sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Higiene sertaneja

Por Pedro Salviano Filho 
(Coluna Histórias da Região - edição N. 295 de janeiro/fevereiro de 2017 - Jornal de Arcoverde) 

 
Apesar de incomum, o assunto ora abordado, não deixa de ser também inusitado na história da nossa região, embora provocativo. Como eram os hábitos e costumes dos nossos desbravadores sertanejos no que concerne aos cuidados de higiene? 
Novamente, recorremos a algumas bibliografias, jornais de época e vídeos para apresentar respostas referendadas e com links para estimular mais pesquisas pelos leitores e, talvez, novos historiadores.

1814 - No livro Elementos de Hygiene, da Academia de Ciências de Portugal. Seção I  Cap  V, pág 25 (48/383), goo.gl/wwE62x, entre muitas curiosidades, ensina-se a necessidade da manutenção saudável das evacuações intestinais: «Devem ter muito cuidado em ter regulares as evacuações Malvinas, usando a ser preciso, de clisteres resolutos, por ex. raiz de taraxaco, fragaria etc., em cozimento; no qual se infunde camomila, arruda etc.»

Vídeos:

Invenções e descobertas - História das regras de higiene, goo.gl/WTZi1T .
Passado a limpo. A história da higiene pessoal no Brasil, goo.gl/gVxBmI , patrocinado pela Kimberly-Clark Brasil. Interessante vídeo, baseado no livro de Eduardo Bueno, narrado por cantadores de cordel.

Minha cidade, minha saudade. Recife, 1972 - Luiz Wilson, página 192

«Oliveira Lima foi a Rio Branco em 1919, acompanhado do prof. Ulisses Pernambucano e de mais 2 ou 3 amigos, num “automóvel de linha” especial. Nas noites em que dormiu, na cidadezinha, Agostinho de Holanda (seu amigo e de sua esposa, dona Flora, de Vitória de Santo Antão e do engenho Cachoeirinha), teve de arranjar um estrado especial e montá-lo em 4 mochos. “Mestre” Fio deve ter trabalhado na cama do conhecido historiador, dois ou três dias.
Um homem imenso, não sei como se arranjou Oliveira Lima no Rio Branco de 1919, hospedado, embora, em uma boa casa construída naquele ano ou no anterior. Até alguns anos passados, a grande maioria dos “sanitários” de nossas casas era um quartinho, em meia água, nos fundos de muros, onde não entraria, talvez, o historiador admirável. No tempo em que eu era menino, uma das poucas residências de que eu me lembro, em Rio Branco, que possuía “sanitário” dentro de casa, era a do Dr. Leonardo Arcoverde. Um dia, o nosso velho e saudoso amigo revoltou-se com um matuto que era seu parente e acabou, no “quartinho” do velho chalé, com um pacote inteiro de papel-higiênico, que o dr. Leonardo comprava no Recife. -“Este tabaréu”, dizia do dr. Leonardo à “comadre” Caró, “acostumado a se limpar com uma pedra, acabou com meu papel-higiênico! Que é que eu vou fazer agora, Caró?».

Velhos e Grandes Sertanejos, 1º vol. Recife, 1978 – Luís Wilson. Pág. 359. Cap. 29:
«Augusto de Albuquerque Cavalcanti (Cel. Augusto Cavalcanti)
No mesmo prédio em que ficava o "motor da luz” de Rio Branco, Augusto Cavalcanti tinha também uma fábrica de angico ou de tanino. Lá atrás, com a frente voltada para o Rio da Rua Velha (ou Riacho do Mel), 5 ou 6 banheiros que uma boa velhinha, avó de Zé da Tapioca tomava conta. Eram, na realidade, os banheiros da cidadezinha e era ali ou em “seu” Jé nos jumentos de Bertino (que trabalhava na residência do Cel. Antônio Japyassu e, entre outros, nos de Expedito e Zé Castigo.
A água boa, a água de beber iam buscar na Serra das Varas, uma ou duas vezes por semana.»

Cronologia pernambucana, 2014, Recife, Nelson Barbalho, página 189 - vol.19
3022
 «O Diário de Pernambuco, de 05 de novembro de 1833,[referência não confirmada em goo.gl/O9WliS ] na seção de anúncios, dizia estar à venda, como novidade na Província, “um banheiro de folha de flandres”. Até então mesmo entre as famílias mais finas da capital ou do interior, o banho mais característico de todos era “o de gamela e o de assento, dentro de casa. O banho de cuia”, como informa Gilberto Freire (Sobrados e Mucambos, I, 196-197) [ goo.gl/7CMpzK ]  que comenta e ensina: “Os anúncios dos jornais da primeira metade do século XIX estão cheios de gamelas, aos pouco substituídas por tipos mais finos de banheiros. Para gente de mais idade, o banho era sempre morno, inteiro ou de assento. Segundo alguns viajantes dos tempos coloniais, -um deles Mawe [ goo.gl/zOgju3 ] - as senhoras dos sobrados abusavam do banho morno; e isto concorria para amolentá-las”. Opinião, também, de alguns higienistas do tempo do Império, que se ocuparam do assunto em teses e dissertações.
Uma das gabolices de alguns sobrados ilustres era que deles escorresse para a rua a água dos banho mornos. Água azulada pelo sabonete fino e cheirando a aguardente de qualidade. Os fidalgos das “casas nobres” se orgulhavam de não feder a negro nem pobre.
Deve-se notar que o sabão, a princípio fabricado em casa, foi um dos artigos que se industrializaram mais depressa no Brasil. Sabão de lavar roupa, branqueada também a anil. Sabão de esfregar o corpo da gente fina e embelezá-lo ainda mais. Importava-se da Europa muito sabão de luxo. No século XIX os negros mais ricos deram para importar sabão da Costa. Um consumo enorme de sabão. A tal ponto que no meado do século XIX, grande parte das fábricas do Império era de sabão.
Quanto à gente dos mocambos, é claro que entre ela o luxo do sabão não se desenvolveu. Nem entre ela nem entre a metralhada das senzalas. O budum, a catinga, a inhaca, o “cheiro de bode” dos negros, em torno da qual cresceu todo um ramo de folclore, no Brasil, deve ter sido o exagero do cheiro de raça, tão forte nos sovacos, pela falta, não tanto de banho, como de sabão, em gente obrigada aos mais duros trabalhos.
Porque de banho, o negro, a gente do povo mulata, e não apenas a mameluca e a cabocla, nunca se mostraram inimigos no Brasil. A tradição de excessivo gosto da água de bica, em regalos de banho ou pelo menos de lava-pés, não se encontra só no Norte; também no Centro e no próprio Sul do País. O moleque brasileiro tornou-se célebre pelo seu gosto de banho de rio. Os jornais da primeira metade do século XIX e até da segunda estão cheios de reclamações contra moleques sem-vergonha, e mesmo homens feitos, que, nos lugares mais públicos, ou ao pé dos sobrados mais nobres, despiam-se de seus molambos, de seus trapos de estopa ou de baeta, e iam tomar banho completamente nus”.
Assunto a que voltaremos a nos referir em capítulo seguinte.
Pelo Agreste e pelo Sertão, o banho preferido de todos era o de rio. Só se tomava banho em casa quando se estava doente. Geralmente, nos rios, havia lugares destinados aos homens e outros destinados às mulheres. Gostava-se, também, e mito, do banho de choque, que diziam se “excelente para os nervos”, e do banho de bica, geralmente tomado pela manhã, pelos homens, que, “para evitar refluxo”, banhavam-se chupando cajus ou laranjas e tomando cachaça. Na época dizia-se que sabão de negro ou de pobre em “caco de telha”, usado para tirar a sujeira grossa do couro. Mulher fina, para evitar olhares indiscretos ou maliciosos de certos homens que se escondem atrás de toupeiras de mato para vê-la banhando-se no rio, muitas vezes em casa, geralmente no quintal, tomava banho de alguidar de barro, usando sabonete importado da Europa e “água-de-cheiro”. Banho de mulher-dama sempre era tomado às escâncaras, impudicamente.
Nas casas agrestino-sertanejas não havia banheiros nem gabinetes sanitários. Via de regra, defecava-se no mato, “por trás das bananeiras” cuja folhas às vezes eram utilizadas para o asseio anal. Também na cidade, segundo Gilberto Freire (Ob.Cit.I, 198),
“… o grosso do pessoal defecava no mato, nas praias, no fundo dos quintais, ao pé dos muros e até nas praças. Lugares que estavam sempre melados de excremento ainda fresco. Luccock diz: “thickly strewed with ever fresh abominatios”.  Isso sem falarmos da urina, generalizado como era o costume dos homens de urinarem nas ruas; e de nas ruas se jogar a urina choca das casas ou dos sobrados sem quintal. A 03 de março de 1835, apareceu no Diário do Rio de Janeiro,[referência não confirmada em goo.gl/uGdE8Y]  esta reclamação típica: “Já há tempos que se roga aos vizinhos que ficam na Igreja de s. Jorge, da parte da Rua da Moeda, que houvessem de não deitar na rua, à noite, águas imundas e urinas chocas, e que ainda continuam; portanto por este anúncio se torna a rogar, prevenindo de que se tornarem a continuar se representará ao juiz competente, pois que basta a estação em que estamos de grande calor e ainda sofrer dos mais vizinhos semelhante mal pestífero saúde dos mesmos”.
O hábito de defecar de cócoras, à maneira dos índios, de tal modo se generalizou não só entre a gente rural como entre a população mais pobre das cidades, que ainda hoje há brasileiros distintos, de origem rural, ou então humildes, incapazes de se sentarem nos vasos sanitários; só acham jeito de defecar pondo-se de cócoras sobre a tampa do W.C., que às vezes deixam toda emporcalhada. Daí serem tão raros, no Brasil, os W.C públicos limpos ou asseados. Mesmo em algumas casas de família, nas cidades já saneadas, não se concebe que os W.C. possam ser lugares limpos, inteiramente diversos dos seus predecessores; as “casinhas” com simples barris sem o fundo enterrados até o meio sobre uma fossa. O uso desses barris, em “casinhas” distantes do sobrado ou da casa, generalizou-se nas casas suburbanas da segunda metade do século XIX.
Nas aldeias públicas do Agreste e do Sertão, os presos “se aliviavam”, isto é, defecavam e urinavam em barris denominados de “cuba”, os quais ficavam cheios durante o dia e, à noite, eram conduzidos pelos presos pobres para os matos ou para beira do rio, onde se fazia o despejo das fezes e urinas, retornando a “cuba”, com catinga e tudo, para servir de “sanitário” da cadeia no dia seguinte.»

