funcionário que a higiene nos remetem, coberto por um sebaceo bonet do D.S.A.! Afinal, após alguns minutos de indecisão e bons augúrios, a população de Rio Branco foi sacudida pelo brusco acontecimento e, dentro em pouco, estava coalhado de gente de todos os matizes o grande pátio da usina cujas dependências foram tomadas pelo respeito abnegado de todos quantos se empenharam na luta contra o ígneo elemento. Subiam as línguas de fogo contra as quais pouco valiam os esguichos mirrados dos "fire-extinguishers" da usina lamentavelmente desprovida de material de urgência em casos desta natureza: foi quando o povo apelou para as latas d´água para os ganchos de puxar fardos de algodão, para a apanha do ouro branco, para o esvaziamento dos depósitos da usina, para o ataque generalizado e intenso ao fogo cujas labaredas lambiam já o teto e soltavam gargalhadas rubras para a rua, rasgando os lábios graníticos do fortíssimo casarão de cimento armado. Espetáculo tétrico e, no mesmo tempo, empolgante, como todos esses em que o fogo toma parte! Uma desolação geral, um verdadeiro afã em prol da usina que dá trabalho a tantos operários, que tanto impulso empresta ao programa da terra do Jé. E foi verdadeiramente confortável e edificante o desprendimento, a verdadeira abnegação, a bravura quase temeridade com que se arrojaram ao combate empregados e operários da usina, negociantes dos mais importantes da localidade, o próprio molecório da rua recrutado por Boleiro, enfim todos quantos não se deixaram ficar em casa, ou porque sejam preguiçosos, ou porque tenham na alma a eterna desconfiança dos incêndios cujo aspecto os acompanhe, ou porque lhes pareça sempre nada o sofrimento e a dor alheios. Foi um trabalhar sem tréguas em que todas as boas vontades se confundiram e se ajudaram, até que, por cerca de meio-dia, baixava a fúria do sinistro, fora localizado o incêndio, embora com a destruição de quinhentos e muitos fardos e sacas de algodão, todo o stock da usina neste dia. Muito sofreu o algodão em rama quase todo molhado e outra vez ciscada por força da manobra a que o sujeitaram com o fito de livrá-lo das chamas. Distinguiram-se pelo esforço e abnegação no afanoso trabalho contra o fogo o sr. Ignácio Mariz, auxiliar da usina, um possante negro trabalhador da firma Nebrídio, Campos & Cia., os quais se atiravam às chamas desassombradamente, derramando latas d´água e conquistando fardos e sacas de algodão à fúria do inferno desenhado no recinto rubro; e os senhores Ernani Gomes, Cícero Ferreira, Zezé Cavalcanti, Joaquim do "burro", este popular funcionário da Great Western, um moço funcionário da usina Novaes, o coronel A. Velloso, o sr. Jerônimo Jé, o sargento Jayme, o dr. Delphim Araújo que, apesar de doente, tomou encargo de preparar as soluções para os extintores, o sr. João Manso de Barros, um português empregado de Joaquim Soares, o sr. Manoel Fernandes, um viajante de Garanhuns o qual muito trabalhou, o sr. Cícero Cordeiro, o coronel Japyassu e o capitão Fiuza,  gerente da usina, o qual se encontrava em viagem para Caruaru, tendo sido chamado por telegrama urgente, quando passava por Pesqueira no comboio da Great Western. Inúmeras outras pessoas, inclusive operários da usina entre os quais muitas mulheres e meninas, trabalharam à porfia; não lhes citamos os nomes, porque esse Jornal é pouco e nós os ignoramos, entretanto, os srs. Pinto Alves & Cia, e a Sociedade Algodoeira devem enxergar na população de Rio Branco, uma verdadeira legião de amigos e abnegados. A polícia fez "hombro armas!" e montou guarda aos escombros, mas - exceção do sargento - nenhum soldado fez exercício de bombeiros, o que certamente é reprovável. Esteve no local do alinstro o subdelegado sr. Francisco Jé. O empregado da usina, chamado Esmeraldino, portou-se com muita galhardia no serviço de ataque ao fogo, bem como o maquinista e foguista da mesma empresa, ambos esforçadíssimos no desempenho de suas obrigações. Numa palavra ninguém se poupou ao serviço; todos deram provas do espírito fraternalíssimo deste povo nordestino. Já em meio ao sinistro, foi adotado o alvitre de canalizar água do poço da usina para os salões abrangidos pelas chamas; mas faltavam canos. Foi quando a exma. viúva Rodrigues mandou abrir seus armazéns e fez transportar num dos caminhões todo o sortimento de canos e material necessário à nova tentativa imediatamente posta em prática pela tenacidade do jovem funcionário filho do dr. Elyseu, dos eletricistas da firma Brandão. Cavalcanti, ambos sobremodo esforçados e prestativos, do maquinista da usina e do viajante de Garanhuns, todos aliados à boa vontade, ao desprendimento e à calma com que o sr. Cícero Ferreira distribuía o material trazido dos armazéns da firma que dirige, demonstrando ele próprio a estupenda força muscular de que é dotado, além do sangue frio com que encarava a situação. Todavia, ninguém pode contestar que as honras do supremo esforço e heroísmo cabem a Ignácio Mariz, ao negro da casa de Nebrídio e a Delphim Araújo, cada qual na esfera dos misteres a que se dedicaram.
No local do sinistro vimos também o inspetor do Banco do Brasil, sr. Atahualpa Guimarães, acompanhado do gerente Álvaro Pinheiro.
Ai está a primeira consequência do expurgo a que obrigaram o algodão, para livrá-lo do micróbio da peste.
Hoje à tarde reuniram-se os comerciantes de algodão e passaram dois longos despachos telegráficos, um ao dr. Amaury de Medeiros, e outro ao prefeito de Pesqueira, o major Cândido Britto, solicitando a interferência de ambos no sentido de fazer cessar a inconveniente providência de expurgo do algodão enfardado para embarque. Porque, a julgar pelo princípio, a vila de Olho d´Água dos Bredos se arrasa com outro incêndio de algodão expurgado. Vamos ver qual providência nos dará o esforçado diretor da Higiene Estadual.»
28-02-1935 - Diário de Pernambuco, goo.gl/yVQxfx , 6ª col. Pelos municípios. Rio Branco. Embaixada acadêmica carioca visita Sanbra etc.
21-12-1937 - Diario do Estado, bit.ly/1QBt8Hi , 1ª col.: “Instituto de Pesquisas Agronômicas. Relatório de inspeção. Sanbra” (2ª col.).


