quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Prefeitura Municipal de Arcoverde

Por: Pedro Salviano Filho
(Coluna Histórias da Região - edição N. 301 de janeiro de 2018 - Jornal de Arcoverde)

A posse do primeiro prefeito eleito do município de Rio Branco (3º topônimo de Arcoverde), sr. Antonio Japiassu, ocorreu no dia 15 de novembro de 1928, no primeiro paço municipal, no local onde depois foi a Sorveteria Caboré.
Inaugurado em 7 de setembro de 1941, o segundo paço municipal se localizava na mesma avenida, hoje av. Antonio Japiassu, e contou com a presença do então interventor federal em Pernambuco, Agamenon Magalhães.
Já o prédio atual da Prefeitura de Arcoverde foi inaugurado em 30 de janeiro de 1977, quando o sr. Arlindo Pacheco finalizava seu mandato de prefeito de Arcoverde.
Procurando esclarecer sobre onde, como e quando funcionou a Prefeitura Municipal de Arcoverde nesses quase 90 anos, mostramos para os leitores desta coluna novos aspectos deste assunto pouco estudado.



Localizada na hoje av. Antonio Japiassu, a primeira prefeitura ficava ao lado de uma padaria (ver foto acima) e onde posteriormente funcionou a sorveteria “Caboré” e atualmente funciona uma lanchonete (ver texto e fotos abaixo). No livro Ícones. Patrimônio Cultural de Arcoverde, Roberto Moraes, Recife, 2008, pág. 66, está a primeira foto acima com a legenda: «Em 1935, em frente ao prédio da Prefeitura Municipal acontecia o primeiro exame de motoristas. Presentes o prefeito Antônio Napoleão Arcoverde, inspetor, coronel, capitão e demais autoridades[...].».


A Sorveteria Caboré pertenceu a Mário “Caboré” Arcoverde, que a adquiriu de João Rafael em 1945, e se localizava entre a Casa Sálvio Napoleão e a Padaria Confiança. Hoje o local é ocupado pela livraria “Grafite”. (Foto abaixo, do Jornal de Arcoverde, janeiro 2018).


Sobre o primeiro Paço Municipal:

Inauguração em 15 de novembro de 1928. Esta coluna já apresentou informações sobre a posse do primeiro prefeito eleito em goo.gl/5ws8pV .

1928 - A Provincia, edição 270, do dia 21 de novembro de 1928, na página 2, goo.gl/ORD5rX , 5ª col. aparece a cobertura jornalística do evento: «Tiveram muito brilho as festas realizadas, nesta cidade, não só para comemorar a data da proclamação da República como para solenizar a posse da sua primeira administração. A posse foi solene no edifício do Paço Municipal perante seleta assistência. Presidiu o ato o juiz municipal de Pesqueira que empossou o prefeito e conselheiros. Às 17 horas efetuou-se a passeata escolar.[...]». No dia seguinte o mesmo jornal mostra mais detalhes: goo.gl/1d9DUs , 4ª col.: “Podemos hoje dar mais pormenores sobre as festas comemorativas do dia 15 de novembro, nesta cidade, em adiantamento à correspondência de ontem. Às 5 horas da manhã após a alvorada tocada pela banda musical, teve início a parada escolar tomando parte perto de cem crianças. Ao meio dia teve lugar a posse do coronel Antônio Japiassu para prefeito do novo município. O Paço Municipal estava repleto do que havia do mais distinto na sociedade riobranquense e demais cidades limítrofes. O coronel Japiassu deu ingresso no recinto ladeado pelo deputado Dr. Gilberto Fraga Rocha, Dr. Carneiro Leão, sr. Caetano Manoel e todos os conselheiros, sendo carinhosamente recebido pela assistência. Em seguida prestam o compromisso legal sendo o ato presidido pelo Dr. Zacarias dos Santos, juiz municipal de Pesqueira. às 7 horas da noite realizou-se o banquete oferecido ao coronel Japiassu pelos seus amigos, no hotel "Bolleiro", que estava ornamentado e feericamente iluminado. [...] À noite realizou-se animado baile no Paço Municipal, que estava interno e exteriormente iluminado, prolongando-se as danças até alta madrugada [...].»

1935 – Correio da Manhã, 05-09-1935- tinyurl.com/y76yospc, 5ª col. As programações das comemorações cívicas sempre tinham início na frente da Prefeitura Municipal. Como exemplo, as intensas atividades festivas dos dias 7 e 11 de setembro podem ser avaliadas na edição do Diário da Manhã, de 1935.

Arcoverde-História político  administrativa. 1995. Sebastião Calado Bastos. Brasília-DF. Pág. 74: «Ainda na administração do dr. Coelho foi adquirido na artéria principal um prédio (que posteriormente viria a ser a Sorveteria Caboré) que recebeu adaptações para funcionar como sede da Prefeitura. [...]»

Minha cidade, minha saudade. Rio Branco (Arcoverde). Reminiscências. 1972. Luís Wilson. pág.471.
1937 – O Combate – 30-05-1937. [...]«As audiências cíveis no Juízo de Direito desta Comarca e do Juízo de Órfãos realizam-se às sextas-feiras pelas 14 horas no Edifício da Prefeitura Municipal. As da Provedoria e Feitos da Fazenda Estadual e Municipal serão dadas às terças-feiras, às mesmas horas e no mesmo local.
A Prefeitura Municipal de Rio Branco, naquela época, ficava no prédio de duas portas de frente, entre a “Casa Sálvio Napoleão” e a “Padaria Caprichosa”, de Mário Caboré”.

A segunda sede da Prefeitura Municipal:


 1936 - Diario da Manhã – 13-09-1936 – 6ª col. PLANTA TOPOGRÁFICA RIO BRANCO
Nesta planta podemos observar que, apesar do grande desenvolvimento que vivia Rio Branco, ainda era pequena a nova cidade. O Riacho do Mel ladeava as poucas avenidas e ruas, como bem confirmam as fotos daqueles anos 30.


O destaque acima de uma foto de 1933 do livro Minha cidade, minha saudade. Rio Branco (Arcoverde). Reminiscências. 1972. Luís Wilson, pág. 323, mostra no 3º prédio à esquerda, na esquina, então açougue público municipal (hoje ACA – Associação Comercial e Empresarial de Arcoverde, ao lado da câmara municipal goo.gl/maps/f7jaK), e, na esquina oposta, na praça do livramento, as três casas adquiridas em 1938 na gestão do prefeito Delmiro Freire, para futuro edifício da prefeitura municipal. Ao fundo destas, as duas torres da antiga igreja do Livramento.