Gazeta da Tarde – RJ, 01-11-1896, 2ª col. goo.gl/epzWIe . Anúncio de papel higiênico.


«WATER-CLOSET

Papel higiênico e medicinal para water-closet. Este papel é perfeitamente puro e adequado ao fim que se destina. Este papel é perfeitamente puro e adequado ao fim que se destina. É sabido que em grande parte as moléstias hemorroidárias são devidas ao uso do papel ordinário, sobretudo do branco que, além da impressão com tintas oleosas e ácidas, contem geralmente substâncias nocivas, como sejam: o vitríolo, cal, potassa etc., que se empregam para branquear o papel. O presente papel é o único até agora feito que preenche as qualidades de pureza necessárias, é macio e se dissolve facilmente na água, de sorte que não há perigo de entupir os canos do esgoto, como acontece com outros papéis de qualidade ordinária.»

Diario de Pernambuco, 17-07-1921, 4ª col. goo.gl/tzvNF2 . Descarte de papel na descarga  - Salubridade das habitações


«Salubridade das habitações

A Repartição de obras públicas, algas e esgotos pede-nos a divulgação do seguinte:
"A obstrução da canalização de esgotos deve ser evitada de um modo sistemático; e, com os novos serviços, a obstrução é sempre evitável, salvo os casos de coagulação da gordura aderente à superfície interior das canalizações, quando ela se dê independentemente dos cuidados recomendados.
O uso do papel higiênico se deve generalizar, e os papéis servidos devem ser lançados à latrina, para serem removidos com as descargas das respectivas caixas de lavagem, sem o menor receio de que causem obstrução. O uso de papéis de outra natureza, e, porém, condenado pela higiene e é proibido lançá-los nos aparelhos. Deixar os papéis servidos, de qualquer natureza, em caixões, em cestos, expostos às moscas, que neles pousam e deles voam para pousarem nos alimentos é uma prática condenada pela higiene e só um qualificativo merece, tão expressivo que desnecessário se faz repeti-lo. Lançar no esgoto trapos, lixo, terras, cinzas, resíduos de alimentos crus e cozidos, pós de café, e outras substâncias estranhas ao serviço dos esgotos, são práticas que se não podem mais justificar pela ignorância; elas resultam geralmente do desleixo. A "Dona de casa" não se pode eximir da responsabilidade pelo asseio da habitação e pela boa manutenção do serviço sanitário; a falta de assistência doméstica é evidente na maioria dos casos, mas, como justificação do que se observa de irregular, alega-se a ignorância e o desleixo dos criados. Uma parcela do tempo que sobra para a vida mundana deveria ser mais vantajosamente empregada nos cuidados da vida doméstica, para felicidade hígida do lar; com o bom exemplo, vindo do alto, os criados seriam cuidadosos e as crianças se educariam na prática dos princípios sãos, tão úteis para o seu futuro adulto e tão necessário à comunhão social. Bem escreve Agostinho de Campos: - "Casa de pais, escola de filhos". O mestre deve ser o continuador na prática destes bons princípios trazidos do lar, de entre eles a higiene; estes princípios devem ser então desenvolvidos na escola, singelamente, evitando-se definições pedantes da didática moderna. Não é por meio de livros decorados e repetidas, enfadonhas para crianças, talvez contraproducentes, não é com esse método de ensino que se formarão mulheres e homens asseados, sadios, virtuosos, inteligentes e úteis à família. O esgoto de uma casa é comparável ao intestino do organismo animal: o médico, ao tratar um doente, cuida logo do desembaraço intestinal; é preciso também, em certos casos, indagar do funcionamento intestinal do prédio. A casa doentia faz os moradores doentes, e não há drogas que curem estes sem que seja aquela previamente curada, isto é, saneada. Para sanar um prédio não basta que se lhe deem água potável e esgotos perfeitos. A muitas outras condições atender, e de entre elas citamos apenas a boa iluminação solar e a ventilação natural, em todos os compartimentos e especialmente nos de dormida, nos de trabalhos diurnos e nos gabinetes sanitários. Se isto não se puder conseguir nos estreitos e compridos prédios antigos, de vários pavimentos, infestados de alcovas - esses prédios devem ser condenados por insalubridade: - são casas assassinas, no dizer do eminente arquiteto francês. - Recife, outubro de 1916. - S.R. de Britto; »

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Uma das primeiras mansões de Arcoverde

Por Pedro Salviano Filho 
(Coluna Histórias da Região - edição N. 294 de novembro/dezembro de 2016 - Jornal de Arcoverde) 

Foto do livro Ícones. Patrimônio Cultural de Arcoverde, Roberto Moraes, Recife, 2008, pág.45, do acervo da família Britto, obtida entre 2006/2007.