Minha cidade, minha saudade, Recife-PE, 1972 - Luís Wilson, página  399: «Meu pai me contou que está com o Bar da rua Grande, em Rio Branco, desde 1926. Eu pensava que ele o havia comprado alguns anos depois, mas o engano é meu.
Eu tinha também a impressão, de que um, grande incêndio que houve na SANBRA, no meu tempo de menino, havia sido em 1928.
Esmeraldino, que chegou a Rio Branco em 1913 e trabalhou na “ Algodoeira", quase que toda a sua vida, contou-me, no entanto, da última vez em que estive em Arcoverde, que aquele incêndio foi em 1924. Mais de 250 fardos de algodão de 250 quilos,  mais de 70 fardos menores e muitas sacas de mamona pegaram fogo. Os jumentos da cidadezinha não pararam, carregando água do "seu" Jé até à tarde.» 


Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. 1982 – Luís Wilson, Recife-PE. Página 103.
«Mais de 250 fardos de algodão de 250 quilos, mais de 70 fardos menores  e muitas sacas de mamona pegam fogo na Sanbra (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro), em Rio Branco, nosso maior incêndio em todas as épocas. Não sabemos, aliás, de outro incêndio, entre nós. As carroças de bois, compridas e de 4 rodas, de “mestre” Leôncio, de Zé Ferreira, de ”seu” Albino, e os jumentos da cidadezinha passaram o dia carregando água de “seu” Jé (Cel. Jerônimo Cavalcanti de Albuquerque Jé), no fim da “rua”, coisa alguma, evidentemente, podendo fazer para apagar o fogo.
“ A Sanbra, cujos edifícios foram inaugurados no dia 8-12-1919, era nosso principal estabelecimento fabril, acionado por dois motores Deutz de 265 HP, mantendo no período da safra cerca de 200 operários.»

Centro Comercial Regional de Arcoverde Vereador Ulisses de Britto Cavalcante: Cecora, fundado em maio de 1986. Foto PSF nov.2015.

Arcoverde. História político-administrativa. Brasília-DF, Sebastião Calado Bastos, 1995. Página 198.
«Logo em seu primeiro ano de mandato, o prefeito Ruy de Barros realizou um feito de caráter administrativo da maior relevância, fazendo-o merecedor do respeito de todos os arcoverdenses.
Contando em todos os momentos com o governador Roberto Magalhães, o executivo municipal resolveu fazer uma proposta à Sanbra – Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro, para aquisição de toda a área ocupada por essa empresa, inclusive as edificações nela existentes.
José Valdeci do Amaral, funcionário da Sanbra em Recife e o dr. Inácio Menezes, ex-gerente, tiveram fundamental importância no negócio, ao fazerem gestões junto ao representante da firma em São Paulo, o espanhol Herrera.
A proposta do prefeito, que viria a ser aceita, totalizava oitenta milhões de cruzeiros, sendo trinta milhões de entrada e mais cinquenta milhões parcelados.
O governador garantiu a parcela inicial de trinta milhões de cruzeiros, importância paga em 10 de dezembro de 1983, por ocasião da assinatura do instrumento formal de compra e venda e a prefeitura apresentou carta de fiança bancária em cobertura das cinco parcelas restantes de dez milhões de cruzeiros cada uma.
Efetivava-se assim um grande empreendimento, que viria aumentar substancialmente o patrimônio da municipalidade, sem contar os benefícios decorrentes da utilização desse complexo arquitetônico, pois no Cecora foram instalados duzentos e oitenta boxes, dezesseis mil metros quadrados de calçamento, quarenta e oito postes de eletrificação, posto de saúde e comissariado, para relocação da feira livre.
Em convênio com a LBA procedeu-se à implantação da 1ª etapa do Espaço Cultural no Cecora.»

Mercado Público de Carnes Joel Vilela da Silva, inaugurado em 17-10-2015 no Cecora. Foto PSF nov. 2015.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Higiene sertaneja

Por Pedro Salviano Filho 
(Coluna Histórias da Região - edição N. 295 de janeiro/fevereiro de 2017 - Jornal de Arcoverde) 

 
Apesar de incomum, o assunto ora abordado, não deixa de ser também inusitado na história da nossa região, embora provocativo. Como eram os hábitos e costumes dos nossos desbravadores sertanejos no que concerne aos cuidados de higiene? 
Novamente, recorremos a algumas bibliografias, jornais de época e vídeos para apresentar respostas referendadas e com links para estimular mais pesquisas pelos leitores e, talvez, novos historiadores.

1814 - No livro Elementos de Hygiene, da Academia de Ciências de Portugal. Seção I  Cap  V, pág 25 (48/383), goo.gl/wwE62x, entre muitas curiosidades, ensina-se a necessidade da manutenção saudável das evacuações intestinais: «Devem ter muito cuidado em ter regulares as evacuações Malvinas, usando a ser preciso, de clisteres resolutos, por ex. raiz de taraxaco, fragaria etc., em cozimento; no qual se infunde camomila, arruda etc.»