1938 - Diario da Manhã, 11-10-1938, tinyurl.com/y88vzkzw, 6ª col. «De Rio Branco - Tenho satisfação de comunicar vossência acabo efetuar pagamento desapropriação grupo três casas rua principal cidade valor 4:000$000 as quais serão demolidas a fim de ser no local construído Paço Municipal cuja obra tenho objetivo iniciar brevemente. (a) Delmiro Freire, prefeito.»

1939 - Diario do Estado - 14-11-1939, bit.ly/1E200jj ,1ª col.: «Inauguração de bueiro de 22 m ligando a rua Padre Roma com prç. João Pessoa e escola Cardeal Arcoverde recentemente construída bem como assentamento da pedra fundamental do futuro edifício da Prefeitura Municipal, Tenente Olímpio Marques, prefeito.»

1940 – Diario da Manhã – 01-08-1940, tinyurl.com/yc7koztp , 3ª col. «Interventor Agamenon Magalhães (foto dos eleitos)… “A tarde, prosseguirá viagem até Rio Branco onde inspecionará as obras de construção do prédio destinado ao Paço Municipal.»
Diario de Pernambuco - 3-08-1940: goo.gl/xrDjVz , 3ª  col. Mesma notícia acima.



1941 - A Manhã (RJ), 07-09-1941  - goo.gl/bV89Qb , 2ª col.: “O interventor Agamenon Magalhães inaugura em Rio Branco o Paço Municipal.” Mais: 10-09-1941, goo.gl/dXlGpp , 1ª col.

Minha cidade, minha saudade. Rio Branco (Arcoverde). Reminiscências. 1972. Luís Wilson. Pág. 400. «João Rafael  em 1945, vendeu o “Ponto Certo” a Mário Caboré [...].»



Em frente ao caminhão, que aparece nesta foto, está o açougue público inaugurado em 1925 (na atualidade goo.gl/maps/f7jaK - ver também edição anterior: goo.gl/XggCjX ), em frente “à rua que vai para Buíque”.  Foto do acervo O. e C. Neves, por cortesia do Sr. Carlos Carvalho (Recife).


 No canto esquerdo aparece pequena parte do açougue público, na outra esquina a PMA, ainda sem quiosques (ver imagem abaixo). Paralelamente à av. Antonio Japiassu, algumas casas na rua Zeferino Galvão. Foto do acervo O. e C. Neves, por cortesia do Sr. Carlos Carvalho (Recife).


Arcoverde-História político  administrativa. 1995. Sebastião Calado Bastos. Brasília-DF. Pág.103
«O tenente Olímpio Marques de Oliveira, que esteve à frente do executivo de 25 de maio de 1939 a 22 de setembro de 1943, realizou muitas obras. […] No seu segundo ano de governo, foi alienado o patamar da igreja de Nossa Senhora do Livramento para construção de um prédio de dois pavimentos, para abrigar a prefeitura e o fórum, edificação que serviu de sede ao Poder Executivo Municipal até a administração  Arlindo Pacheco. A proposta de alienação, de início, sofreu grande resistência por parte do Pe. Luiz Wanderley Simões (1915-   ) e dos Vicentinos, pois argumentavam que a construção de um prédio ali tiraria a vista da igreja. Mas, finalmente, igreja e prefeitura chegaram a um acordo.»
Pág. 141 - «[…] A Escola Monsenhor Fabrício - apesar de muitas informações em contrário - pertencia à Prefeitura. Quando o tenente Olímpio, como prefeito, resolveu construir o prédio da prefeitura ao lado da igreja de Nossa Senhora do Livramento, propôs a troca da escola pelo espaço contíguo à igreja. De início houve muita resistência por parte dos Vicentinos. Porém, após alguns entendimentos, aconteceu a permuta. Essa permuta, por delegação do Vaticano, foi assinada pelo Pe. Luiz Wanderley Simões, representando a Igreja. Tal documento foi entregue ao Pe. Luiz como souvenir, pouco tempo antes da morte desse clérigo, por Murilo Lira.»



O prédio da segunda prefeitura estava cedido à Secretaria de Desenvolvimento do Governo do Estado para funcionamento da Agência do Trabalho e em fevereiro de 2017 houve um incêndio, ficando desativado desde então. Foto Jornal de Arcoverde, janeiro 2018.

O terceiro (e atual) prédio da Prefeitura Municipal de Arcoverde:

Arcoverde-História político  administrativa. 1995. Sebastião Calado Bastos. Brasília-DF.Pág.184 - «Arlindo Pacheco, como prefeito, construiu o novo prédio da prefeitura na avenida Pinto de Campos.»

1976 - Diario de Pernambuco - 25-12-1976, goo.gl/6bRdmc , 6ª  col. «O Palácio Municipal já em fase de conclusão. Deverá ser inaugurado pelo atual prefeito, capitão Arlindo Pacheco de Albuquerque.»

1977 – Diario de Pernambuco -  30-01-1977 - goo.gl/sNTYKq  4ª  col. «O novo Palácio Municipal foi inaugurado pelo prefeito Arlindo Pacheco de Albuquerque.»

No dia 31 de janeiro de 1977 teve posse o sr. Áureo Bradley e seu mandato foi prorrogado até 31 de janeiro de 1983.


O atual prédio da Prefeitura Municipal de Arcoverde se localiza na rua Cap. Arlindo Pacheco de Albuquerque, 88. Centro. (Foto Jornal de Arcoverde, janeiro 2018).