Casa construída em 1918 por Augusto Cavalcanti para receber seu pai, o ministro André Cavalcanti.  Ficava vizinha à feira de gado no Tamboril. Nessa casa funcionou, de 1932 a 1936, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, DNOCS. Atualmente pertence à família Britto. Foto Jornal de Arcoverde, dezembro de 2016. Está localizada na rua que homenageia seu nome. goo.gl/L5ukvO 

André de Albuquerque Cavalcanti (André Cavalcanti), ministro do Supremo Tribunal Federal, que ficou hospedado em março de 1919 na casa construída pelo filho Augusto Cavalcanti.

Augusto Cavalcanti (de Albuquerque) nasceu em 1882 e chegou a Arcoverde (então Vila Rio Branco) há 100 anos e, nos 6 anos em que aqui intensamente viveu, demonstrou a sua capacidade empreendedora e visão de futuro, realizando obras que mudaram o rumo da região. Empresário e agropecuarista, ele revolucionou e impulsionou a vila construindo o cinema Rio Branco e implantando a luz elétrica no final de 1919. Bem relacionado com a imprensa, seu nome começou a aparecer nos jornais em 1917, quando passa a participar de exposições agropecuárias em Recife mostrando os produtos da sua fazenda Boa Vista, da “Estação Rio Branco” (como também era chamada a vila Rio Branco). Em 1918 ele manda construir a bela residência que no ano seguinte acolherá seu pai, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Cavalcanti. O seu novo casamento, realizado no final de 1919, como também as inaugurações do cinema e luz elétrica, são o ponto alto das atividades do coronel. Em 1921, aos 39 anos, ele morre envenenado por parente da sua bela mulher.
Para aqueles que se interessam pelo tema, sugerimos a leitura de outros artigos desta coluna:  goo.gl/irNlDe, goo.gl/4S0Wz8 e goo.gl/KMXD4R 