Vídeos:

Invenções e descobertas - História das regras de higiene, goo.gl/WTZi1T .
Passado a limpo. A história da higiene pessoal no Brasil, goo.gl/gVxBmI , patrocinado pela Kimberly-Clark Brasil. Interessante vídeo, baseado no livro de Eduardo Bueno, narrado por cantadores de cordel.

Minha cidade, minha saudade. Recife, 1972 - Luiz Wilson, página 192

«Oliveira Lima foi a Rio Branco em 1919, acompanhado do prof. Ulisses Pernambucano e de mais 2 ou 3 amigos, num “automóvel de linha” especial. Nas noites em que dormiu, na cidadezinha, Agostinho de Holanda (seu amigo e de sua esposa, dona Flora, de Vitória de Santo Antão e do engenho Cachoeirinha), teve de arranjar um estrado especial e montá-lo em 4 mochos. “Mestre” Fio deve ter trabalhado na cama do conhecido historiador, dois ou três dias.
Um homem imenso, não sei como se arranjou Oliveira Lima no Rio Branco de 1919, hospedado, embora, em uma boa casa construída naquele ano ou no anterior. Até alguns anos passados, a grande maioria dos “sanitários” de nossas casas era um quartinho, em meia água, nos fundos de muros, onde não entraria, talvez, o historiador admirável. No tempo em que eu era menino, uma das poucas residências de que eu me lembro, em Rio Branco, que possuía “sanitário” dentro de casa, era a do Dr. Leonardo Arcoverde. Um dia, o nosso velho e saudoso amigo revoltou-se com um matuto que era seu parente e acabou, no “quartinho” do velho chalé, com um pacote inteiro de papel-higiênico, que o dr. Leonardo comprava no Recife. -“Este tabaréu”, dizia do dr. Leonardo à “comadre” Caró, “acostumado a se limpar com uma pedra, acabou com meu papel-higiênico! Que é que eu vou fazer agora, Caró?».

Velhos e Grandes Sertanejos, 1º vol. Recife, 1978 – Luís Wilson. Pág. 359. Cap. 29:
«Augusto de Albuquerque Cavalcanti (Cel. Augusto Cavalcanti)
No mesmo prédio em que ficava o "motor da luz” de Rio Branco, Augusto Cavalcanti tinha também uma fábrica de angico ou de tanino. Lá atrás, com a frente voltada para o Rio da Rua Velha (ou Riacho do Mel), 5 ou 6 banheiros que uma boa velhinha, avó de Zé da Tapioca tomava conta. Eram, na realidade, os banheiros da cidadezinha e era ali ou em “seu” Jé nos jumentos de Bertino (que trabalhava na residência do Cel. Antônio Japyassu e, entre outros, nos de Expedito e Zé Castigo.
A água boa, a água de beber iam buscar na Serra das Varas, uma ou duas vezes por semana.»