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Energia elétrica em Arcoverde

Por: Pedro Salviano Filho
(Coluna Histórias da Região - edição N. 300 de outubro e novembro de 2017 - Jornal de Arcoverde)

Foi em dezembro de 1919, um mês após seu casamento, que o dinâmico empreendedor, cel. Augusto Cavalcanti, inaugurou a luz elétrica, essencial para o funcionamento do Cine Rio Branco, outra novidade sua, na então Vila Rio Branco (terceiro topônimo de Arcoverde). 
Como postes de iluminação, eram utilizados trilhos da rede ferroviária que aparecem em muitas fotos da época.
O rápido desenvolvimento econômico que ocorria tornou o singelo motor, movido a óleo, insuficiente para acompanhar o ritmo, fazendo os gestores procurarem alternativa, em 1929, nos motores da Sanbra, que durou até 1948, quando a iluminação pública de Arcoverde passou a ser fornecida pela Elfasa (Empresa de Força e Luz de Arcoverde), sociedade de iniciativa particular.
Com a inauguração, em 15 de janeiro de 1955, da Usina Hidroelétrica de Paulo Afonso, finalmente surgia a solução para o grande problema da energia elétrica em toda região. 
Na gestão do prefeito Murilo de Oliveira, em 1956, começava a construção da rede de alta tensão para, no dia 1º de março e 1957, ocorrer a inauguração, com a chegada definitiva da luz da Chesf.


Este recorte do jornal carioca Correio da Manhã,do dia 02-01-1920goo.gl/2psxPF,  7ª col. novamente esclarece a data correta das inaugurações da luz elétrica e do cinema em Arcoverde: dezembro de 1919. Mais informações: goo.gl/2vi7zf.


Foto de 1933/34, do livro Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e Outras Notas. Luís Wilson, 1982. Ao fundo o “Serrote do Cruzeiro”. No prédio à esquerda do“Beco do Motor da Luz” (depois conhecido como “Beco do dr. Luiz Coelho”), era onde ficava o motor. Atualmente é Rua Vitorino José Freire: goo.gl/C9FwA6 


Primeira fachada, onde aparece o nome “Cinema Rio Branco”. Detalhe de foto de 1932, do livro Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e Outras Notas. Pág. 176, Luís Wilson, 1982.

Pesquisando o tema em algumas publicações compartilhamos os fatos a seguir com os leitores:

15-01-1920 - Jornal do Recife ,goo.gl/Wa1FEI , 7ª col.: «[...] - O cinema "Rio Branco" tem proporcionado encantadoras "soirées" aos seus "habitués". A luz elétrica, quer pública, quer particular, fornecida pelo coronel Augusto Cavalcanti, continua regular, esperando este cavalheiro entrar em acordo com o município afim de melhor servir ao público em geral. Presentemente o coronel Augusto Cavalcanti fornece gratuitamente a iluminação pública o que vem provar a sua boa vontade de colaborar no progresso de Rio Branco. Rio Branco, 11-1-1920 (Do Correspondente). »[Sobre o cinema goo.gl/irNlDe].

Arcoverde. História político-administrativa, 1995. Brasília-DF. Sebastião Calado Bastos.
Pág. 54 - «O Cel. AntonioJapyassu, em 1929, assinou um contrato com a Sanbra (Sociedade Algodoeira deu Nordeste Brasileiro), para fornecimento de luz elétrica. Como consequência, a cidade passou a dispor de um melhor serviço de iluminação pública e particular. »
Pág. 79 - «Ocorrendo um colapso no sistema de luz da cidade, o dr. Luis Coelho e alguns amigos, mesmo enfrentando dura oposição, conseguiram reabilitar-se-lo, sendo pois fundador e presidente da Elfasa - Empresa de Luz e Força de Arcoverde S/A.
Estava solucionado o problema de energia, pois essa empresa prestou inestimáveis serviços até a chegada da Chesf.»
[12-02-1956Diario de Pernambuco, goo.gl/i1ynXd3ª col. Convocação deAssembleia Geral.]
Pág. 122: «[Severiano José Freire Filho] Em 26 de outubro de 1947 foi eleito prefeito do município,"[...] Também durante sua administração, particulares fundaram a ELFASA (Empresa de Luz e Força de Arcoverde S/A) pois a energia elétrica era fornecida à cidade com bastante deficiência pela Sanbra, que tinha contrato assinado com a prefeitura desde 1929.»
Pág.142. «[...] Já estando Murilo à frente dos destinos de Arcoverde, o velho Diário de Pernambuco de março de 1956 noticiava que o Secretário de Viação, após despacho com o Governador Interino José Francisco, autorizara a construção da rede de alta tensão da cidade, bastando que a Chesf levasse até o município a linha de distribuição. E que a verba para esses serviços seria repassada pelo Fundo de Energia Elétrica, O Secretário Leal Sampaio declarava aos jornalistas que o Estado se encarregaria da construção da rede na cidade cuja potência seria igual à da Capital (13.800 kilowatt) em 60 ciclos.
Por essa ocasião o Dr. Paulo Parisio, que representava a Chesf no Estado, informava ao prefeito que os três transformadores já se encontravam em Recife e que a Companhia já estava providenciando a ligação dos cabos condutores de Pesqueira a Arcoverde.
Em 23 de junho de 1956, através de ofício, o prefeito dirigia-se ao Gal. Carlos Berenhouser Junior, Diretor-Comercial da Chesf, dando conta das providências que a prefeitura estava adotando, como a remodelação da rede distribuidora e a chegada de grande parte do material necessário, ou seja, postes, fios, isoladores e cruzetas. Logo em seguida, dia 28, o Dr. Berenhauser enviava do Rio telegrama ao prefeito Murilo de Oliveira, congratulando-se com este pelos esforços empreendidos, o que possibilitava abreviar o prazo para a chegada da luz elétrica ao município.
No mês seguinte, em julho, Murilo esteve em Paulo Afonso com o Dr. Alves de Souza, presidente da Chesf, ocasião em que essa autoridade prometeu chegar com a linha de transmissão a Arcoverde no mês de novembro. Entretanto, dificuldades técnicas não o permitiram.
Em setembro de 1956 o diretor do DAE, engenheiro Telmo Maciel, através do ofício n. 1.101 informava ao prefeito a pretensão do Governo em administrar diretamente os serviços de energia, com a criação do Serviço de Industrialização de Luz e Força de Arcoverde (Silfa), como consequência da encampação da empresa fornecedora de energia elétrica.
Nesse mesmo mês estiveram na cidade os engenheiros Gadelha e Nigri, da Chesf, para o acerto em definitivo da questão do terreno destinado à instalação da subestação abaixada que serviria a cidade de energia farta e barata.
A esta altura surgiria um complicador. Escolhido o local, formou o prefeito uma Comissão de três pessoas (Pedro de Oliveira, Félix de Paiva e Secundino Lúcio dos Santos), para que fosse avaliado o terreno onde seria instalada a subestação. A prefeitura necessitava desapropriar um hectare no Bairro da Boa Vista, de uma propriedade de dois mil hectares entre Pesqueira e Arcoverde.
Essa área, a ser doada à Chesf, foi avaliada em trinta mil cruzeiros. O proprietário exigia cem mil. Nem um centavo a menos.
Não houve como conciliar o preço exigido e o estipulado pela Comissão. Teve Murilo que recorrer à Lei n. 3.365, de 21 de junho de 1941, editada por Getúlio Vargas, dispondo sobre desapropriações por utilidade pública. Verificando-se os arquivos da prefeitura, ficou constatado que o proprietário da gleba de dois mil hectares pagava impostos com base em declaração de que o mesmo valia hum mil cruzeiros.
Baixou então o prefeito a Lei Municipal n.331, de 16 de novembro de 1956, desapropriando, por utilidade pública, uma gleba de terra medindo 100 x 100 metros, a ser desmembrada da Fazenda Boa Vista, da propriedade Aldeia Velha, destinada à construção da subestação da Chesf, por Cr$ 5.000,00. Como o proprietário não concordava com esse valor, foi feito o depósito em seu nome no Banco do Brasil
Com base no Decreto Municipal n. 1, de 17 de novembro de 1956, o chefe do executivo assinou a respectiva escritura pública de doação à referida Companhia.
Essa atitude, necessária para que Arcoverde recebesse a luz de Paulo Afonso, causou sérios transtornos políticos ao prefeito, em vista do rompimento que se verificou tanto com o proprietário do terreno quanto com o próprio vice-prefeito, entre outros.
Por se tornar necessário readaptar a rede elétrica, vários problemas técnicos foram enfrentados junto ao Departamento de Águas e Energia da Secretaria de Viação e à CHESF.
Em dezembro de 1956 a rede de transmissão Pesqueira-Arcoverde, confiada à firma "Morrison", já estava instalada. No perímetro urbano estava em fase de conclusão o primeiro circuito, que partia do Bairro da Boa Vista em demanda à Av. Pinto de Campos. Em seguida eram iniciados os trabalhos o segundo circuito, o qual terminava no depósito da Shell, próximo ao Campo de Aviação.
Além da doação do terreno para a subestação, a prefeitura cedeu um prédio para o almoxarifado do DAE e colocou pessoal e material à disposição desse Departamento.
Valeo o esforço, justiça se faça. O determinismo de Murilo estabelecera o fiat lux. E numa sexta-feira, dia 1º de março de 1957, em Arcoverde fez-se luz.
A Avenida Zeferino Galvão (Rua da Linha) era o cartão postal da cidade para aqueles que viajavam de trem.
O prefeito Murilo preocupou-se com o aspecto plástico dessa artéria, visando mostrar a realidade da urbe.
Empreendeu, então, a construção do cais dessa avenida, obra esta que seus adversários e detratores insistem em citar como sua única realização.
Como infraestrutura dessa obra, foi construída uma galeria de médio porte, com cerca de oitocentos metros de extensão, indo do prédio da antiga Pinto Alves até a residência de José Bezerra, toda escavada em moledo duro e recoberta com lajões, sobre a qual foi colocado o calçamento. Também ali o governo municipal construiu a extensão  da rede abastecera de água, em ferro fundido de três polegadas, assentada pela calçada do lado par, derivada da tubulação de oito polegadas à altura do prédio da Sanbra, atual Cecora.
A arborização em flamboyant, nas laterais e centro da avenida, foi feita a partir de pequenas mudas cedidas pela prefeitura de Recife.
Há de se registrar que o governo municipal teve de enfrentar um grande problema em relação a essa obra.
A Rede Ferroviária do Nordeste (RFN) embargou a construção do Cais da Rua da Linha, exigindo vinte metros para cada lado da linha férrea.
Acionado pelo prefeito Murilo de Oliveira Lira, o Cel. José Bezerra resolveu a demanda, junto ao Ministro José Américo.[...].»