23-11-1917A Provincia, goo.gl/EVAuAv , 7ª col.: «A Inspetoria veterinária de Pesqueira remeteu os títulos de inscrição aos srs.: [...] Augusto Cavalcanti de Albuquerque [...] .»
21-12-1917A Provincia, goo.gl/L8o7UY  2ª col.:  «Exposição dos municípios. Já em Rio Branco o Sr. Augusto Cavalcanti. [...] o sr. Augusto Cavalcanti do município de Pesqueira: galinhas brancas [...].»
29-12-1917 - Jornal do Recife, goo.gl/3KmCLp , 4ª col.: «Exposição dos municípios. Uma entrevista com o coronel Augusto Cavalcanti sobre agricultura. Foto: Alguns produtos da fazenda Boa Vista do coronel Augusto Cavalcanti Estação Rio Branco.» Mais:  19-12-1917 Jornal do Recife, goo.gl/0mnRa8 ,5ª col.
17-07-1918Jornal do Recife, goo.gl/zFjds4 , 5ª.col.: «O cel. Augusto Cavalcanti e a lagarta rosada do algodão (praga Zerofino).»
1919 -«Foi para receber o pai que o Coronel mandou construir [em 1918] uma de nossas mais belas casas de residência, algum tempo depois vizinha à feira de gado do Tamboril e onde esteve entre os anos de 1932 e 1936, em Rio Branco, as Obras Contra Secas.» (Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas. Luís Wilson, 1982, pág. 93). 
13-03-1919A Provincia, goo.gl/SgEkuN , 1ª col.: Ministro André Cavalcanti. «[...] Veio de sua viagem ao interior do estado, onde teve ocasião de visitar a casa onde nasceu.»
26-11-1919 - Jornal do Recife, goo.gl/CSnMPs , 1ª  col.: «Aos parentes e amigos. Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Theodolina Cavalcanti de Albuquerque participam seu casamento. Rio Branco, 13 de novembro de 1919.» Checado em livro de registro civil: goo.gl/bQOXQb .
02-01-1920Correio da Manhã ,goo.gl/2psxPF ,  7ª col.: «[...] - A vila de Rio Branco, deste município, acaba de inaugurar a luz elétrica e um cinema.»
15-01-1920 - Jornal do Recife ,goo.gl/Wa1FEI , 7ª col.: «[...] - O cinema "Rio Branco" tem proporcionado encantadoras "soirées" aos seus "habitués". A luz elétrica, quer pública, quer particular, fornecida pelo coronel Augusto Cavalcanti, continua regular, esperando este cavalheiro entrar em acordo com o município afim de melhor servir ao público em geral. Presentemente o coronel Augusto Cavalcanti fornece gratuitamente a iluminação pública o que vem provar a sua boa vontade de colaborar no progresso de Rio Branco. Rio Branco, 11-1-1920 (Do Correspondente). »[Sobre o cinema goo.gl/irNlDe].
13-02-1920 - Jornal do Recife ,- goo.gl/kBvYnk   1ª col.: «[...] O coronel Augusto Cavalcanti demonstrou-se conosco em amistosa palestra, sobre o adiantamento de Rio Branco e outros assuntos, mostrando-se sobremodo interessado pelos progressos de sua terra. Somos agradecidos à cativante atenção do estimado cavalheiro.»
13-03-1920 - Jornal do Recife,goo.gl/cD5h55 , 1ª col.: «Pelos municípios - Rio Branco - A empresa do cinema "Rio Branco" não tomou conhecimento de um memorial que lhe foi dirigido por alguns frequentadores (a minoria) daquela casa de diversão. O coronel Augusto Cavalcanti, proprietário do citado cinema, agiu neste caso com todo critério ficando as famílias plenamente satisfeitas com a sua resolução. Para garantir a ordem, ali ameaçada de perturbação, foram postados dois policiais às ordens do respectivo subdelegado, senhor Tibúrcio Moura. Felizmente, até hoje, a ordem não foi alterada pelos descontentes com a resolução do coronel Cavalcanti.»
24-11-1920 - Jornal do Recife ,goo.gl/BkEi51, 6ª col.: «Melhoramento em Rio Branco. Devido em grande parte aos esforços do ilustre sr. coronel Augusto Cavalcanti acaba de ser inaugurada em Rio Branco a iluminação elétrica. A propósito desse importante melhoramento recebemos dali o seguinte telegrama: "Foi inaugurada ontem ocasião chegada trem, luz elétrica estação Rio Branco com excelente resultado, reinando geral satisfação passageiros e habitantes desta futurosa localidade. Houve grande entusiasmo por este importante melhoramento, para o qual muito tem se esforçado o coronel Augusto Cavalcanti, concessionário da empresa. - Comissão festejos».
12-05-1921 - Jornal do Recife, goo.gl/b0uS6I , 4ª col.: «Coronel Augusto Cavalcanti de Albuquerque. Realizou-se ontem, às 10 horas da manhã, em a necrópole de S. Amaro, o enterramento do saudoso coronel Augusto Cavalcanti de Albuquerque, filho do ilustre pernambucano, o venerando presidente do Supremo Tribunal Federal, dr. André Cavalcanti. O enterro efetuou-se na catacumba no. 113 da municipalidade, sendo o coche fúnebre, que era de primeira classe, acompanhado de inúmeros carros, conduzindo amigos do morto e pessoas de sua desolada família. Sobre o riquíssimo ataúde viam-se grade número de coroas com inscrições denotadoras de saudade e muitas flores naturais no mesmo depositadas por mãos amigas. O extinto, que era grandemente relacionado em o nosso meio social, por suas belas qualidades de caráter, era casado com a exma. sra. d. Theodolina Freire Cavalcanti, de cujo consórcio deixa um filhinho de tenra idade. Mais uma vez sentimentamos à desolada família Cavalcanti de Albuquerque, especialmente à viúva do morto e ao seu ilustre pai, o dr. André Cavalcanti.»[Ver também goo.gl/irNlDe].
Do livro Velhos e Grandes Sertanejos, 1º vol. Recife, 1978 – Luís Wilson. Pág. 359. Cap. 29:
«AUGUSTO DE ALBUQUERQUE CAVALCANTI  (CEL. AUGUSTO CAVALCANTI)
O velho português e Mestre-de-Campo da Ribeira do Moxotó, Pantaleão de Siqueira Barbosa (v. o capítulo deste nome), ali chegado na primeira metade do século XVIII, casou com Ana Leite de Oliveira (filha única de Belchior Leite de Oliveira) e deixou o casal 7 filhos, todos eles famosos, entre os quais o Cel. Joaquim Inácio de Siqueira Barbosa, que casou com Maria de Jesus Bezerra Cavalcanti e foram os pais de 20 filhos ("os 20 de Pesqueira"), um dos quais (o 20°), o Cel. José Camelo Pessoa de Siqueira Cavalcanti.
Este, casou com D. Maria da Penha Cavalcanti, filha de Jerônimo Cavalcanti de Albuquerque Arcoverde e de Teresa de Siqueira Cavalcanti, que foram também os pais, entre outros filhos, do Capitão Budá, pai de D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti.
O Cel . José Camelo e sua esposa D. Maria da Penha Cavalcanti foram os pais do Ministro do Supremo Tribunal Federal, André de Albuquerque Cavalcanti (André Cavalcanti).
Em uma das margens do Rio Ipojuca, no município do mesmo nome, no Litoral do Estado, levantavam-se, outrora, três engenhos (depois Usina Nossa Senhora das Mercês), "e foi ali, entre o cheiro de mel e de cana fermentada, que André Cavalcanti veio ao Mundo, em 1845".
Conta-se que, naquele dia, descansava perto do "engenho", de caminho para Amaragi, um grupo de ciganos e, supersticioso como todo sertanejo, seu pai mandou chamar uma das ciganas do bando e pediu que lesse a mão do garoto (1).(1) — v. Humberto de Campos, "Perfis", Segunda Série, José Olympio Editora, Rio, 1.936.
— "Há de ser como outros do mesmo sangue, um grande nome da família. Se nascer outro homem da mesma raça dentro de cinco anos, a estrela dele brilharámenos ; senão há de ser uma grande figura vestida de vermelho, vestida de encarnado".
O nefelibatismo da predição não esclareceu em coisa alguma o proprietário da "Nossa Senhora das Mercês", concluindo-se, no entanto, muitos anos mais tarde, que se não houvesse nascido cinco anos depois, da mesma família, o menino Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, teria sido, talvez, o garoto André, filho do casal Cel. José Camelo Pessoa de Siqueira Cavalcanti, o primeiro Cardeal do Brasil e da América Latina.
Bacharel em Ciências Jurídicas Sociais, André de Albuquerque Cavalcanti, conforme Clóvis Beviláqua ("História da Faculdade de Direito do Recife"), "fez parte da turma de 1864 de nossa velha Faculdade, nasceu em Pesqueira (não diz o ano), representou o seu Estado na Constituinte Republicana e foi Chefe de Polícia da Paraíba e Juiz Municipal de Pedras de Fogo (também naquele Estado), falecendo em 1927", tenho a impressão que no Rio de Janeiro.
Vivia já em Ipojuca, licenciado da Magistratura, quando veio a República e, por influência de D. Joaquim Arcoverde, naquela época Bispo do Rio de Janeiro, foi nomeado por Prudente de Morais, Chefe da Polícia da Capital.
Quando Campos Sales subiu ao poder, sendo indicado Sampaio Ferraz para a Chefia de Polícia, ainda por iniciativa de D . Joaquim, foi nomeado André Cavalcanti para a primeira vaga do Supremo Tribunal Federal.
Entre outros, são filhos do velho Ministro, o Cel. Augusto Cavalcanti (Augusto Mouco), que foi para Rio Branco (Arcoverde), em 1915 ou 1916.
Usineiro no Litoral, e criador, agricultor, proprietário e industrial no Sertão, foi Augusto Cavalcanti a maior figura, talvez, do Rio Branco de sua época.
Diz-se que casado com uma alemã (tenho a impressão que no Rio de Janeiro), em sua nova "cidadezinha" casou outra vez com Teodolina Freire, garota de rara beleza pela qual se apaixonara, filha de "seu" Antônio e D. Maria Freire (Maria Ferraz).
Contou-me José Duque que para a celebração do casamento, declaram, em Juízo, que Augusto Cavalcanti era solteiro, não me recordo, se entre outros, o Cel. Arcelino de Brito, o Cel. José Estrela e Epaminondas Santos. Com Napoleão Pacheco, seu parente e velho e grande amigo, por não ter declarado a mesma coisa (como lhe pedira o velho), andou alguns dias meio aborrecido Augusto Mouco.
A "cidadezinha" dava, naquela época, como que o seu primeiro passo para o futuro, com a chegada ao lugar 3 ou 4 anos antes dos trilhos da "Great Western" e a inauguração de sua pequena -Estação", na qual escreveram o seu novo nome — "BARÃO DE RIO BRANCO".
Foi, todavia, Augusto Cavalcanti, que em 1917 [1919] deu à "minha cidadezinha" o seu primeiro, e durante mais de 20 anos, o seu único cinema e teatro, o meu velho "Cine Rio Branco", encarregando de sua administração e construção o seu grande amigo e parente Antônio Napoleão Pacheco de Albuquerque (hoje, com 91 ou 92 anos de idade), e, ali assistiu a cidade os primeiros filmes de Edie Polo, de Jack Perrin, de Joe Bonomo, Art Acord, Jack Holt, William Desmond, Charles Chaplin, Rodolfo Valentino, Ramon Navarro, Gary Cooper, Shirley Temple, Jackie Coogan e, entre muitos outros, "Chuca-Chuca", Jean Darling e Joe Cob.
Em meu velho cinema foi que assistiu também em 1934 (dia 23 de dezembro), quando era seu empresário (ou não sei se já seu proprietário) "Zezé de "seu" Santino", o seu primeiro filme falado, que devia ter sido "O Meu Boi Morreu", com Eddie Cantor, passando, no entanto, ¨Viena de Meus Amores".
Mais ou menos em 1917 [1919], foi também Augusto Mouco que iluminou a sua nova cidadezinha com luz elétrica. O velho "motor" ficava no antigo beco, quase em frente à padaria que em 1920 passou a pertencer a "seu" Noé e é hoje, totalmente modificada (mas ainda com o mesmo nome — "Padaria Confiança") dos filhos de "seu" Joaquim Neves ("seu" Joaquim Domingos), de Umbuzeiro, Estado da Paraíba. Em minha infância era o "Beco do Motor da Luz". Hoje é o "Beco de Dr. Luís Coelho".
No mesmo prédio em que ficava o "motor da luz” de Rio Branco, Augusto Cavalcanti tinha também uma fábrica de angico ou de tanino. Lá atrás, com a frente voltada para o Rio da Rua Velha (ou Riacho do Mel), 5 ou 6 banheiros que uma  boa velhinha, avó de Zé da Tapioca tomava conta. Eram, na realidade, os banheiros da cidadezinha e era ali ou em “seu” Jé nos jumentos de Bertino (que trabalhava na residência do Cel. Antônio Japyassu e, entre outros, nos de Expedito e Zé Castigo.
A água boa, a água de beber iam buscar na Serra das Varas, uma ou duas vezes por semana.
A partir de 1929, a " Sanbra" (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro) , ou não sei se ainda "Pinto Alves & Cia" (e era, então, Ernesto Lima o seu gerente em Rio Branco) , passou a fornecer luz elétrica ao Município. O motor do Cel. Augusto Cavalcanti deixava-nos, vez por outra, 15, 20 dias e um mês sem luz, voltando, então, as velas (primitivamente de sebo e depois de cera, estearina ou espermacete), as velhas candeias de azeite de carrapato, os candeeiros (ou os alcoviteiros) e as lâmpadas a álcool a iluminarem as casas de comércio e de residência da "cidadezinha".
No trecho da atual Avenida Cel. Antônio Japyassu, em que ficava a padaria que era de meu pai, um bico de carbureto, em cima do balcão, como que iluminava toda a rua, em frente à  padaria, até às 8 e às 9 horas da noite, com o velho conversando com os amigos.
O Recife, conta-se que viu pela primeira vez a "luz elétrica", em outubro de 1873, quando o vapor inglês "Eothen", que a utilizava, ancorou em nosso porto, tendo sido objeto não apenas de curiosidade, "mas de espanto e admiração, não faltando quem aludisse a um castigo do céu, pois então a célebre "Questão Religiosa" entre o Governo Imperial e o Bispo D. Frei Vital, chegava ao auge" (1).(1) v. Fausto Agnelo, "Da candeia de Azeite á Lâmpada Elétrica", in Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Vitória de Santo Antão, vol. 5, 1973.