Cronologia pernambucana, 2014, Recife, Nelson Barbalho, página 189 - vol.19
3022
 «O Diário de Pernambuco, de 05 de novembro de 1833,[referência não confirmada em goo.gl/O9WliS ] na seção de anúncios, dizia estar à venda, como novidade na Província, “um banheiro de folha de flandres”. Até então mesmo entre as famílias mais finas da capital ou do interior, o banho mais característico de todos era “o de gamela e o de assento, dentro de casa. O banho de cuia”, como informa Gilberto Freire (Sobrados e Mucambos, I, 196-197) [ goo.gl/7CMpzK ]  que comenta e ensina: “Os anúncios dos jornais da primeira metade do século XIX estão cheios de gamelas, aos pouco substituídas por tipos mais finos de banheiros. Para gente de mais idade, o banho era sempre morno, inteiro ou de assento. Segundo alguns viajantes dos tempos coloniais, -um deles Mawe [ goo.gl/zOgju3 ] - as senhoras dos sobrados abusavam do banho morno; e isto concorria para amolentá-las”. Opinião, também, de alguns higienistas do tempo do Império, que se ocuparam do assunto em teses e dissertações.
Uma das gabolices de alguns sobrados ilustres era que deles escorresse para a rua a água dos banho mornos. Água azulada pelo sabonete fino e cheirando a aguardente de qualidade. Os fidalgos das “casas nobres” se orgulhavam de não feder a negro nem pobre.
Deve-se notar que o sabão, a princípio fabricado em casa, foi um dos artigos que se industrializaram mais depressa no Brasil. Sabão de lavar roupa, branqueada também a anil. Sabão de esfregar o corpo da gente fina e embelezá-lo ainda mais. Importava-se da Europa muito sabão de luxo. No século XIX os negros mais ricos deram para importar sabão da Costa. Um consumo enorme de sabão. A tal ponto que no meado do século XIX, grande parte das fábricas do Império era de sabão.
Quanto à gente dos mocambos, é claro que entre ela o luxo do sabão não se desenvolveu. Nem entre ela nem entre a metralhada das senzalas. O budum, a catinga, a inhaca, o “cheiro de bode” dos negros, em torno da qual cresceu todo um ramo de folclore, no Brasil, deve ter sido o exagero do cheiro de raça, tão forte nos sovacos, pela falta, não tanto de banho, como de sabão, em gente obrigada aos mais duros trabalhos.
Porque de banho, o negro, a gente do povo mulata, e não apenas a mameluca e a cabocla, nunca se mostraram inimigos no Brasil. A tradição de excessivo gosto da água de bica, em regalos de banho ou pelo menos de lava-pés, não se encontra só no Norte; também no Centro e no próprio Sul do País. O moleque brasileiro tornou-se célebre pelo seu gosto de banho de rio. Os jornais da primeira metade do século XIX e até da segunda estão cheios de reclamações contra moleques sem-vergonha, e mesmo homens feitos, que, nos lugares mais públicos, ou ao pé dos sobrados mais nobres, despiam-se de seus molambos, de seus trapos de estopa ou de baeta, e iam tomar banho completamente nus”.
Assunto a que voltaremos a nos referir em capítulo seguinte.
Pelo Agreste e pelo Sertão, o banho preferido de todos era o de rio. Só se tomava banho em casa quando se estava doente. Geralmente, nos rios, havia lugares destinados aos homens e outros destinados às mulheres. Gostava-se, também, e mito, do banho de choque, que diziam se “excelente para os nervos”, e do banho de bica, geralmente tomado pela manhã, pelos homens, que, “para evitar refluxo”, banhavam-se chupando cajus ou laranjas e tomando cachaça. Na época dizia-se que sabão de negro ou de pobre em “caco de telha”, usado para tirar a sujeira grossa do couro. Mulher fina, para evitar olhares indiscretos ou maliciosos de certos homens que se escondem atrás de toupeiras de mato para vê-la banhando-se no rio, muitas vezes em casa, geralmente no quintal, tomava banho de alguidar de barro, usando sabonete importado da Europa e “água-de-cheiro”. Banho de mulher-dama sempre era tomado às escâncaras, impudicamente.
Nas casas agrestino-sertanejas não havia banheiros nem gabinetes sanitários. Via de regra, defecava-se no mato, “por trás das bananeiras” cuja folhas às vezes eram utilizadas para o asseio anal. Também na cidade, segundo Gilberto Freire (Ob.Cit.I, 198),
“… o grosso do pessoal defecava no mato, nas praias, no fundo dos quintais, ao pé dos muros e até nas praças. Lugares que estavam sempre melados de excremento ainda fresco. Luccock diz: “thickly strewed with ever fresh abominatios”.  Isso sem falarmos da urina, generalizado como era o costume dos homens de urinarem nas ruas; e de nas ruas se jogar a urina choca das casas ou dos sobrados sem quintal. A 03 de março de 1835, apareceu no Diário do Rio de Janeiro,[referência não confirmada em goo.gl/uGdE8Y]  esta reclamação típica: “Já há tempos que se roga aos vizinhos que ficam na Igreja de s. Jorge, da parte da Rua da Moeda, que houvessem de não deitar na rua, à noite, águas imundas e urinas chocas, e que ainda continuam; portanto por este anúncio se torna a rogar, prevenindo de que se tornarem a continuar se representará ao juiz competente, pois que basta a estação em que estamos de grande calor e ainda sofrer dos mais vizinhos semelhante mal pestífero saúde dos mesmos”.
O hábito de defecar de cócoras, à maneira dos índios, de tal modo se generalizou não só entre a gente rural como entre a população mais pobre das cidades, que ainda hoje há brasileiros distintos, de origem rural, ou então humildes, incapazes de se sentarem nos vasos sanitários; só acham jeito de defecar pondo-se de cócoras sobre a tampa do W.C., que às vezes deixam toda emporcalhada. Daí serem tão raros, no Brasil, os W.C públicos limpos ou asseados. Mesmo em algumas casas de família, nas cidades já saneadas, não se concebe que os W.C. possam ser lugares limpos, inteiramente diversos dos seus predecessores; as “casinhas” com simples barris sem o fundo enterrados até o meio sobre uma fossa. O uso desses barris, em “casinhas” distantes do sobrado ou da casa, generalizou-se nas casas suburbanas da segunda metade do século XIX.
Nas aldeias públicas do Agreste e do Sertão, os presos “se aliviavam”, isto é, defecavam e urinavam em barris denominados de “cuba”, os quais ficavam cheios durante o dia e, à noite, eram conduzidos pelos presos pobres para os matos ou para beira do rio, onde se fazia o despejo das fezes e urinas, retornando a “cuba”, com catinga e tudo, para servir de “sanitário” da cadeia no dia seguinte.»

Gazeta da Tarde – RJ, 01-11-1896, 2ª col. goo.gl/epzWIe . Anúncio de papel higiênico.


«WATER-CLOSET

Papel higiênico e medicinal para water-closet. Este papel é perfeitamente puro e adequado ao fim que se destina. Este papel é perfeitamente puro e adequado ao fim que se destina. É sabido que em grande parte as moléstias hemorroidárias são devidas ao uso do papel ordinário, sobretudo do branco que, além da impressão com tintas oleosas e ácidas, contem geralmente substâncias nocivas, como sejam: o vitríolo, cal, potassa etc., que se empregam para branquear o papel. O presente papel é o único até agora feito que preenche as qualidades de pureza necessárias, é macio e se dissolve facilmente na água, de sorte que não há perigo de entupir os canos do esgoto, como acontece com outros papéis de qualidade ordinária.»

Diario de Pernambuco, 17-07-1921, 4ª col. goo.gl/tzvNF2 . Descarte de papel na descarga  - Salubridade das habitações