Minha cidade, minha saudade.  Rio Branco (Arcoverde). Reminiscências. 1972. Luís Wilson
Pág. 306  -«Os postes da iluminação pública eram poucos e de trilhos da Great Western. Lá no alto, uma lâmpada de 5 ou 10 velas, com um chapeuzinho em cima. Quase em frente à nossa casa, exatamente na divisa do chalé do dr. Leonardo Arcoverde com a atual residência do dr. Luiz Coelho, havia um daqueles postes, onde eu, à noite, e mais dois ou três amigos, batíamos, às vezes, com uma moeda, das grandes, de 200 réis, e era uma batucada que devia encher todo o mundo. No fim da rua, na entrada do beco que vai para Buíque, recordo-me de outro poste, embaixo do qual conversava, até altas horas, o meu velho amigo Mário Caboré. Só subia para a "Vila Almerinda"depois que a luz dava o sinal de apagar-se.»


Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e Outras Notas. 1982. Pág. 176, Luís Wilson.

Pág.86. «[...] Ainda em 1917 [1919], Augusto Cavalcanti (Augusto Mouco), ilumina também com luz elétrica a sua cidadezinha. O motor ficava no beco que dá passagem de nossa atual av. cel. AntonioJapiassu para a rua Velha, hoje, "Beco do dr. Luís Coelho. Era antes o "Beco do motor da luz”. Nossas ruas não foram iluminadas antes com campeões de gás, como aconteceu com as do Recife, as de Pesqueira e as de outras cidades do interior do Estado, não tendo tido, assim, Olho d'Água dos Bredos ou Rio Branco, em outra época, o seu "acendedor de lampiões".[...] Ainda naquele ano de 1917, a Rua Velha (nossa primeira rua, passa a ser denominada "Rua Leonardo Pacheco Couto”.)»

Pág. 103 - «A Sanbra, cujos edifícios foram inaugurados no dia 8-12-1919, era nosso principal estabelecimento fabril, acionado por dois motores Deutz de 265 HP, mantendo no período da safra cerca de 200 operários.»