Só tivemos, no entanto, em nossa Capital, um serviço público de iluminação elétrica, regular e definitivo, com a "Pernambuco Tramways", que adquiriu a "Ferro-Carril" e outras companhias de transporte urbano e, em 1913, a "Companhia de Gás" estabeleceu o transporte coletivo por energia elétrica, substituindo o serviço de iluminação a gás pelo de eletricidade, inaugurando o primeiro trecho no centro da cidade em 28 de março de 1919" (2).(2)— ib. págs. 66 e 67.
O serviço de iluminação pública do Recife, com lampiões contendo candeias de azeite de carrapato, foi inaugurado em maio de 1822, tendo sido arrematado em 1834 (conforme Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, vol. VIII), à razão de 116 réis por lampião, o que importava, para os cofres públicos, uma despesa anual de 1.250$208, na moeda então vigente. A 26 de abril de 1859 foi inaugurado no Bairro do Recife o serviço de iluminação a gás carbônico, seguindo-se logo depois o dos outros bairros.
Augusto Mouco, no entanto, em 1918, para receber o pai em Rio Branco (o Ministro André Cavalcanti), mandou construir a bela residência, a um lado do "Tamboril", que a partir de 1931 ou 1932 (época do Dr . Francisco Saboia), foi durante muitos anos a sede das "Obras Contra Secas" nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte.
Menino pobre, filho de um pobre "mascate" de Rio Branco, só na "fidalga" Pesqueira (como que a Capital do mundo de minha infância), vi, naquele tempo, casas tão grandes e tão bonitas. O Palácio de D. José, a residência do Major Cândido de Brito (da Fábrica Peixe), a do Comendador José Didier (da Fábrica Rosa), a do Conselheiro José de Almeida Maciel (vizinha do Palácio do Bispo), a de "seu" Praxedes Didier, a de D . Argentina (mãe de Milton e Leonorzinha)...
No sei se Augusto Cavalcanti deixou filhos com a alemã com a qual casou no Rio de Janeiro, tendo deixado de Teodolina um único filho (André), e com D. Francisca Josefa Maia (Engenho Utinga de Baixo, Usina Nossa Senhora das Mercês), filha do casal Francisco-D. Carolina Maia, proprietários em Suape (Cabo de Santo Agostinho), 4 filhos, criados pelos irmãos do Coronel (Adolfo, Arthur e Amaro): 1.° — Maria José Cavalcanti, que casou com João de Jesus Pereira. Sucessão: Etevaldo de Jesus Pereira (casado, com filhos), Maria Isabel (solteira), Marisa (casada, com filhos) e Marlene (que casou com Antônio Alves Carneiro, pais de Marco Antônio, Marlene, Marisa, Antônio Carlos, Marília, Marcílio Mônica e Antônio, todos residentes em Arcoverde há algum tempo). 2º - Maria Augusta, solteira. 3º José Augusto, que casou com D. Yolanda, com sucessão. 4º Maria Áurea, esposa de Milton Lima.
Falecido aos 45 ou 50 anos de idade, em 1921, no Recife, para onde viajara doente de Rio Branco, acompanhado do seu primo e velho amigo Dr. Leonardo Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, conta-se que envenenado por uma pessoa da família da moça bonita pela qual se apaixonara perdidamente e com a qual casara no Sertão, Augusto Mouco foi o maior benfeitor, talvez, da cidadezinha de Rio Branco de sua época.» 

Augusto Cavalcanti

Teodolina Freire, com a qual casou em Rio Branco o Coronel Augusto Cavalcanti. «Teodolina casou, em segundas núpcias, com João Falcão e teve três filhos; e em terceiras núpcias, com o cônsul do Uruguai, Antônio Melo Barreto.» (Roteiro de Velhos e Grandes Sertanejos. Vol. 3, Luís Wilson, pág. 1292).

D. Maria José, filha de Augusto Cavalcanti



terça-feira, 25 de outubro de 2016

Banco do Brasil de Arcoverde, a primeira agência no interior de Pernambuco

Por Pedro Salviano Filho 
(Coluna Histórias da Região - edição N. 293 de setembro/outubro de 2016 - Jornal de Arcoverde) 


Agência do Banco do Brasil de Arcoverde, 068-X, fez 93 anos. Foto Jornal de Arcoverde, outubro 2016. goo.gl/4WBcgt 

Procurando dar visibilidade a um importante acontecimento histórico de Arcoverde, apresentamos mais alguns dados sobre a vila Rio Branco. Em 1923 o distrito de Pesqueira vivia uma fase de expansão econômica iniciada 11 anos atrás com a chegada da ferrovia e incentivada pelas feiras de gado, pela implantação da SANBRA, pelo seu comércio crescente, novas estradas etc. E foi nesse cenário que o Banco do Brasil instalou sua agência n. 0068-X,  goo.gl/mwkP4U , em 18-07-1923, a primeira no interior de Pernambuco. E numa vila de Pesqueira! Naquele ano também instalou a segunda do interior, que começou a funcionar no final do ano, 28-11-1923, em Garanhuns, a 0067-1, goo.gl/KPtdbR.
Assim, apesar de um pequeno período de interrupção de funcionamento, cerca menos de dez anos, a agência já completou 93 anos, sendo, portanto, a mais antiga do interior de Pernambuco. Saliente-se que a primeira agência do Banco do Brasil em Pernambuco foi a da av. Rio Branco, a 0007-8, no Recife, em 12-08-1913, goo.gl/wtFdCE.