«Salubridade das habitações

A Repartição de obras públicas, algas e esgotos pede-nos a divulgação do seguinte:
"A obstrução da canalização de esgotos deve ser evitada de um modo sistemático; e, com os novos serviços, a obstrução é sempre evitável, salvo os casos de coagulação da gordura aderente à superfície interior das canalizações, quando ela se dê independentemente dos cuidados recomendados.
O uso do papel higiênico se deve generalizar, e os papéis servidos devem ser lançados à latrina, para serem removidos com as descargas das respectivas caixas de lavagem, sem o menor receio de que causem obstrução. O uso de papéis de outra natureza, e, porém, condenado pela higiene e é proibido lançá-los nos aparelhos. Deixar os papéis servidos, de qualquer natureza, em caixões, em cestos, expostos às moscas, que neles pousam e deles voam para pousarem nos alimentos é uma prática condenada pela higiene e só um qualificativo merece, tão expressivo que desnecessário se faz repeti-lo. Lançar no esgoto trapos, lixo, terras, cinzas, resíduos de alimentos crus e cozidos, pós de café, e outras substâncias estranhas ao serviço dos esgotos, são práticas que se não podem mais justificar pela ignorância; elas resultam geralmente do desleixo. A "Dona de casa" não se pode eximir da responsabilidade pelo asseio da habitação e pela boa manutenção do serviço sanitário; a falta de assistência doméstica é evidente na maioria dos casos, mas, como justificação do que se observa de irregular, alega-se a ignorância e o desleixo dos criados. Uma parcela do tempo que sobra para a vida mundana deveria ser mais vantajosamente empregada nos cuidados da vida doméstica, para felicidade hígida do lar; com o bom exemplo, vindo do alto, os criados seriam cuidadosos e as crianças se educariam na prática dos princípios sãos, tão úteis para o seu futuro adulto e tão necessário à comunhão social. Bem escreve Agostinho de Campos: - "Casa de pais, escola de filhos". O mestre deve ser o continuador na prática destes bons princípios trazidos do lar, de entre eles a higiene; estes princípios devem ser então desenvolvidos na escola, singelamente, evitando-se definições pedantes da didática moderna. Não é por meio de livros decorados e repetidas, enfadonhas para crianças, talvez contraproducentes, não é com esse método de ensino que se formarão mulheres e homens asseados, sadios, virtuosos, inteligentes e úteis à família. O esgoto de uma casa é comparável ao intestino do organismo animal: o médico, ao tratar um doente, cuida logo do desembaraço intestinal; é preciso também, em certos casos, indagar do funcionamento intestinal do prédio. A casa doentia faz os moradores doentes, e não há drogas que curem estes sem que seja aquela previamente curada, isto é, saneada. Para sanar um prédio não basta que se lhe deem água potável e esgotos perfeitos. A muitas outras condições atender, e de entre elas citamos apenas a boa iluminação solar e a ventilação natural, em todos os compartimentos e especialmente nos de dormida, nos de trabalhos diurnos e nos gabinetes sanitários. Se isto não se puder conseguir nos estreitos e compridos prédios antigos, de vários pavimentos, infestados de alcovas - esses prédios devem ser condenados por insalubridade: - são casas assassinas, no dizer do eminente arquiteto francês. - Recife, outubro de 1916. - S.R. de Britto; »

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Uma das primeiras mansões de Arcoverde

Por Pedro Salviano Filho 
(Coluna Histórias da Região - edição N. 294 de novembro/dezembro de 2016 - Jornal de Arcoverde) 

Foto do livro Ícones. Patrimônio Cultural de Arcoverde, Roberto Moraes, Recife, 2008, pág.45, do acervo da família Britto, obtida entre 2006/2007.

Casa construída em 1918 por Augusto Cavalcanti para receber seu pai, o ministro André Cavalcanti.  Ficava vizinha à feira de gado no Tamboril. Nessa casa funcionou, de 1932 a 1936, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, DNOCS. Atualmente pertence à família Britto. Foto Jornal de Arcoverde, dezembro de 2016. Está localizada na rua que homenageia seu nome. goo.gl/L5ukvO 

André de Albuquerque Cavalcanti (André Cavalcanti), ministro do Supremo Tribunal Federal, que ficou hospedado em março de 1919 na casa construída pelo filho Augusto Cavalcanti.

Augusto Cavalcanti (de Albuquerque) nasceu em 1882 e chegou a Arcoverde (então Vila Rio Branco) há 100 anos e, nos 6 anos em que aqui intensamente viveu, demonstrou a sua capacidade empreendedora e visão de futuro, realizando obras que mudaram o rumo da região. Empresário e agropecuarista, ele revolucionou e impulsionou a vila construindo o cinema Rio Branco e implantando a luz elétrica no final de 1919. Bem relacionado com a imprensa, seu nome começou a aparecer nos jornais em 1917, quando passa a participar de exposições agropecuárias em Recife mostrando os produtos da sua fazenda Boa Vista, da “Estação Rio Branco” (como também era chamada a vila Rio Branco). Em 1918 ele manda construir a bela residência que no ano seguinte acolherá seu pai, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Cavalcanti. O seu novo casamento, realizado no final de 1919, como também as inaugurações do cinema e luz elétrica, são o ponto alto das atividades do coronel. Em 1921, aos 39 anos, ele morre envenenado por parente da sua bela mulher.
Para aqueles que se interessam pelo tema, sugerimos a leitura de outros artigos desta coluna:  goo.gl/irNlDe, goo.gl/4S0Wz8 e goo.gl/KMXD4R 