Pág. 122:  «1929 - «O cel. AntonioJapiassu, prefeito do município, assina um contrato com a "Sanbra"para o fornecimento de luz elétrica a Rio Branco, que passa a ter um melhor serviço de iluminação pública e particular. Com o velho motor do cel. Augusto Cavalcanti ficávamos, vez por outra, 10, 15 e 20 dias sem luz. Voltávamos às candeias de azeite, às velas (primitivamente de sebo, depois de cera e depois, ainda, de estearina ou de espermacete), aos bicos de "carbureto", de ótima luz (mais utilizados em nossas casas de comércio, das 5 e meia ou das 6 às 8 e às 10 horas da noite), aos alcoviteiros (candeeiros de flandeiros, surgidos depois que na quarta década do século passado apareceu o gás líquido ou o querosene), aos candeeiros com mangas de vidro, de parede, ou de suspensão (a estes últimos chamados "candeeiros belgas") e às lâmpadas à álcool.»

Pág. 167: «1948 - A iluminação pública de Arcoverde passa a ser fornecida pela Elfasa (Empresa de Força e Luz de Arcoverde), sociedade de iniciativa particular, fundada a 28 de junho, por elementos de projeção da cidade. Substituíra a Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro - Sanbra, com a qual o município tinha um contrato desde o ano de 1929 (administração cel. AntonioJapiassu).»

Pág. 183: «1955 - Inauguração, a 15 de janeiro, da Usina Hidroelérica de Paulo Afonso, pelo presidente Café Filho, entrando em funcionamento com 2 grupos geradores de 60.000Kv, cada um, tendo sua capacidade projetada para a capacidade de 1.000.000 de Kw.»

Pág. 184:«1957 - No dia 1º de março Arcoverde é beneficiada com luz e força da Cachoeira de Paulo Afonso, acendendo-se as lâmpadas de suas principais ruas. Luís Gonzaga e José Dantas (intérpretes extraordinários da alma do Sertão e de sua gente) nos dariam alguns anos depois (1965) o baião “Paulo Afonso”[goo.gl/vr3wwB]:

«Delmiro deu a ideia
Apolônio aproveitou
Getúlio fez o decreto
E Dutra realizou
O Presidente Café
A Assim inaugurou
E graças a esse feito
De homens que têm valor
Meu Paulo Afonso foi sonho
Que já se concretizou
Olhando pra Paulo Afonso
Eu louvo o nosso engenheiro
Louvo o nosso cossaco
Caboclo bom verdadeiro».



Foto de 1922.  Na hoje Av. cel. Antonio Japiassu. Postes de iluminação pública. Foto do livro Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e Outras Notas. Pág. 44, Luís Wilson, 1982. E do  livro Minha cidade, minha saudade.  Rio Branco (Arcoverde). Reminiscências. 1972. Luís Wilson. Pág. 39.


1933 - Postes de iluminação na ora Av. Cel. AntonioJapiassu. Do livro Minha cidade, minha saudade . Rio Branco (Arcoverde). Reminiscências. 1972. Luís Wilson. Pág. 323.


Foto de 25-10-1933 da então av. João Pessoa (hoje col. Antonio Japiassu), onde à esquerda aparece o grupo escolar Sérgio Loreto (depois de 1930, grupo Escolar Quatro de Outubro, hoje Secretaria da Fazenda, Agência da Receita Estadual, Sefaz (goo.gl/maps/beXrt), Escola Monsenhor Fabrício (recém demolida) e o cinema Rio Branco. Foto do livro do livro Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e Outras Notas.  Luís Wilson, 1982.


Murilo de Oliveira Lira (prefeito, de 1955 a 1959). Na primeira imagem, aos  18 anos, em 1942. Acima, inspeciona a montagem da linha de transmissão entre Arcoverde e Pesqueira. Abaixo imagem de Murilo de Oliveira, já residindo em Recife, no ano de 1984, aos 60 anos de idade. (Fotos: acervo da família).

18-10-1945 - A Noite,bit.ly/1IdqcKZ, 9ª col.: «Arcoverde - Em meu nome e no das classes produtoras deste município, manifestamos nossos aplausos pelo ato benemérito de V. Excia. consubstanciado no decreto de criação da Cia. Hidro Elétrica de São Francisco, que vem demonstrar a todos os brasileiros conscientes, a atitude progressista do Governo de V.Excia. Respeitosas saudações - Severiano Freire, prefeito.»
1947O Cruzeiro. goo.gl/bzSfc5  Um novo surto de prosperidade para o Nordeste.
29-08-1951 – Diário Oficial,  bit.ly/1IuAA0i,  Encampação Elfesa; 02-09-1951 – Mais, 11-09-1951, bit.ly/1IdDes1, Sugestão de requerimento à Chesf para inclusão de Arcoverde. bit.ly/1OFI31h, Mais: 11-09-1951, bit.ly/1KELdo2, Requerimento 375; Mais: 22-09-1951, bit.ly/1JW978M, Parecer 752. 
1955 O Cruzeiro – Salvação de Paulo Afonso. goo.gl/JeYdF1

2007 – Como surgiu a Chesf - goo.gl/tL9tKd

2007 - Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco). goo.gl/vA51dt

2016 História da Celpegoo.gl/ufj8tq. Energia em Pernambuco.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Correios em Arcoverde

Por: Pedro Salviano Filho
(Coluna Histórias da Região - edição N. 299 de agosto e setembro de 2017 - Jornal de Arcoverde)


Agência da E.C.T.- Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, localizada à Praça Barão do Rio Branco, 9, Centro - Arcoverde, Pernambuco.


E.C.T. localizada à Avenida José Bonifácio, 632, São Cristóvão - Arcoverde, PE. (Fotos Jornal de Arcoverde, setembro de 2017)

Foi em 2 de janeiro de 1883 (há 134 anos!) que os Correios começaram a funcionar em Arcoverde (então Olho d´Água dos Bredos, nosso segundo topônimo). 
Em 1951,Teófanes Chaves Ribeiro publicou em seu livro que “sua população era servida por uma agência Postal instalada em 1910”. Esta informação, que não pudemos confirmar em pesquisas, foi reproduzida em alguns outros livros sobre o nosso município. 
Somente em 1933 foi inaugurado o prédio da sua agência, na Praça Barão do Rio Branco. 
Agora um convite aos leitores para um passeio sobre a história dos Correios, visitando inicialmente alguns livros e também jornais da época e esclarecendo alguns pontos históricos.

1951 - O Município de Arcoverde, Teófanes Chaves Ribeiro, 1951, Arcoverde,Prima.