A história do Banco do Brasil já está bem pesquisada, inclusive com publicações na web. Ex.: História do Banco do Brasil, Volumes 1 a 4: goo.gl/jgOF3h, goo.gl/Kc5YgE , goo.gl/A7OXfG e goo.gl/aB9Yqq. História do Banco do Brasil 1906 a 2011, de Fernando Pinheiro: goo.gl/c3x6fP

A história do Banco do Brasil em Pernambuco mostra que a implantação da sua primeira agência começou em 1912, como revelam jornais da época:
04-11-1912- A Noite- RJ, goo.gl/Ch5z8T, 1ª col.: «O sr. Cunha Rabello apresentou requerimento pedindo informações sobre a criação de uma caixa filial do Banco do Brasil em Pernambuco.»
17-06-1913 - A Província, goo.gl/c8399q, 6ª col.:  «Agência do Banco do Brasil. Vindo do Rio de Janeiro, a bordo do paquete S. Paulo, acha-se nesta cidade, desde ontem, o dr. Velloso Pederneiras, cujo fim é instalar nesta cidade uma agência do Banco do Brasil. É agente o dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade.»
12-08-1913 - A Província, goo.gl/y644ww , 2ª col. «De dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade e Francisco Velloso Pederneiras, pedindo registro de suas nomeações de gerente e  contador da agência do Banco do Brasil, neste estado - registrem-se.»
O livro “O Banco do Brasil na história do Recife”, gentilmente nos enviado pelo autor, sr. Carlos Eduardo Carvalho Santos, 2013, página 74: «O jornal “A República”, do Recife, noticiou em sua edição de 12 de agosto de 1913 a inauguração, muito embora fosse o evento o resultado da incorporação do Banco de Pernambuco pelo Banco do Brasil. Abria-se solenemente o que então se chamava a Filial de Pernambuco. Por sua significação histórica transcrevemos a nota: “No prédio 125 da antiga Rua dos Judeus, atual Rua do Bom Jesus, será inaugurada hoje nesta cidade a filial do Banco do Brasil, importante estabelecimento bancário da praça do Rio de Janeiro. Agradecemos a comunicação que a este respeito nos faz o ilustre Dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade, gerente neste estado da referida empresa.»

13-08-1913 - A Província. goo.gl/F2oZ7w , 2ª col. «Agência do Banco do Brasil. Pedem-nos para noticiar - sob a afirmativa de podermos faze-lo com toda segurança - que o deputado federal dr. José Vicente Meira de Vasconcelos, não se entendeu com o conselheiro João Alfredo, a respeito da agência do Banco do Brasil nesta praça, nem sequer teve ensejo, no corrente ano, de falar ao mesmo conselheiro fosse sobre que assunto fosse.»

15-08-1913 - A Província.  goo.gl/bdltWm, 2ª col. «Foi-nos mostrado ontem o seguinte telegrama: "Dr. Milet - Recife - Revoltante falsidade telegrama "Tempo" dizendo estive João Alfredo Banco Brasil procurando impedir criação agência banco. Este ano nem uma só vez estive conselheiro. Há nesta notícia equívoco ou infame perversidade. Publique. Meira».
21-08-1913 - Jornal do Recife, goo.gl/0ZhOOs , 1ª col.: «Foram arquivados os Estatutos do Banco do Brasil para abrir uma agência neste Estado.»
22-08-1913 - A Província, goo.gl/Q25HGa , 4ª. col.: «[...] Foram arquivados os estatutos do Banco do Brasil, para abrir uma agência neste estado.»
04-10-1913 - A Província, goo.gl/nwDSyH , 4ª col.: «Necrologia. Faleceu anteontem e enterrou-se ontem o sr. Jorge Pedro da Silva Rosa, tesoureiro da agência do Banco do Brasil com sede nesta cidade. O estimável cavalheiro cuja morte noticiamos, era um dos dignos empregados do Banco do Brasil onde começou a trabalhar como ajudante de caixa e prestou relevantes serviços na agência de Manaus, que exerceu interinamente tendo recusado a nomeação efetiva. O seu enterramento foi bastante concorrido e sobre seu ataúde estavam duas coroas - uma de sua virtuosa esposa e outra do gerente contador e mais empregados, seus companheiros de trabalhos. Pêsames à sua família.» Mais: curioso leilão da viúva: goo.gl/G4rtuY,1ª  col.).
18-07-1923 – Jornal do Recife,  goo.gl/84Fkhl, 1ª col.: «O Banco do Brasil em Rio Branco. O governo federal, em boa hora, atendeu à criação de uma agência do Banco do Brasil, na vila Rio Branco, deste Estado. Providência de alta significação econômica para os interesses comerciais do sertão, de quantas cidades do interior existam, importantes pelo seu desenvolvimento, nenhuma ultrapassa, naquela finalidade, a populosa vila. Quando "a reunião última do nosso poder legislador, em nome dos habitantes dali, apresentamos um extenso memorial em que pleiteávamos a sua independência municipal, houve da parte de uma facção político-local, célebre pelos processos da mentira e da intriga, a alegação idiota de que Rio Branco não estava em condições de suportar as exigências de uma vida própria. E, como argumento sádico, citavam os inimigos da causa rio-branquense a transitoriedade de sua atuação econômica nos destinos da vida sertaneja pela circunstância da estrada de ferro, que ali tem seu ponto terminal. Não há como destruir o absurdo de tão errôneo conceito. Nos detalhes da demonstração com que batemos às portas do Congresso do Estado, aliás publicada no órgão oficial, expusemos documentadamente os recursos em que se apoiava Rio Branco para a sua vida independente. Pondo à margem o fato, politicamente sintomático, de municípios circunvizinhos como Pesqueira, Buíque e Alagoa de Baixo cederem tratos de seus territórios para constituição da incipiente comuna, a Rio Branco sobravam para viver elementos de riqueza local, na sua indústria pastoril, no seu fomento agrícola procedente das serras que o contornam, além do seu estupendo comércio ribeirinho, não só proveniente dos limites paraibanos, como do espantoso tráfico sertanejo, do alto. Mas os cegos da paixão partidária, não são aliás os de pior cegueira, não viam nada disto em Rio Branco. Nunca vislumbraram sequer a evidência desta verdade. Os inimigos de minha terra permaneciam na ignorância de que ela possui 49 quilômetros quadrados, sitos numa zona criadora e fertilíssima; que possui uma poderosa fábrica de beneficiamento de algodão, cujas transações avultam numa estimativa de sete mil contos anuais; que tem dez mil e seiscentos e poucos habitantes e renda superior a quarenta contos por orçamento rigorosamente arrecadado. Não veem, nunca viram nada. Enxergam apenas os seus interesses políticos, sobremodo mesquinhos como objetivo administrativo, pois é o próprio município de Pesqueira, de que se vai desmembrar Rio Branco, que vem de encontro aos legítimos desejos de emancipação daquela gente. Em teoria, em direito público, nenhum fenômeno de vida constitucional é mais interessante que este, comentado pelos constitucionalistas pátrios e estrangeiros. Bryce escreve numerosas páginas a respeito, em apoio da tese, e entre nós, Castro Nunes, numa monografia brilhante, estuda o aspecto jurídico-social da questão considerando que os organismos políticos da vida das nacionalidades repousam evolutivamente nesses movimentos de independência comunais. No Brasil, talvez por inópia mental, se condena a criação de núcleos municipais. Por amor à verdade, seria melhor dizer: no Brasil destas bandas setentrionais, porque no sul, onde a ideia do progresso constitucional já entrou para o patrimônio jurídico dos seus homens públicos, tal fenômeno não tem mais a importância das coisas discutíveis. Ano a ano S. Paulo permite o alargamento da sua rede comunal que é sombra dos próprios valores da cooperação econômica, constitui o elemento sinérgico da vitabilidade paulista. Felizmente, para bem das minhas ilusões jurídicas, que de todo ainda persistem em se conservarem vivas, a atual administração de Pernambuco, tem a larga noção do liberalismo. O exmo. sr. dr. Sérgio Loreto, governador do Estado, é bem um cultor do direito. Neste particular deu provas de sua visão clara acerca do municipalismo, prestando o seu apoio sancionador aquelas altas ideias, condenadas praticamente na lei ordinária que criou o município de Floresta dos Leões. Sobre Rio Branco não me pareceu antipática de s. exc. a opinião a respeito da sua independência, o que me valeu a esperança de continuar a bater-me pela causa. O recente ato da criação da agência do Banco do Brasil naquela localidade, tão digna de estimular fortes, é bem significativo da boa vontade dos poderes públicos para com o progresso dali. Com os aplausos a efetivação dos desejos dos meus conterrâneos que devem estar de parabéns, resta pedir aos deuses e aos homens de que dependem as coisas humanas, na terra, um sopro de proteção para o município de Rio Branco. Santos Leite - N.da.R - Reproduzido por ter saído com incorreções. NOTA CORRIGIDA  em goo.gl/FXKeE3 , 5ª.col.»
28-11-1923 – A Noite, goo.gl/vRQbQe , 4ª col. «Inauguração, em Garanhuns, de uma agência do Banco do Brasil. Garanhuns (Pernambuco), 26 (Serviço Especial de A NOITE) - Com grande solenidade, inaugurou-se a agência local do Banco do Brasil, da qual são gerente e contador, respectivamente, os Srs. Audifax Aguiar e Álvaro Peçanha. Ao ato compareceram as autoridades civis e eclesiásticas, representantes do comércio e da lavoura locais e grande número de populares, tendo o gerente Audifax proferido um discurso expondo os fins e vantagens do novo estabelecimento, cuja instalação muito tem agradado aos habitantes, principalmente aos comerciantes deste município.»