23-11-1917A Provincia, goo.gl/EVAuAv , 7ª col.: «A Inspetoria veterinária de Pesqueira remeteu os títulos de inscrição aos srs.: [...] Augusto Cavalcanti de Albuquerque [...] .»
21-12-1917A Provincia, goo.gl/L8o7UY  2ª col.:  «Exposição dos municípios. Já em Rio Branco o Sr. Augusto Cavalcanti. [...] o sr. Augusto Cavalcanti do município de Pesqueira: galinhas brancas [...].»
29-12-1917 - Jornal do Recife, goo.gl/3KmCLp , 4ª col.: «Exposição dos municípios. Uma entrevista com o coronel Augusto Cavalcanti sobre agricultura. Foto: Alguns produtos da fazenda Boa Vista do coronel Augusto Cavalcanti Estação Rio Branco.» Mais:  19-12-1917 Jornal do Recife, goo.gl/0mnRa8 ,5ª col.
17-07-1918Jornal do Recife, goo.gl/zFjds4 , 5ª.col.: «O cel. Augusto Cavalcanti e a lagarta rosada do algodão (praga Zerofino).»
1919 -«Foi para receber o pai que o Coronel mandou construir [em 1918] uma de nossas mais belas casas de residência, algum tempo depois vizinha à feira de gado do Tamboril e onde esteve entre os anos de 1932 e 1936, em Rio Branco, as Obras Contra Secas.» (Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. Luís Wilson, 1982, pág. 93). 
13-03-1919A Provincia, goo.gl/SgEkuN , 1ª col.: Ministro André Cavalcanti. «[...] Veio de sua viagem ao interior do estado, onde teve ocasião de visitar a casa onde nasceu.»
26-11-1919 - Jornal do Recife, goo.gl/CSnMPs , 1ª  col.: «Aos parentes e amigos. Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Theodolina Cavalcanti de Albuquerque participam seu casamento. Rio Branco, 13 de novembro de 1919.» Checado em livro de registro civil: goo.gl/bQOXQb .
02-01-1920Correio da Manhã ,goo.gl/2psxPF ,  7ª col.: «[...] - A vila de Rio Branco, deste município, acaba de inaugurar a luz elétrica e um cinema.»
15-01-1920 - Jornal do Recife ,goo.gl/Wa1FEI , 7ª col.: «[...] - O cinema "Rio Branco" tem proporcionado encantadoras "soirées" aos seus "habitués". A luz elétrica, quer pública, quer particular, fornecida pelo coronel Augusto Cavalcanti, continua regular, esperando este cavalheiro entrar em acordo com o município afim de melhor servir ao público em geral. Presentemente o coronel Augusto Cavalcanti fornece gratuitamente a iluminação pública o que vem provar a sua boa vontade de colaborar no progresso de Rio Branco. Rio Branco, 11-1-1920 (Do Correspondente). »[Sobre o cinema goo.gl/irNlDe].
13-02-1920 - Jornal do Recife ,- goo.gl/kBvYnk   1ª col.: «[...] O coronel Augusto Cavalcanti demonstrou-se conosco em amistosa palestra, sobre o adiantamento de Rio Branco e outros assuntos, mostrando-se sobremodo interessado pelos progressos de sua terra. Somos agradecidos à cativante atenção do estimado cavalheiro.»
13-03-1920 - Jornal do Recife,goo.gl/cD5h55 , 1ª col.: «Pelos municípios - Rio Branco - A empresa do cinema "Rio Branco" não tomou conhecimento de um memorial que lhe foi dirigido por alguns frequentadores (a minoria) daquela casa de diversão. O coronel Augusto Cavalcanti, proprietário do citado cinema, agiu neste caso com todo critério ficando as famílias plenamente satisfeitas com a sua resolução. Para garantir a ordem, ali ameaçada de perturbação, foram postados dois policiais às ordens do respectivo subdelegado, senhor Tibúrcio Moura. Felizmente, até hoje, a ordem não foi alterada pelos descontentes com a resolução do coronel Cavalcanti.»
24-11-1920 - Jornal do Recife ,goo.gl/BkEi51, 6ª col.: «Melhoramento em Rio Branco. Devido em grande parte aos esforços do ilustre sr. coronel Augusto Cavalcanti acaba de ser inaugurada em Rio Branco a iluminação elétrica. A propósito desse importante melhoramento recebemos dali o seguinte telegrama: "Foi inaugurada ontem ocasião chegada trem, luz elétrica estação Rio Branco com excelente resultado, reinando geral satisfação passageiros e habitantes desta futurosa localidade. Houve grande entusiasmo por este importante melhoramento, para o qual muito tem se esforçado o coronel Augusto Cavalcanti, concessionário da empresa. - Comissão festejos».
12-05-1921 - Jornal do Recife, goo.gl/b0uS6I , 4ª col.: «Coronel Augusto Cavalcanti de Albuquerque. Realizou-se ontem, às 10 horas da manhã, em a necrópole de S. Amaro, o enterramento do saudoso coronel Augusto Cavalcanti de Albuquerque, filho do ilustre pernambucano, o venerando presidente do Supremo Tribunal Federal, dr. André Cavalcanti. O enterro efetuou-se na catacumba no. 113 da municipalidade, sendo o coche fúnebre, que era de primeira classe, acompanhado de inúmeros carros, conduzindo amigos do morto e pessoas de sua desolada família. Sobre o riquíssimo ataúde viam-se grade número de coroas com inscrições denotadoras de saudade e muitas flores naturais no mesmo depositadas por mãos amigas. O extinto, que era grandemente relacionado em o nosso meio social, por suas belas qualidades de caráter, era casado com a exma. sra. d. Theodolina Freire Cavalcanti, de cujo consórcio deixa um filhinho de tenra idade. Mais uma vez sentimentamos à desolada família Cavalcanti de Albuquerque, especialmente à viúva do morto e ao seu ilustre pai, o dr. André Cavalcanti.»[Ver também goo.gl/irNlDe].
Do livro Velhos e Grandes Sertanejos, 1º vol. Recife, 1978 – Luís Wilson. Pág. 359. Cap. 29:
«AUGUSTO DE ALBUQUERQUE CAVALCANTI  (CEL. AUGUSTO CAVALCANTI)
O velho português e Mestre-de-Campo da Ribeira do Moxotó, Pantaleão de Siqueira Barbosa (v. o capítulo deste nome), ali chegado na primeira metade do século XVIII, casou com Ana Leite de Oliveira (filha única de Belchior Leite de Oliveira) e deixou o casal 7 filhos, todos eles famosos, entre os quais o Cel. Joaquim Inácio de Siqueira Barbosa, que casou com Maria de Jesus Bezerra Cavalcanti e foram os pais de 20 filhos ("os 20 de Pesqueira"), um dos quais (o 20°), o Cel. José Camelo Pessoa de Siqueira Cavalcanti.
Este, casou com D. Maria da Penha Cavalcanti, filha de Jerônimo Cavalcanti de Albuquerque Arcoverde e de Teresa de Siqueira Cavalcanti, que foram também os pais, entre outros filhos, do Capitão Budá, pai de D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti.
O Cel . José Camelo e sua esposa D. Maria da Penha Cavalcanti foram os pais do Ministro do Supremo Tribunal Federal, André de Albuquerque Cavalcanti (André Cavalcanti).
Em uma das margens do Rio Ipojuca, no município do mesmo nome, no Litoral do Estado, levantavam-se, outrora, três engenhos (depois Usina Nossa Senhora das Mercês), "e foi ali, entre o cheiro de mel e de cana fermentada, que André Cavalcanti veio ao Mundo, em 1845".