Pág.3: «Vale salientar que, já naquela época, sua população era servida por uma Agência Postal instalada em 1910
Pág. 16: «Serviço Postal - Uma agência Postal de 2ª classe, funciona na sede, cujo agente é o sr. Gerson Tavares Campos. Edifício próprio confortavelmente instalado, onde funcionam correios e telégrafos.
Serviço telegráfico - Arcoverde dispõe de grande facilidade quanto ao serviço telegráfico, pois além do Telégrafo Nacional, de que é sede, fá-lo ainda através da Estação da Rede Ferroviária do Nordeste e da Estação de Rádio Telegrafia da Polícia Militar do Estado, instalada no edifício do cine Teatro Bandeirante, cuja inauguração foi efetuada em 20 de junho de 1950. A renda do serviço telegráfico, no Nacional, em 1950, foi de Cr$ 115.181,10.»
Comentário sobre o livro: 23-10-1951 -  Diario de Pernambuco, 2ª coluna (Um município sertanejo): goo.gl/n3DznT

Minha cidade, minha saudade, Recife-PE, 1972 - Luís Wilson, 

Pág. 55: «[...] São filhos de Leonardo Pacheco de Albuquerque (6º  filho de Leonardo Duque): Valério (antigo funcionário dos Correios e Telégrafos em Rio Branco) falecido [...].[…] Leonardo Pacheco de Melo, que casou com D. Maria e são filhos do casal: 1 - Leonardo Pacheco Luna (Cambirimba), que foi o primeiro agente do Correio em Rio Branco), […]»


Pág.  138: «Dona Almerinda, sua esposa (hoje, com mais de 90 anos de idade), era agente do Correio, em uma casa na rua do Jatobá. A Agência mudou-se depois para a rua das Lombrigas. Antônio Napoleão, o filho mais velho do casal, fazia o serviço da Agência , ou ajudava dona Almerinda [...].»


Pág. 178: «... Nosso velho amigo Chico Numerador (Numerador, contou-me Milimba, foi um nome que veio do fato de "seu"Chico numerar dormentes, numa estrada, onde trabalhou, antes de fazer a mesma coisa com as cartas do Correio, em Rio Branco), era pai de 6 filhos [...].»


Pág. 232: «Em 1928 chegou a Rio Branco um telegrafista, no qual botaram o apelido de "Escanzinado", ou se chamava mesmo "Escanzinado". Tinha 3 filhos: um rapaz, chamado Ubirajara, e duas moças. João de "seu"Tito (João de Barros Correia) começou a namorar com uma das filhas de "Escanzinado", de nome Ivone, que uma tarde apareceu na loja, com 3 amiguinhas..... »


Pág. 340: «Vez por outra eu levava cartas de Belinha [1926] para botar no Correio que ficava depois da residência de Napoleão Xavier, perto da Igrejinha de Nossa Senhora do Livramento, na casa de Chico Numerador.»


Pág. 400: «João (que em 1945, vendeu o "Ponto Certo"a Mário Caboré) e Rosália, funcionária dos Correios e Telégrafos, desde 1952 [,,,].»


Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. Recife, 1982. Luís Wilson.
1910 (pág. 78)-«É instalada uma Agência Postal em Olho d'Água dos Bredos. Mais ou menos entre os anos de 1918 e 1929 era seu "agente"- Francisco Inácio de Freitas (Chico "Numerador"), pai de D. Maria (esposa de Aprígio Estevam Tavares), Quitéria (mãe de Maviael de Oliveira, que faz muitos anos, vive em João Pessoa, Estado da Paraíba), Zulmira (que casou com Napoleão Xavier, irmão do professor Elesier Xavier, ambos de Triunfo), e Manuel e José de Oliveira. Chamavam-no "Chico Numerador, porque numerava os dormentes da "Great Western", quando trabalhava naquela estrada, antes de vir para Rio Branco. O primeiro "agente" de nosso Correio foi Cambirimba.»

1933 (pág. 135) -«Neste ano ou no anterior, inauguração de nosso novo prédio dos Correios e Telégrafos, a um lado da caixa d'água da Estação da "Great Western" (lado esquerdo), presentes entre outras autoridades: Dr. Luís Coelho (prefeito do Município), Dr. Francisco Saboia (chefe da Comissão de Estudos e das Obras Contra Secas em Pernambuco e Alagoas, com sede em Rio Branco), Catuária Barreto (chefe do escritório daquele Serviço), Cel. Jerônimo Cavalcanti de Albuquerque Jé (tabelião público), Euclides Arantes (juiz municipal em exercício), Antônio Napoleão Arcoverde (Secretário da Prefeitura e diretor-proprietário de O AMIGO DO MATUTO), José Sampaio de Barros (funcionário federal), Joel de Holanda Cavalcanti (coletor estadual), Cel. Manuel Sinuca Mulatinho (comerciante), Demócrito Japiassu (coletor federal), Ernesto Lima (gerente de Pinto Alves e Cia. e da Sanbra, Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro) e Paulo Augusto de Oliveira (diretor do SERTÃO JORNAL em Rio Branco).»

Baboseiras. Waldemar Arcoverde. Avellar Gráfica e Editora, 1991.
Pág. 12. «D. Almerinda era também agente do Correio, ganhando vinte ou vinte e cinco mil réis por mês, dinheiro que nunca chegava em tempo e às vezes nem fora dele, mas a política ouvindo políticos mais influentes e mais políticos, demitiu D. Almerinda, sem mais aquela.»

Um resumo da história dos Correios está disponível no site dos Correios: goo.gl/KDBG7g

1809 – Ilustração Brasileira, 1922, goo.gl/a6dEHR , 2ª  col. «Decreto firmado pelo príncipe-regente D.João, depois D. João VI, organizando no Brasil a Repartição dos Correios.»

23-03-1882 - Jornal do Recife, goo.gl/KGaiPh , 2ª  col. «Abaixo assinados, moradores e proprietários no distrito de Olho d´Água dos Bredos da freguesia de Cimbres - Informe o Sr. Administrador  dos correios.»