Do “Álbum de Pesqueira, adm. Cândido Cavalcanti de Brito 1923/1925”,  o registro da existência da filial do B. Brasil. Foto, cortesia de Marcelo Oliveira, de Pesqueira.

07-1924 – Ilustração Brasileira,  goo.gl/hp8HFm . Agências do Banco do Brasil no país.

24-09-1925 – Jornal do Recife, goo.gl/gjvMBg  , 1ª col.: «De Manoel Gregório Teixeira da Lapa. Informações diversas de Rio Branco sobre Lampião, Banco do Brasil, incêndios e festa de N.S. Livramento. “ [...] Banco do Brasil - Este estabelecimento suspendeu todas as operações de crédito nesta praça; isto vale por dizer: apertou a corda ao comércio leader do partido republicano enforcado. Vimos uma legião de pedintes no balcão da agência local, a quem o gerente dizia, em dias da semana atrasada, com esse seu sorriso francófilo; "Perdoe, em nome da Casa Matriz que assim o ordena!" E afinando nesse "Deus vos favoreça" principiamos o mês de setembro cujos últimos dias se avizinham mais tétricos, mais sombrios, tanto que por iniciativa do sr. Cícero Ferreira foi transmitido à Matriz do Banco, na Guanabara futurista, o seguinte despacho telegráfico firmado por onze das mais importantes firmas desta praça: "Satélite - Rio - Informados gerente Banco Brasil nesta vila essa Matriz ordenou suspensão todas operações crédito aqui, justamente quando mais precisamos assistência financeira afim não sermos arrastados pela tremenda crise reinante, vendo paralisados nossos negócios e sobremodo depreciados nossos principais produtos, especialmente algodão constitui vida nossos sertões, apelamos essa Matriz sentido revogar ou sequer restringir aflitiva providência. Tudo esperamos vosso patriotismo, Saudações. Entretanto, até agora não "choveu no roçado"; e os matutos não sabem se foi com medo de Isidoro, com receio de Lampião ou temendo a própria crise, que o Banco do Brasil lançou essa última pá de cal sobre o cadáver do comércio. A coisa chegou ao ponto de um viajante comercial não conseguir passar para a sua casa, pelo Banco, cerca de quatro contos de réis recebidos na jornada cobradora. Tudo porque o Banco "estava suspenso" de ordens. Ouvimos até que ia ser raspado o cofre, e a "raspinha seria encaixotada e recambiada para Recife! Foi quando o Agostinho balbuciou, desolado e quase naturalizado húngaro: "Vae victis!" Esse Jornal, arauto de todas as conquistas liberais, defensor estrênuo do povo deprimido e espoliado, seja o cursor das nossas necessidades e diga: "Das duas uma: Ou Rio Branco sem banco, ou Banco sem Rio Branco!" Se não derem o dinheiro aos matutos, não nos livrarão da pasmaceira que é meio caminho andado para a miséria. Valorize-se o nosso direito, já que algodão não vale nada.»
1927 - Almanak Adm., Merc. e Ind. RJ, goo.gl/wq8e80, pág. 1012, vol.III. 3ª col. «Estado de Pernambuco - municípios Barão do Rio Branco. Vila e sede do 7º distrito do município de Pesqueira, ponto final da estrada de ferro da Great Western of Brazil Railway Co. da linha partindo do Recife da estação de Cinco Pontas. [...] - Banco: Banco do Brasil (filial). Gerente: Álvaro Câmara Pinheiro.»

05-02-1928 - Diario da Manhã, bit.ly/1ybp6Lh  , 3ª col.: «O chefe da insegurança pública escapou milagrosamente de uma emboscada do célebre bandido "Lampião". As últimas proezas do bandido em território pernambucano. (foto R. Branco = pág. 189 Município de Arcoverde (Rio Branco), com a legenda: Casas comerciais de Rio Branco, na atual avenida Antônio Japiassu, em 1927. Na primeira casa, à esquerda, esteve durante muitos anos a agência de nosso correio "Chico Numerador").»