Conta-se que, naquele dia, descansava perto do "engenho", de caminho para Amaragi, um grupo de ciganos e, supersticioso como todo sertanejo, seu pai mandou chamar uma das ciganas do bando e pediu que lesse a mão do garoto (1).(1) — v. Humberto de Campos, "Perfis", Segunda Série, José Olympio Editora, Rio, 1.936.
— "Há de ser como outros do mesmo sangue, um grande nome da família. Se nascer outro homem da mesma raça dentro de cinco anos, a estrela dele brilharámenos ; senão há de ser uma grande figura vestida de vermelho, vestida de encarnado".
O nefelibatismo da predição não esclareceu em coisa alguma o proprietário da "Nossa Senhora das Mercês", concluindo-se, no entanto, muitos anos mais tarde, que se não houvesse nascido cinco anos depois, da mesma família, o menino Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, teria sido, talvez, o garoto André, filho do casal Cel. José Camelo Pessoa de Siqueira Cavalcanti, o primeiro Cardeal do Brasil e da América Latina.
Bacharel em Ciências Jurídicas Sociais, André de Albuquerque Cavalcanti, conforme Clóvis Beviláqua ("História da Faculdade de Direito do Recife"), "fez parte da turma de 1864 de nossa velha Faculdade, nasceu em Pesqueira (não diz o ano), representou o seu Estado na Constituinte Republicana e foi Chefe de Polícia da Paraíba e Juiz Municipal de Pedras de Fogo (também naquele Estado), falecendo em 1927", tenho a impressão que no Rio de Janeiro.
Vivia já em Ipojuca, licenciado da Magistratura, quando veio a República e, por influência de D. Joaquim Arcoverde, naquela época Bispo do Rio de Janeiro, foi nomeado por Prudente de Morais, Chefe da Polícia da Capital.
Quando Campos Sales subiu ao poder, sendo indicado Sampaio Ferraz para a Chefia de Polícia, ainda por iniciativa de D . Joaquim, foi nomeado André Cavalcanti para a primeira vaga do Supremo Tribunal Federal.
Entre outros, são filhos do velho Ministro, o Cel. Augusto Cavalcanti (Augusto Mouco), que foi para Rio Branco (Arcoverde), em 1915 ou 1916.
Usineiro no Litoral, e criador, agricultor, proprietário e industrial no Sertão, foi Augusto Cavalcanti a maior figura, talvez, do Rio Branco de sua época.
Diz-se que casado com uma alemã (tenho a impressão que no Rio de Janeiro), em sua nova "cidadezinha" casou outra vez com Teodolina Freire, garota de rara beleza pela qual se apaixonara, filha de "seu" Antônio e D. Maria Freire (Maria Ferraz).
Contou-me José Duque que para a celebração do casamento, declaram, em Juízo, que Augusto Cavalcanti era solteiro, não me recordo, se entre outros, o Cel. Arcelino de Brito, o Cel. José Estrela e Epaminondas Santos. Com Napoleão Pacheco, seu parente e velho e grande amigo, por não ter declarado a mesma coisa (como lhe pedira o velho), andou alguns dias meio aborrecido Augusto Mouco.
A "cidadezinha" dava, naquela época, como que o seu primeiro passo para o futuro, com a chegada ao lugar 3 ou 4 anos antes dos trilhos da "Great Western" e a inauguração de sua pequena -Estação", na qual escreveram o seu novo nome — "BARÃO DE RIO BRANCO".
Foi, todavia, Augusto Cavalcanti, que em 1917 [1919] deu à "minha cidadezinha" o seu primeiro, e durante mais de 20 anos, o seu único cinema e teatro, o meu velho "Cine Rio Branco", encarregando de sua administração e construção o seu grande amigo e parente Antônio Napoleão Pacheco de Albuquerque (hoje, com 91 ou 92 anos de idade), e, ali assistiu a cidade os primeiros filmes de Edie Polo, de Jack Perrin, de Joe Bonomo, Art Acord, Jack Holt, William Desmond, Charles Chaplin, Rodolfo Valentino, Ramon Navarro, Gary Cooper, Shirley Temple, Jackie Coogan e, entre muitos outros, "Chuca-Chuca", Jean Darling e Joe Cob.
Em meu velho cinema foi que assistiu também em 1934 (dia 23 de dezembro), quando era seu empresário (ou não sei se já seu proprietário) "Zezé de "seu" Santino", o seu primeiro filme falado, que devia ter sido "O Meu Boi Morreu", com Eddie Cantor, passando, no entanto, ¨Viena de Meus Amores".
Mais ou menos em 1917 [1919], foi também Augusto Mouco que iluminou a sua nova cidadezinha com luz elétrica. O velho "motor" ficava no antigo beco, quase em frente à padaria que em 1920 passou a pertencer a "seu" Noé e é hoje, totalmente modificada (mas ainda com o mesmo nome — "Padaria Confiança") dos filhos de "seu" Joaquim Neves ("seu" Joaquim Domingos), de Umbuzeiro, Estado da Paraíba. Em minha infância era o "Beco do Motor da Luz". Hoje é o "Beco de Dr. Luís Coelho".
No mesmo prédio em que ficava o "motor da luz” de Rio Branco, Augusto Cavalcanti tinha também uma fábrica de angico ou de tanino. Lá atrás, com a frente voltada para o Rio da Rua Velha (ou Riacho do Mel), 5 ou 6 banheiros que uma  boa velhinha, avó de Zé da Tapioca tomava conta. Eram, na realidade, os banheiros da cidadezinha e era ali ou em “seu” Jé nos jumentos de Bertino (que trabalhava na residência do Cel. Antônio Japyassu e, entre outros, nos de Expedito e Zé Castigo.
A água boa, a água de beber iam buscar na Serra das Varas, uma ou duas vezes por semana.
A partir de 1929, a " Sanbra" (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro) , ou não sei se ainda "Pinto Alves & Cia" (e era, então, Ernesto Lima o seu gerente em Rio Branco) , passou a fornecer luz elétrica ao Município. O motor do Cel. Augusto Cavalcanti deixava-nos, vez por outra, 15, 20 dias e um mês sem luz, voltando, então, as velas (primitivamente de sebo e depois de cera, estearina ou espermacete), as velhas candeias de azeite de carrapato, os candeeiros (ou os alcoviteiros) e as lâmpadas a álcool a iluminarem as casas de comércio e de residência da "cidadezinha".
No trecho da atual Avenida Cel. Antônio Japyassu, em que ficava a padaria que era de meu pai, um bico de carbureto, em cima do balcão, como que iluminava toda a rua, em frente à  padaria, até às 8 e às 9 horas da noite, com o velho conversando com os amigos.
O Recife, conta-se que viu pela primeira vez a "luz elétrica", em outubro de 1873, quando o vapor inglês "Eothen", que a utilizava, ancorou em nosso porto, tendo sido objeto não apenas de curiosidade, "mas de espanto e admiração, não faltando quem aludisse a um castigo do céu, pois então a célebre "Questão Religiosa" entre o Governo Imperial e o Bispo D. Frei Vital, chegava ao auge" (1).(1) v. Fausto Agnelo, "Da candeia de Azeite á Lâmpada Elétrica", in Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Vitória de Santo Antão, vol. 5, 1973.