30-12-1882 - Jornal do Recife, goo.gl/3U16UT ,5ª  col.«Administração dos Correios de Pernambuco. Faço público que do dia 2 de janeiro vindouro começa a funcionar a agência do correio da povoação de Olho d’Água do Bredos, comarca de Cimbres, sendo a mala expedida nos dias 2, 7, 12, 17, 22 e 27 de cada mês. Administração dos Correios de Pernambuco, 29 de dezembro de 1882 - O administrador, Affonso do Rego Barros.». Igual conteúdo, mesmo jornal, col.2, em 01-01-1883: goo.gl/1SA1VP

16-05-1885  - Jornal do Recife, goo.gl/KC2ets ,  1ª col.«Edital - Correio Geral - Condução de malas terrestres. Esta repartição de conformidade com a Circular da Diretoria Geral de 13 de abril, aceita propostas até o dia 15 de junho vindouro, para contrato com particulares que durante o exercício de 1885-1886, se quiserem encarregar, por arrematação, do serviço da condução de malas postais para o interior da província, partindo desta cidade para as seguintes linhas de correios:[…] Petrolina - 960 quilômetros, expedições nos dias 2, 7, 12, 17, 22 e 27, viagem máxima de 32 dias de ida e volta, passando por Olho d’Água dos Bredos, Floresta, Cabrobó e Boa Vista; “[…] Correio de Pernambuco, 14 de maio de 1885. O administrador Afonso do Rego Barros.»

20-08-1904 - Jornal do Recife, goo.gl/YEdDer , 7ª  col.«Agentes postais. Por ato de ontem do dr. Administrador dos Correios […] por ter de retirar-se da localidade em que reside, foi exonerada do cargo de agente de Correios de Olho d’Água dos Bredos, d. Francisca Eleutéria de Mello e nomeada em substituição d. Jovina Maria dos Santos.»

18–05-1912 - Jornal do Recife, goo.gl/ukNeQm , 5ª col.«Pedimos para que soliciteis da administração dos correios, prolongar até a estação Barão do Rio Branco (Olho d’Água dos Bredos) a viagem do carteiro que transita nos trens de segundas, quartas e sextas feiras, até Pesqueira, a fim deste conduzir diretamente, mala para Olho d’Água dos Bredos, onde já tem agência postal, cujo correio para ali tem sido nas segundas e quintas feiras, seguindo de Pesqueira a pé até ali. É justo e necessário a bem da repartição e do comércio, que o digno administrador atenda este pedido. Agradecemos vosso concurso. Recife, 17 de maio de 1912 - Vossos assinantes.»

19-05-1912 - Jornal do Recife, goo.gl/ysdn8K , 8ª col.«Repartição dos Correios. A 1ª  seção da administração dos Correios, devidamente autorizada, fornece à imprensa, para conhecimento do público o seguinte: Com referência às reclamações na “Província”, “Pernambuco”e “Jornal do Recife” de hoje relativas à condução de malas para Olho d’Água dos Bredos diretamente pela Great Western, o administrador manda informar o seguinte:  As providências solicitadas, são de exclusiva competência da diretoria geral (à qual  esta administração já deu conhecimento do prolongamento da estrada de ferro até aquela localidade, aguardando a respeito as necessárias ordens. As expedições de malas para a agência Olho d’Água dos Bredos verificam-se nos dias pares de cada mês e não somente nas segundas e quintas feiras como alegam os reclamantes, sendo de notar que os respectivos malotes que partem de Pesqueira e fazem o trajeto da viagem à pé, utilizam-se agora da Great Western para transportá-los.»

10-09-1912 - Jornal do Recife, goo.gl/PVrrLQ , 5ª col. «Repartição dos Correios […] a) suprimir  linha do correio de Pesqueira a Vila Bela por Olho d’Água dos Bredos e Alagoa de Baixo. b) criar uma linha de correio entre Olho d’Água dos Bredos e Vila Bela por Alagoa de Baixo; c) prolongar até Olho d’Água dos Bredos a Este da Central de Pernambuco a Pesqueira. Dando cumprimento à mesma reclamação, determinou o sr. administrador seja instalada no dia 22 do corrente a nova linha de Olho d’Água dos Bredos à Vila Bela por Alagoa de Baixo, para a qual transferiu os estafetas João Ferreira Leite, Mathias Ferreira Leite, Antônio José dos Santos, Sebastião Ferreira Leite, João Rodrigues Alves de Freitas, Thomas Ferreira Leite e João Severiano, da linha da linha ora extinta, de Pesqueira à Vila Bela, sendo estabelecido em sete o número de estafetas, devendo as respectivas malas ser fechadas nesta administração aos domingos, terças e quintas feiras, a começar de manhã, além do que a partida dos estafetas, no ponto inicial da linha, se verifique nas terças, quintas e sábados, às primeiras horas do dia, ficando marcado o prazo de 12 dias para a execução das viagens de ida e volta. Outrossim, sendo estabelecido novo horário para as expedições de Olho d’Água dos Bredos e Vila Bela e estando esta linha em comunicação com as de Vila Bela e Ouricuri por S. Francisco, S. José de Belmonte, Salgueiro e Leopoldina e Leopoldina e Exu, por Granito, foi recomendado que as expedições para essas últimas linhas possam ser feitas por esta repartição às quintas feiras e domingos, a começar do 12 do corrente. Fica designado o próximo dia 11 para ter lugar a primeira viagem dos condutores de malas até Olho d’Água dos Bredos, cujas malas devem ser fechadas pela agência central, que continuará a fazer expedições até Pesqueira nos dias em que o trem não chegar ao ponto terminal da linha. E como há muito tenha desaparecido a linha de Central e Vitória, figurando tão somente uma linha com a denominação de Central de Pernambuco a Olho d’Água dos Bredos, com 4 condutores, determinou o sr. administrador passasse a servir no percurso de toda a linha o condutor de malas José Maria de Holanda Cavalcanti, cabendo ao respectivo agente da Central designar, por escala, diariamente, com exceção aos domingos, um condutor para conduzir as malas até Vitória no trem de 3,50 da tarde, regressando na manhã do dia seguinte.»

29-03-1913 - Jornal do Recife, goo.gl/v8BJSh , 4ª  col.«Por portaria foi nomeado estafeta distribuidor da agência da Estação Central, José Rigueira Mello Trindade. Foi removido da linha Central a Olho d’Água dos Bredos, para a da Central a Vitória, o condutor de malas José Maria de Holanda Cavalcanti. Para exercer o cargo de condutor de malas da linha da Central a Olho d’Água dos Bredos, foi nomeado Antonio de Albuquerque Cavalcanti.».

26-04-1913 - Jornal do Recife, goo.gl/gDQEnt , 2ª col. «Foi criada uma linha entre Olho d’Água dos Bredos a Triunfo, passando por São José do Egito, Afogados da Ingazeira e Flores, com 302 quilômetros de extensão, servida por duas viagens semanais.»