17-10-1930 – Jornal do Recife, goo.gl/c7BceF , 5ª coluna: «Banco do Brasil. Será reaberto hoje o Banco do Brasil que havia deixado de funcionar desde o advento da Revolução. Com essa medida, a que não foi estranho o governo central, volta aquele estabelecimento bancário à normalização de sua vida mercantil.” 6ª col.: “De Rio Branco - Comunico vossência chegado tenente Bernardino Maia que assumiu funções de legado. Cidade completa calma, Banco do Brasil reabriu, comércio funcionando regularmente. Tenho empregado máximo esforço sentido plena execução ideias governo revolucionário, atenciosas saudações. Dr. Luís Coelho, prefeito provisório.»
21-01-1932 – Jornal do Recife, goo.gl/jGGBsk , 4ª col.: «As rendas da União. [...] – 4º . Que no Estado de Pernambuco o Banco do Brasil tem agências nesta capital e nas cidades de Garanhuns e Rio Branco;”  Mais: 27-01-1932 - Jornal do Recife , goo.gl/HXTYxJ, 3ª col.: As rendas da União. “[...] todas as rendas arrecadadas por esta coletoria, à Agência do Banco do Brasil, nesta capital, ou as das cidades de Garanhuns e Rio Branco [...].»

No livro História do Banco do Brasil, 2. ed. rev. Belo Horizonte: Del Rey, Fazenda Comunicação & Marketing, 2010. goo.gl/gUSvvJ  goo.gl/oW2BPy, encontramos na página 130: «Enquanto criava agências na Argentina e no Uruguai, o Banco continuou abrindo suas filiais no interior do país. Só no ano de 1923 foram inauguradas 22. Outras estavam em trabalhos de instalação definitiva ou em fases preliminares. No início de maio de 1924, o número chegava a 74. Havia, ainda, deficiências em algumas agências, que a diretoria procurava sanar sem retardar o progresso do banco.” Página 149: “Em 15 de julho de 1937, a diretoria resolveu estabelecer cursos de aperfeiçoamento, a nível superior, para os funcionários. Nessa época, o Banco ainda não se dispusera a expandir a implantação de agências no interior do país. O número das filiais era de 90 no ano de 1938.” Pág.160: “O movimento de instalação de filiais, que estava estagnado, acelerou-se depois de 1939, sob a presidência de Marques dos Reis. Em 31 de dezembro de 1940, o número de agências e subagências subiu a 139. No final de 1941, já havia em funcionamento ou em instalação 261 agências e subagências. Em 1942, entraram em operação mais de 62 subagências e uma agência. A cotação das ações do Banco na Bolsa subiu, em fins de 1942, para Cr$ 588,00. O número de funcionários, que cresceu moderadamente até chegar a 3.866, em 1940, daí por diante aumentou mais rapidamente, chegando a 6.396, em 1942.»
Mais: goo.gl/c3x6fP.

26-04-1942 – O sr. Antônio Augusto Pacheco (Recife) nos informou sobre a agência do B. Brasil de Rio Branco (ver também goo.gl/XggCjX): Envio do livro “O Banco do Brasil na História de Pernambuco (Notas sobre o sistema bancário)”, de autoria de Carlos Eduardo Carvalho dos Santos, 2ª edição, de 1986, páginas 168 e 169, as informações a seguir: “Na década de 30 [20?] o Banco iniciou sua interiorização, instalando suas primeiras agências. Rio Branco – hoje denominada Arcoverde – foi a primeira, seguindo-se Garanhuns, Palmares, Goiana, Vitória e Limoeiro”. “Notar-se-á, entretanto, que o Banco sofreu revezes, chegando ao fechamento desta subagência , em vista da crise que se abateu sobre o mundo capitalista na década de 30”. Na página 170, diz o autor: “Na década de 20 o Banco do Brasil se fez presente em Rio Branco, não sendo possível o levantamento detalhado dos elementos históricos até os presentes dias, em que pese  o grande empenho do atual Gerente Odon Porto de Almeida junto a historiadores locais. Notas de Waldemar Napoleão Arcoverde nos indicam que a subagência funcionava durante a época  da Revolução de 1930 na casa nº 455 da atual Avenida Coronel Antônio Japiassu. Conta-se até, singular acontecimento, quando uma Coluna, proveniente da Paraíba, acercou-se da cidade. Cauteloso, o então Gerente Paulo Ribeiro, fechou o Banco, entregou as chaves a um auxiliar da loja de ferragens de Sálvio Napoleão Arcoverde, dispensou os cinco funcionários e foi refugiar-se  no morro do Serrote de onde, com um binóculo, passou mais de dois dias observando o procedimento dos revolucionários e, felizmente, não houve o saque que esperava, voltando o Banco à plena normalidade tão logo afastaram-se as forças militares....Já com a denominação de Arcoverde, o Banco reinaugurou sua filial em 26 de abril de 1942, funcionando na antiga Av. João Pessoa, 242, sob a gerência de Moacyr Piauhyense de Carvalho e Contador Arthur Vieira de Azevedo, prédio de propriedade do advogado José Ciríaco das Neves Bezerra”.

No Jornal do Recife, goo.gl/jGGBsk , a agência do Banco do Brasil de Rio Branco aparece em atividade ainda em 21-01-1932

No livro Município de Arcoverde (Rio Branco). Cronologia e outras notas, Luís Wilson, Recife, 1982, pág. 159, sobre o ano de 1941, diz: “Rio Branco volta a ter, também, naquele ano, uma agência do Banco do Brasil”. Na pág. 115, sobre o ano 1927 e citando os estabelecimentos comercias de então: “[...] Noé Nunes Ferraz (Salão de Bilhar e Bar Confiança), Banco do Brasil, Manuel Cavalcanti de Araújo (seu Santinho), secos e molhados, Abdias Ferreira dos Santos (tecidos), Augusto Magalhães Porto (secos e molhados), Sebastião Franklin Cordeiro, [...].” 

Em busca de mais informação, além da que está em seu livro Arcoverde. História político-administrativa, Brasília, 1995, que cita à pág.102: "Também nessa administração [do tenente Olímpio Marques de Oliveira – 1939-1943], o município volta a ter uma agência do Banco do Brasil",  o sr. Sebastião Calado Bastos gentilmente nos disse: "Na época procurei a filha do tenente Olímpio para obter também informações da administração do seu pai. Consegui muitos documentos oficiais, pois ele era um homem hiper organizado. Mas sobre o Banco do Brasil a D. Verônica reafirmou que o município "voltara a ter" sua agência. Na insistência ela disse que a única coisa de que lembrava era de ouvir isso: "voltou a ter". Conversando com Elizeu Tito (Elizeu Marques Magalhães - falecido há pouco tempo), homem conhecedor das coisas e combativo vereador, ele me disse peremptoriamente que Rio Branco tinha tido mesmo uma agência do Banco do Brasil e que a mesma funcionou na casa que conhecíamos como a de seu Luís da Singer».
12-1946 – Ilustração Brasileira (RJ), goo.gl/z8OWZW,  «Agências do Banco do Brasil no país, 1946.» 

Agência nº 0088 do Banco do Brasil – Foto de 12-12-1951. Do livro Ícones. Patrimônio cultural de Arcoverde, de Roberto Moraes, Recife, 2008, pág. 72

Funcionários da agência do Banco do Brasil de Arcoverde, em confraternização, provável década de 50. A partir da esquerda: Maurício Ferraz, desconhecido, Mário Hipólito Cavalcante, Oscar Olímpio de Araújo, Agenor Lafayette (em pé), desconhecido, José Danilo Rubens Pereira  e Raimundo Britto. Foto do álbum da família Britto. (Raimundo Brito, com 95 anos, reside em Recife).