Só tivemos, no entanto, em nossa Capital, um serviço público de iluminação elétrica, regular e definitivo, com a "Pernambuco Tramways", que adquiriu a "Ferro-Carril" e outras companhias de transporte urbano e, em 1913, a "Companhia de Gás" estabeleceu o transporte coletivo por energia elétrica, substituindo o serviço de iluminação a gás pelo de eletricidade, inaugurando o primeiro trecho no centro da cidade em 28 de março de 1919" (2).(2)— ib. págs. 66 e 67.
O serviço de iluminação pública do Recife, com lampiões contendo candeias de azeite de carrapato, foi inaugurado em maio de 1822, tendo sido arrematado em 1834 (conforme Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, vol. VIII), à razão de 116 réis por lampião, o que importava, para os cofres públicos, uma despesa anual de 1.250$208, na moeda então vigente. A 26 de abril de 1859 foi inaugurado no Bairro do Recife o serviço de iluminação a gás carbônico, seguindo-se logo depois o dos outros bairros.
Augusto Mouco, no entanto, em 1918, para receber o pai em Rio Branco (o Ministro André Cavalcanti), mandou construir a bela residência, a um lado do "Tamboril", que a partir de 1931 ou 1932 (época do Dr . Francisco Saboia), foi durante muitos anos a sede das "Obras Contra Secas" nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte.
Menino pobre, filho de um pobre "mascate" de Rio Branco, só na "fidalga" Pesqueira (como que a Capital do mundo de minha infância), vi, naquele tempo, casas tão grandes e tão bonitas. O Palácio de D. José, a residência do Major Cândido de Brito (da Fábrica Peixe), a do Comendador José Didier (da Fábrica Rosa), a do Conselheiro José de Almeida Maciel (vizinha do Palácio do Bispo), a de "seu" Praxedes Didier, a de D . Argentina (mãe de Milton e Leonorzinha)...
No sei se Augusto Cavalcanti deixou filhos com a alemã com a qual casou no Rio de Janeiro, tendo deixado de Teodolina um único filho (André), e com D. Francisca Josefa Maia (Engenho Utinga de Baixo, Usina Nossa Senhora das Mercês), filha do casal Francisco-D. Carolina Maia, proprietários em Suape (Cabo de Santo Agostinho), 4 filhos, criados pelos irmãos do Coronel (Adolfo, Arthur e Amaro): 1.° — Maria José Cavalcanti, que casou com João de Jesus Pereira. Sucessão: Etevaldo de Jesus Pereira (casado, com filhos), Maria Isabel (solteira), Marisa (casada, com filhos) e Marlene (que casou com Antônio Alves Carneiro, pais de Marco Antônio, Marlene, Marisa, Antônio Carlos, Marília, Marcílio Mônica e Antônio, todos residentes em Arcoverde há algum tempo). 2º - Maria Augusta, solteira. 3º José Augusto, que casou com D. Yolanda, com sucessão. 4º Maria Áurea, esposa de Milton Lima.
Falecido aos 45 ou 50 anos de idade, em 1921, no Recife, para onde viajara doente de Rio Branco, acompanhado do seu primo e velho amigo Dr. Leonardo Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, conta-se que envenenado por uma pessoa da família da moça bonita pela qual se apaixonara perdidamente e com a qual casara no Sertão, Augusto Mouco foi o maior benfeitor, talvez, da cidadezinha de Rio Branco de sua época.» 

Augusto Cavalcanti

Teodolina Freire, com a qual casou em Rio Branco o Coronel Augusto Cavalcanti. «Teodolina casou, em segundas núpcias, com João Falcão e teve três filhos; e em terceiras núpcias, com o cônsul do Uruguai, Antônio Melo Barreto.» (Roteiro de Velhos e Grandes Sertanejos. Vol. 3, Luís Wilson, pág. 1292).

D. Maria José, filha de Augusto Cavalcanti