02-07-1914 - Jornal do Recife, goo.gl/qAeWos , 5ª col.«Foi exonerado, a pedido, do lugar de condutor de malas da linha de Central a Olho d’Água dos Bredos, Antonio de Albuquerque Cavalcanti e nomeado, em substituição, Manoel Ferreira dos Santos.»

23-10-1917 –A Provincia, goo.gl/HY7aaN , 6ª col.: «Agência de Correios Olho d´Água dos Bredos  passa a denominar-se Rio Branco».

20-01-1925 - Diario de Pernambuco - goo.gl/e4quWv 2ª col. […]  Por ato de hoje, do sr. administrador dos Correios deste Estado, foi o cidadão José Cândido Galvão nomeado para o lugar de agente de Correio, de Rio Branco, neste Estado com os prazos de trinta e de sessenta dias, respectivamente, para a sua posse no referido lugar e a prestação da fiança da importância de um conto e quinhentos mil réis (1:500$000), a que fica obrigado a fazer afim de poder assumir o exercício de suas funções.

Vistas panorâmicas de Rio Branco em 1925

Álbum de Pesqueira – Rio Branco, adm. Cândido Cavalcanti de Brito 1923/1925; fotos de Nettinho (Severiano Jatobá Netto), cortesia de Marcelo Oliveira, de Pesqueira. As imagens são parcialmente mostradas no livro Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas), de Luís Wilson (pág. 106), e há a citação que foram feitas do “Cruzeiro”.

1927 - Almanak Adm., Merc. e Ind. RJ, goo.gl/wq8e80, pág. 1012, vol.III. 3ª col. «Estado de Pernambuco - municípios Barão do Rio Branco. Vila e sede do 7º distrito do município de Pesqueira, ponto final da estrada de ferro da Great Western ofBrazil Railway Co. da linha partindo do Recife da estação de Cinco Pontas. [...] Possui 900 casas e tem 4.500 habitantes. [...] Repartições e serviços federais. Correio. Agente: José Candido Galvão. Ajudante: José Pacheco Lima. Carteiros: Valério Pacheco de Albuquerque. Francisco Ignácio de Freitas. Telégrafo Nacional. Agente: Manoel Mendonça Junior. Auxiliar: Emílio de Almeida Lima.»

Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. Luís Wilson, Recife, 1982. Pág. 189, com a legenda:«Casas comerciais de Rio Branco, na atual avenida Antônio Japiassu, em 1927. Na primeira casa, à esquerda, esteve durante muitos anos a agência de nosso correio "Chico Numerador").»

20-09-1930 -O  Cruzeiro – Filatelia - goo.gl/kDR1PH 

10-01-1931 - O  Cruzeiro - Correio aéreo -goo.gl/vGU2HE 

13-06-1931O Cruzeiro -  Telégrafo nacional - goo.gl/2pXBeN


1933


Texto do livro Arcoverde. História político-administrativa, Sebastião Calado Bastos, Brasília, 1995, pág .76 :«[Administração Luís Coelho Alves da Silva]. Nessa administração foi inaugurado o novo prédio dos Correios e Telégrafos, para cuja construção concorreu o município com a doação do terreno, das telhas e dos tijolos, dispendendo a importância de 3:300$400.» Foto do livro Ícones. Patrimônio Cultural de Arcoverde, Roberto Moraes, Recife, 2008, pág. 64. Atual: goo.gl/maps/KQ5ZF 

10-01-1933Jornal do Recife, goo.gl/HvFomQ ,1ª col.: «A inauguração do edifício dos correios e telégrafos em Rio Branco. Sobre esse importante melhoramento de que acaba de ser dotado o futuroso município de Rio Branco, neste Estado, recebemos dali as seguintes informações telegráficas. “Com solenidade, acaba de ser inaugurado, novo prédio correio telégrafo sessão presidida doutor Luís Coelho prefeito municipal que pronunciou palavras referentes ação trabalhista governo revolucionário por melhoramento que tanto enriquece patrimônio União e beneficia população local tendo bem instalados serviço postal telegráfico”. Discursou em seguida jornalista Paulo Oliveira diretor "Sertão Jornal" que o referiu ao ato inaugural aludido também benefício acabava prestar governo ao comercio e interessados serviço público correios telégrafos. Solenidade teve presença engenheiro Francisco Saboya, chefe serviços ações funcionários federais estaduais municipais famílias e grupo musical Independentes. Após sessão houve danças e recepção bom acolhimento agente serviço local senhor Oscar Alves dos Santos que foi um dos maiores esforçados para abreviar inauguração novo prédio.»

Telégrafos no Brasil. Destaque (Pernambuco) de mapa de 1944.goo.gl/tKj7vq


03-06-1947 - Diario de Pernambuco, goo.gl/LLdKSF  4ª  col.«[...] Os correios e telégrafos funcionam num prédio feito em 1932, para 1932 [3]! Para os dias que correm hoje um prédio acanhado, onde abnegados funcionários fazem o possível e impossível para bem servir ao público e se este não é melhor servido é que ninguém pode trabalhar vinte e quatro horas por dia. As ruas laterais servem para o depósito do lixo das ruas mais centrais. O caminhão que transporta uma parte do lixo é o mesmo que transporta a carne para o velho e carcomido açougue público.»

20-03-1969. Decreto lei nº 509. Dispõe sobre a transformação do Departamento dos Correios e Telégrafos em empresa pública, e dá outras providências. goo.gl/c8Hqqn

Em correspondência pessoal de Maria Bernadete Galvão [2017],arcoverdense que reside em São Paulo, obtivemos as informações:
«Meu pai, José Cândido de Galvão [citado acima, em 20-01-1925]trabalhou 37 anos nos Correios e foi substituído pelo meu irmão Ismar de Moura Galvão,que lá ficou até a transformação ou seja quando os correios deixaram de ser estatal.
Foi Zeferino Galvão o responsável pela implantação da agência de Arcoverde. Meu irmão entrou como telegrafista, aprendeu com sr. Vital que logo se aposentou. Também eram telegrafistas Odete Vital e Justo Pacheco. Nessa época a tesoureira chefe era Nair Brito. Outros funcionários que consigo lembrar: Jonas, Tito, Carminha, Doralice e Edith Barbosa. »

1971 – Vista aérea de Arcoverde – (O Cruzeiro -18-11-1967 goo.gl/ENvc4R )